quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Uma loucura clarividente

Ed. Teodolito
 
 
Acabei o fim-de-semana passado a leitura d' A Instalação do Medo, de Rui Zink, o qual como sabem foi um dos ilustres entrevistados da Alegoria da Primaverve - podem ler ou reler esta boa conversa aqui.
 
O livro desliza debaixo das nossas retinas e da nossa atenção, com uma facilidade instigante. Fundamentalmente assente em diálogos que quase nos entontecem pela energia que carregam e pelas sequências e tiradas de mestre e a jato, a história, ou aquele peculiar momento da instalação do medo (analogias com empresas distribuidoras de TV a fibras ótimas serão impuríssima coincidência), deixa-nos à espera da cena que se segue, num suspense engenhosamente temperado por uma retórica incessante e a duas vozes.
 
O humor que me fez rir muitas vezes, o sorriso constante e a argúcia do non-sense, o desfile das palavras num palco em que Zink me lembrou Vian, e principalmente o medo, finamente descascado até ao seu núcleo essencial: uma fantasmagoria alienante mas vã.
 
Uma mini-amostrinha:
 
"A nossa paixão pelo medo é o segredo do nosso sucesso. E amor. Muito amor. A senhora pode não acreditar, mas nós amamos os nossos clientes. É uma questão de economia." - p. 51
 
"- Com engenho e arte, o medo chega a toda a parte.
 - O mais singelo movimento torna-se virtualmente impossível.
 - O medo não é realidade virtual, minha senhora.
- O medo, pouco a pouco, torna-se virtualmente a única realidade." - p. 132
 
Delicioso.

4 comentários:

menina lamparina disse...

Ainda não li, mas fiquei com vontade. :)*

Tamborim Zim disse...

Vale a pena dar uma chance!

Anónimo disse...

sabes, tenho medo e sinto-o e não vou deixá-lo ser um gigante, Tamborinzim. Feliz por teres lido o livro e pela delícia que mostras.

Tamborim Zim disse...

Grande Anonimim! É isso merrrrmo. ;) Gratinha.