segunda-feira, 20 de maio de 2013

O triste fel de Miguel

As diatribes de Miguel Sousa Tavares cada vez nos surpreendem menos. Como aqui já tinha dito, sempre o considerei um "bon sauvage" até se ter saído com a tremenda infeliz barbaridade de apelidar de incultos, ignorantes e pérolas quejandas os opositores à tourada.
Hoje, em pleno noticiário, no seu doutoral comentário, MST voltou a exceder-se em estultícia pretensamente iluminada. Foscamente iluminada. Considera o jornalista-escritor-solene palrador que o que é normal para uma criança é ter "um pai e uma mãe, o resto são remendos", referindo-se à co-adoção por casais homossexuais, perante o olhar constrangido de Clara de Sousa. A não ser que se invoquem motivos religiosos, e aí sabemos que nos encontramos sempre noutro tecido de argumento e noutra linguagem, considero que qualquer argumento anti adoção, casamento, união, factologia gay, etc., carece de argumentos racionais.
Ora, considerar que as pessoas do mesmo sexo são capazes de estabelecer vínculos maritais entre si, de construir famílias e de planificar o respetivo alargamento, o que obviamente defendo porque sou civilizada, não é compatível com a subalternização desses vínculos, afetos, vontades e famílias relativamente ao mesmo tipo de construções, mas em hetero.
Por que brilhantíssima razão hão de homens e mulheres casados ou com vidas em comum ser "remendos" na vida de uma criança? Por que ignota sorte há de um casal heterossexual oferecer mais equilíbrio, força, proteção, saúde, criatividade, amor, disciplina, do que um casal homossexual? Em que pedaço em aramaico do DNA está esta revelação inscrita, apenas decifrável por certas alminhas escolhidas?
Mas, sabedor, adianta Miguel Sousa Tavares na sua argumentação ignara que ele muito bem vislumbrou que, apesar do que se diz, não é nada dos direitos das crianças que se trata. É, sim, dos direitos dos homossexuais! Diacho! Vejam bem, até se pugna por direitos dos homossexuais, como todos sabemos diametralmente opostos aos da humanidade em geral e da puerícia em particular. Obsceno!
Considero esta postura opinativa de MST triste, irresponsável e pobre. Oca, frustrante e frustrada, sem nada que não preconceito espúrio e insensatez arrogante. Este MST é o mesmo, reparem, que há muitos anos, quando se fez o primeiro (e que deveria ter sido único) referendo sobre o aborto, deu a cara pelo "sim". Nessa altura, vê-se bem que devia estar todo ele apoplético, devotamente entregue aos direitos das crianças, e não das irresponsáveis das mãezinhas e dos paizinhos que assassinam os filhos. Mas hoje, ai, ui, os direitos das ciranças tornaram-se uma coisa tão cristalina e intangível que ao pé destes os homossexuais não são merecedores de viver plenamente a sua humanidade. São apenas seres humanos de segunda, homens e mulheres de segunda, pais e mães de segunda, imprestáveis, e incomparáveis ao modelo "original".
Acorde para a vida MST. Reclama-se de mais alguma humanidade. A razão e os bons sentimentos virão por acréscimo.

2 comentários:

Rui Roque disse...

Confesso que fiquei admirado com a aprovação deste projecto de lei. Nunca pensei que, com um governo de direita, se conseguisse aprovar alguma coisa neste sentido.
Por outro lado, não fico admirado com estas posições absolutamente medievais deste e doutros idiotas com tempo de antena. Felizmente as leis não dependem destes senhores e a sociedade insiste em dar passos em frente, ignorando este ruído de fundo.
E agora que a co-adopção está aprovada, parece-me difícil negar a adopção por casais homossexuais. será uma questão de tempo.

Tamborim Zim disse...

Foi à tangente. Espero q seja rápido, q já chega de atrapalhações. Bah! Sim, agora já n resta mesmo qqer fundamento p q n se feche o ciclo, ou melhor, abra.