quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Seconda notorra, o Mantorras que perdoe

Parece que não tínhamos mais nada com que aborrecer esta extenuada pátria. Ainda temos de aturar as idiotices, o "baixa calcismo" deprimente das nossas desgovernamentais relações com Angola.
 
No entanto, e porque obviamente nem tudo é mau, ora bem, dedica-se o Jornal de Luanda a rábulas fora de série. Que se Portugal não se comporta, que se Portugal não sabe guardar segredo de justiça, que se Portugal aqueloutro, mau, então não estamos à altura de Angola para entabular negociações. Depois de um jorrar ininterrupto gargalhalóide-bandeiras-despregadas, devemos sensatamente atentar na racionalidade angolana - e sabemos da tradição filosófica desta grande nação africana. Nós, ou seja, Portugal não está, reparem, à altura daquelas bestas nefandas daqueles governantes energúmenos, que assaltam o seu próprio povo, que sempre o fizeram, que provavelmente sempre o farão, para além da anormalidade partilhável com qualquer governo do mundo, mas com requintes de desigualdade, malvadez e sem vergonha imbatíveis. Caríssimos, claro que não estamos à mesma altura. Angola simplesmente está num nível subtérreo, tipo centro da terra estão a ver, e isso explica as relações internacionais problemáticas que mantém com qualquer alminha.
 
Assim, parem é de explorar o vosso povo e ganhem vergonha nas fuças, que a gente por cá deseja muita saudinha (ao vosso povo em cuidados, obviamente, não ao bando de larápios que o esmaga). Infelizmente, falta ainda liberdade, coragem e sobretudo instrução para que fermente uma primavera africana a sério. E aí, aí meu povo, será a glória.
 
País irmão? Angola? Por favor, não me façam rir. Nunca o consideraria. Irmandade pressupõe um mínimo de respeito, humor, boa vontade, honestidade, partilha, empatia. Guardem a muamba pá, e passeiem muito nessa Baía tristonha que nunca mais arranjam!*
 
 
 
* Claro que este post não se destina aos bons Angolanos/nados nesse país. E não, não estou a machetear!

2 comentários:

menina lamparina disse...

Querida Tamborim,

O comentário que deixaste num dos lightnings que saiu no lamparina, de que fazia parte a t-shirt mais «Diva» que já quis, fez bater cá dentro uma saudade e um remorso. Sim, sabemos todos que a vida às vezes é lixada e que não temos tempo para nada, mas doeu-me nunca mais ter falado contigo. Mesmo que falar signifique deixar-te um comentário. Lembro-me de ti muitas vezes, principalmente quando vou buscar alguém à estação de comboios e penso que poderias ser tu a sair de uma carruagem para tomarmos um café.
Bom, mas não quero perder o fio à meada e voltando ao teu comentário, assim que o li, vim visitar-te. E qual não foi o meu espanto quando finalmente encontrei um texto que diz exactamente o que penso em relação a toda esta polémica parva entre dois países meus. É que tenho em mim o choro das guitarras do nosso fado e o ar quente do semba. Sou filha de um alfacinha e de uma angolana, de uma dessas famílias da alta que foi obrigada a deixar aquele país nas mãos de quem por lá se fez rei. E sabes, muitas vezes sou obrigada a calar-me perante a ignorância só para não me irritar, porque muitas vezes também, o silêncio é útil para evitar dar pérolas a porcos. Evito comentar assuntos como este porque não seria bem compreendida - nem por portugueses nem por angolanos. E ler-te fez-me sentir que não sou uma freak e só por isso, vai daqui um abracinho!
:)*

Tamborim Zim disse...

Minha querida Lamparina, é sempre mais q um prazer visitar-te e ler-te! Pf, sem stress algum costumo dizer q a net é o campo da liberdade, e tantas vezes eu ppa gostava de ler mais e deixar mais comentários, mas sabes como é, cansaço, dispersão, etc.. Ainda bem q entendeste perfeitamente o meu post, q realmente n visava enxovalhar pátrias, mas sim as más políticas e consciências certamente.
E claro q um dia sairei mmo desse comboio p te ver!!!
Muitos mil beijinhos,
Tamborim