quinta-feira, 24 de abril de 2014

Viva o 25 de Abril - mas claro que sim!

Do tamanho de Abril
 
 
Especialmente quando chega esta altura, multiplicam-se por hábito as vozes "do contra": que o 25 de Abril não me deu nada, que a liberdade não me sustenta, que não há democracia, que antes é que era bom ou, então, que não era tão mau assim. Naturalmente, repetem-se os argumentos de que a difícil situação atual de Portugal e da Ecúmena se deve à mudança de regime, leia-se, de ditatorial para proto-democrático. (Claro que o 25 de Abril de 1974 foi uma alvorada, uma preparação, obviamente preciosa por esmagar a cabeça do monstruoso Estado Novo, velhíssimo, caduco, senil e criminoso.)
 
Só posso atribuir a este imenso desfilar de disparates duas desrazões injustificáveis: ou quem o diz padece da mais elementar ignorância histórica ou, por pretensão de alinhar com os "velhos e tradicionais tempos", e por vocação de alinhar com o status quo e com o "sim senhor", prefere identificar-se com o que o bom senso, obviamente (Humberto Delgado I love you), repudia.
 
Cabe-nos tentar a nossa parcela de luminárias e explicar que a culpa do abuso da liberdade não é haver liberdade, que a falta de elegância não deve à democracia os seus desvarios, que a pobreza não agradece a ditaduras obscurantistas, e que guerras idiotas não são o sustentáculo de um nacionalismo são, e muito menos de uma Nação. A forma de organizarmos e cultivarmos as nossas cabecinhas, a parvoíce social e a inépcia político-partidária, sim, são os fautores de tais descritos incómodos.
 
Kant dizia, com o seu brilho e acutilância únicos, que é necessária a "liberdade" para se aceder à "Liberdade". Deveras. Só com a oportunidade da expressão do livre pensamento, da livre defesa religiosa, política, social, sexual, estética, pode o homem cumprir a sua Humanidade. O sistema é nauseabundo e nefando? Claro. Seria melhor se ninguém pudesse levantar a cabeça, e usar a dita cuja? Seria melhor a vilania das prisões, torturas, mortes e exílios por se pensar ou agir diferentemente do que um grupo de gente quer? É isso mesmo, é a pacovice da União Nacional e da sua Cartilha anómala, que os exauridos de Abril consideram sofisticação?
 
Em mudança, e sobretudo em mudanças paradigmáticas, cometem-se erros também, e que não são desculpáveis. É isso que mancha a essência da mudança?
 
Note-se, eu não sou uma democrata natural, por assim dizer. Aqui, cito sempre os Delfins, e Churchill, está-se mesmo a ver. "Nunca gostei que a maioria organizasse o meu dia a dia", cantam os primeiros avisadamente, e todos os outros regimes são piores do que a Democracia - paráfrase minha para Winston.
 
Posto isto, viva o vermelho vivo dos cravos, vivam todas as mudanças que permitam minorar injustiças e promover o potencial do melhor que a humanidade pode mostrar!
 
Viva a Liberdade. Hoje, e sempre. Viva o Humanismo que nos falta compreender, amar e burilar, e que eu diria ser a canela para acrescentar aos cravos.  Gabriela. Mas a Liberdade não tem género.

2 comentários:

Wellington luiz feitosa guimarães disse...

Maravilha! Nada a acrescentar, só aplaudir.

Tamborim Zim disse...

Muito obrigada Wellington, e muito feliz pelas visitas!