Eh bien, eh bien, a obra é finda! Como podem observar, mirar, embevecer face à nova imagem de perfil, eis-me rosa e pente 2, finamente captada pela lente científica de minha douta Mana.
Claro que vários acertos me aguardam nos próximos dias, nomeadamente quando puder aparar as duas predradas na fronte de que dei conta na mensagem abaixo. Até lá, é fruir o fresco e ter paciência para para comentários género: "O que é que fizeste ao cabelo?"
As pessoas são tão previsíveis! Baf.
P.S. - Desculpem lá mas continuo chocada com a prestação da Bárbara Guimarães no Peso Pesado. Peso Pesado é o da sua presença, voz, expressão. Imagino que esteja a ganhar milhares de euros para aquele hino à anestesia que tão mecanicamente entoa em cada sessão. Proactividade, Bárbara, proactividade!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
Corte de cabelo em tempo irreal
Oh Zim, Zim, põe os olhos em mim!...
Imagino que já por muitas vezes o meu panteão de leitores deve ter-se interrogado: "mas onde terá a Tamborim Zim feito aquele bonito corte de cabelo do perfil, onde terá sido, hum hum?". Bom, com a bonomia e a compreensão infinita que me caracterizam, daqui vos digo que o magnífico corte de cabelo do perfil, mimoso atrevido e alegre e viçoso, foi da minha autoria. Sim, sim, exactamente, fui eu que cortei o meu próprio cabelo, completamente sozinha, e vindo o dito de um comprimento bemmm grande.
Como sabemos, entretanto, a pilosidade não tem detença, e portanto cresce numa expansão, por vezes, a admoestar. Entendi assim que era chegada nova altura de dar uns simpáticos cortes às melenas, mantendo o penteado, a franjinha, etc., enfim, o estilo todo especial que pode ser apreciado no mencionado perfil. Se bem o pensei melhor o fiz, e lá as mãozinhas manhosinhas se me entretiveram, hoje pela manhã, a dar conta dos caracóis nascentes, em manobras ascendentes, descendentes, oblíquas, pretensamente horizontais, em escadeado, bom...O certo é que hoje me notei muito menos inspirada e com muito menos paciência para reencontrar o corte que tanto me agradou, e a conclusão gritava-me ao espelho: máquina, máaaquina, máaaaaaaaquina! Com as guedelhas espetadas, de banda, em suma, em desarranjo apocalíptico, enviei uma mensagem ao meu anjo salvador (entenda-se, a minha maravilhosa Mana), com SOS. Deveria a boa da Mana trazer para casa uma máquina de cortar o cabelo, pente 2 como mínimo. Para Vosso esclarecimento, antes que as rídulas vos marquem as atenciosas testas e frontes, há vários anos tive uma época de pentes 2 e 3, cortando e recortando sucessivamente (mas apenas em cabeleireiros), e gostei imensamente. Tenho tido saudades, mas hoje, ah hoje...à saudade juntou-se a necessidade.
Ok. Perfeição de Mana, máquina nas minha mãos, e vá de proceder à ceifa. Ainda lhe dei umas boas arrochadas, mas a débil bateria caiu em inanição profunda e a maquineta cessou, exaurida, os seus trabalhos. Liguei a máquina à corrente mas, oh sim, a dita debatia-se, estrebuchava e desmaiava de fraqueza. Ligo à senhora da loja em que a dilecta Mana comprou a máquina e pergunto, cheia de cabelos por todo o meu ser e indumentária, se era normal a máquina não dar de si ligada à electricidade, por caridade. Que era normal, que deixasse por umas 400 horas (exagerozinho). Eu que o diacho é que já começara a cortar, e que já pensava levar um lencinho na cabeça para o trabalho, amanhã. Rimos as duas, eu e a senhora. Claro, pimenta no cucurucucu paloma do outro é refresco, ó lá se é!
Pois que mais posso adiantar-vos? Tenho passado este excelso Domingo a caminhar para a máquina, pegando-lhe com uma delicadeza subserviente, e vou cortando até a bateria ter fôlego; interrompendo-se o exercício, lá deixo a bichinha a carregar e volto ao fait divers do dia, que já incluiu responder a e-mails, mexer uma papa de amêndoa para colaborar marginalmente no secretíssimo preparo culinário que a Mana anda a teorizar e executar com iniciático frenesi, navegar na blogosfera onde bloggers de cabelinho bem cortado digitam as suas coisas ao contrário de mim, que pareço ter saído de um hospício de segurança máxima enquanto vos escrevo estas mal traçadas linhas.
Ah, ia-me esquecendo (lei de Murphy, lei de Murphy, lei de Murphy): numa das vezes em que procurara aferir da pujança da baby máquina, esqueci-me que não tinha encaixado o pente 2 e então...E então, minhas delícias, do lado esquerdo do crânio ainda tenho duas rodelas semi-máquina zero para não ter a mania que sou sofisticada. i47db cvkkvjptc+'njd
E aqui estou eu, pendente dos caprichos da sensível bateriazinha. Depois vos conto mais. Se sobreviver a esta provação em vários actos.
sábado, 29 de outubro de 2011
Pequenos confrontos de pequeninos titãs
Grrrr ommmg quê?
A honra de um; o sapo do outro. A ofensa e nenhuma face diante. O engano de um, a glória macilenta de um outro. Medo? A vaidade de um; a vaidade do outro; o pobre enfado dos dois de existir em esforço, máscara e impaciência. Um olho que revira, uma bochecha que arde. A clareza de um; a expectativa do outro. A urgência de nada dos dois. Medo? A arrogância de outro, a astúcia fria de um. O tempo a decorrer, os silêncios que ritmam e acertam tudo na invisibilidade precisa dos seus ponteiros. Medo? Nenhum, ou talvez muito. Viver é adestrarmo-nos no confronto e procurar que vingue o melhor: a verdade e o carácter são. Certamente que é difícil, mas sabe à mais pura aveia quando o melhor ocorre.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
E eis que...
Foto de Zim
O mapa do tesouro? O mapa do navio com um bocado do tesouro lá dentro? Uma intriga com meio século em folha delicadamente amarelecida? Passos para o futuro? Solas do passado? Mensagens cifradas no pó?
Era bom era...O que há debaixo da porta é uma publicidade repetitivazinha sobre coisas certamente fenomenais mas que não me despertam o mínimo interesse: como ter mais 89067 canais e Internet e creme anti-olheiras num só pacote que insistentemente procuram atirar-nos para cima.
Qualquer dia, se não nos pomos a pau, empacotam-nos e vendem-nos com os insípidos canaletos de mais do mesmo.
Arredem.
Às vezes as coisas caprichosas deste mundo capitalista são tão cansativas!
O fogo branco da Lua
Foto de Zim
(...)
Ó Rosa do tempo,
Abre-te para mim
Floresce para mim
Desfolha sobre mim
Sê tu a coroa da minha sepultura,
Abscôndita e sempiterna ternura
Da solidão
(...)
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Ingredientes primorosos da existência
Caetano Veloso, Gente
Fabulosos, luminosos, estrepitosos e maravilhosos leitores, espero que perdoem esta mini-ausência mas, ainda assim, ausência. Não me esqueço de Vós um só minuto, acontece que ando numa fase especialmente bafejada de entusiasmo, motivação e contentamento profissional. Pois é, mantenho-me na casa-mãe mas mudei de Departamento. Da sala só minha passei para o andar de cima e a partilhar o espaço com meia dúzia de pessoas. Conheci várias outras. Trabalho de raiz: conceitos, estruturas, contexto, objectivos, tarefas distintas. À escala europeia, transnacional, internacional. Caso para dizer que estou a gostar muito.
No meio deste gosto ressurge também o prazer de descobrir as pessoas. Não a sua inteireza, a plena concavidade dos espíritos, os seus devaneios mais puros e mais íntimos; pequenas partes, grãos de areia que, no entanto, adquirem a expressividade graciosa das revelações importantes. Dou por mim a admirar a serenidade ou a doçura dos sorrisos, a bonomia da forma de darem boas-vindas, a lufa-lufa da vida animada da sala, com gente a entrar e a sair. Delicio-me com a troca de ideias, com os ensimanentos que vou recebendo, diverte-me a intuição de traços de carácter, vaidade, auto-exame dos interlocutores, amacia-me a tolerância e a preocupação elegante e simpática de outros. Preocupa-me genuinamente o olhar cansado, a ansiedade, a incerteza de alguns. Saboreio a troca de ideias e de visões de gente de origens nacionais muito diferentes, numa sala de reuniões com pastéis de Belém (que eu óbvia e felizmente não como porque sou vegetariana a evoluir para vegan) à espera para um coffee-break português. Admiro o brio e o profissionalismo, a atenção e a exigência. Saúdo as impressões leves e cordiais, acho bonita a preocupação das mães. Sinto ternura a dar beijinhos de primeira apresentação, a receber e a ser recebida.
Sinto-me grata por este recomeçar. E, mesmo sabendo que as pessoas conseguem reunir cargas de insuportável neura e manias sem fim (e não excluo a autora da presente posta, mas apenas porque sou elegante), não posso deixar de concluir que é maravilhoso navegarmos para além das nossas ínsulas particulares.
A todas estas pessoas desejo boas navegações em inesquecíveis rotas, que por ora se cruzam com a minha, e por pouco me acho sensata e bom feitio.
domingo, 23 de outubro de 2011
Que será de nós?
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| Na mesma barca |
Na madrugada de sábado, eis que uma incendiária discussão fez com que vizinhos de vários prédios se reunissem à janela. Chamámos a polícia, e o mesmo devem ter feito várias pessoas, uma vez que pelo menos dois carros de polícia acabaram por se encontrar na rua. De um carro sairam incontáveis agentes de autoridade que entraram num edifício próximo. Minutos depois os polícias dos dois carros, um bom magote, já confraternizavam todos, com paródia e boa disposição madrugadeira. Lá aferimos que a acesa "troca de ideias" se reportara a um "arrufo de namorados" com agressões, e que o caso estava a ser tratado pela esquadra do bairro. A este passo, meus caros, é bom notarmos que a moral máxima da história é: denunciar. Qualquer tipo de violência não é um problema dos outros, é nosso também. Por isso não sejam cúmplices e denunciem.
Mas tudo isto para voltar ao início (e não é aí que voltamos sempre?), ou seja: a humanidade anda tresmalhada por demais. Os carros emitem, meras latas comandadas, as guinadas de ódio, desespero, frustração de cada condutor, as discussões são armas de arremesso, toda a gente se sente no direito de gritar, agredir, expor a sua vida, humilhar-se e aos seus, assustar as outras pessoas, atirar-se para o buraco das "causas" exasperadas.
Outros, aparentemente ainda mais alheados do que aqueloutros, falam sozinhos pela rua, apanham tralhas, guinxam impropérios, gritam teorias. Ah, nunca é demais invocar a mesma (sim, essa) sexta-feira: ao Chiado, um senhor com headphones clamava com ares apocalípticos que "ninguém é de ninguém, jovens, ninguem é de ninguém!), e eu não percebi se ouvia o João Pedro Pais, ou se ali erigia com toda a gravidade a sua teoria solipsista do ser.
Quantas loucuras ecoarão nas paredes de cada lar? Que dramas de penúria, de insatisfação, de aperto, não presenciarão tantas casas? Qual a distância entre o desespero e a desistência, e quanto custará que cada pessoa em dificuldades sinta e entenda que a esperança e a capacidade de a regenerarmos não têm valor estimável e que são de todos nós? Que estão cá dentro, por trás das sombras e do negrume e das recordações e do cansaço?
Que será de nós? De nós, a quem nenhuma banca pode salvar, a quem nenhuma entidade nacional ou supranacional pode tirar da falta de forças e da tristeza letárgica que conquista o mundo e pretende toldar as nossas gentes? Quando será que finalmente nos tornaremos sintónicos com o nosso coração, o único recurso capaz de nos Humanizar e de vencer a treva, a confusão, o egoísmo, a violência, a perdição?
Convençam-se: é essa a cura que cada um tem de operar em si mesmo, sendo também de cada um a responsabilidade de ajudar o seu próximo a curar-se.
É esta a Hora. A grande aventura.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
E sei que vou encontrar e gostar muito
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| Mouchette (Robert Bresson). Nadine Nortier (foto). |
Há pessoas, cidades, cheiros, sabores, paisagens com que esbarramos inopinadamente e que, de inesperados, passam a inesquecíveis com a mesma naturalidade com que os encontrámos. Isto inclui os dóceis e fundos labores artísticos. A sensação maravilhosa de dar de caras com umas linhas ao acaso, num livro que nos cai fortuitamente nas mãos, de um autor para nós desconhecido, feita de uma quase imediata emoção de proximidade, até intimidade com o que se lê, é dificilmente exprimível. Claro que o mesmo pode aplicar-se a toda as outras artes. À Sétima, por exemplo.
Quantos filmes, actores, realizadores (os escritores dos filmes, como lhes chamo, não por necessariamente ser seu o argumento, mas porque são os seus olhos e a sua sensibilidade que fazem aquele filme ser precisamente o que é e não outro), não viemos a conhecer com excitação genuína sem andarmos à sua procura? São, para mim, as melhores descobertas, essas que não vieram de uma actualizada e bem-intencionada leitura de uma crítica, de uma enciclopédia ou da assistência a um seminário, mas que vivem no acaso dos nossos passos, de uma curiosidade qualquer, de um olhar inicialmente sem nenhum entusiasmo mas que logo depois, para própria surpresa da íris, ganha um interesse brilhante por aquela pérola que lhe surgiu em frente, sem programas nem promessas de acontecer.
(Eu sei, sou uma inaturável matrona.)
Tudo isto para dizer que ando em demanda da versão legendada em português do filme Amor e Morte, do Robert Bresson, pois passou há uns dias na 2 e fiquei presa às imagens, às sombras, aos sóis deste filme a preto e branco, ao rosto inefável da protagonista. Mouchette, no original. Vi os escassos momentos do final e sei que quero presenciar muitos, muitos mais. Acho que ganhei um novo amigo cinematográfico. São estes pequenos-gigantes grãos de prazer, com desenvolvimentos futuros de experiência estética e de uma nossa coisa, não catalogável sequer, que constituem, a meu ver, a meu ler, a meu digitar, uma das grandes delícias de estar vivo.
Por outro lado, a Alegoria da Primaverve faz hoje um mês. Outro feliz encontro - menos inesperado, mas muito prazenteiro. Muito obrigada a todos os leitores e comentadores (o Jornal O Inimaginável que não nos ouça) pela companhia! Com muitos, sei que será um súbito esbarrar. E que bom seja.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Nada melhor do que rebolar em nuvens
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| Algures aqui |
Rebolar em nuvens. Foi a frase que ontem me veio ao idear ao regressar a casa, pela meia-noite. A vontade era de autenticamente rebolar em nuvens, na maciez, na brancura, num alívio corpóreo, numa ode incorpórea magnífica. Cheio vazio, indizível fofura. O vento de Lord Outono que finalmente dá uns tons da sua graça parecia querer ajudar o meu intento alado. Sim sim, abri os braços e voei uns 5 metros. Muito fácil o voo outonal.
Mas podem indagar porquê. Porquê a lassidão, a nuvem, o voo? É que esta carcaça, magnânimos leitores, sofre de mal que só tem cura com uns dias de sonos tranquilos, acordares singelos, dias simples. Trata-se de um afamado, concupiscente, vitorioso, enOrme cansaço. Orme, orme, orme cansaço. Orrrrme.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Relatório em dó maior de mim
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| - Zim, Zim, estás aí? Zimmmm!... |
Puxa papel, organiza papel, lista, risca da lista, reorganiza lista, atende o telefone, recebe milhão e meio de e-mails, selecciona, responde, lista para ver mais tarde, afinal é urgente, responde, suspira, pesquisa em pastas, verifica processos, inquire, inquire, inquire, preenche check-lists, fotocopia ckeck-lists, esmiúça toda a secretária para certificação minudente de que nada fica escondido ou sem encaminhamento, volta às listas, muitas, multicoloridas listas, agrafa, fura, arquiva, retira, compara, verte esclarecimentos, acede à base, preenche a base, telefona, manda e-mail, manda e-mails, manda triliões de e-mails, sugere, pensa, informa, reporta, investiga, organiza a caixa de e-mails por categorias, imprime tudo, organiza e lista, arquiva, verifica editais, pede para corrigir, valida, invalida, rectifica despesa, comunica a rectificação, pede documentos, verifica mais documentação, duvida, acredita, pergunta, manda à consideração superior e folheia, procura em ficheiros, organiza mais pastas analógicas e pastas digitais, tenta passar pela cela de dossiers que cirscuncrevem os movimentos, inspira, expira, volta atrás, fica mais uma hora a procurar, a riscar da lista, a separar, e para lá de exausta sai.
Eis Tamborim Zim em pleno labor.
domingo, 16 de outubro de 2011
Pessoas estranhas
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| "A Zim tem a mania não tem?" |
As pessoas são tão estranhas. Eu sei que é outro déjà lu, mas lá que são estranhas, são. Quando pensamos que nos vão receber com alguma frieza e distância, ficamos cativados pela simpatia espontânea. Quando julgávamos que nos iriam fazer uma festa de sorrisos, vemos caras fechadas e de caso. E o mais intrigante é que vêm estas recepções de linhas trocadas, ou seja, de quem menos esperaríamos.
Outro detalhe desajustado: quando alguém nos fala de um modo mais próximo e até amistoso quando está a sós connosco, e praticamente não nos dirige a palavra quando não está. Sempre achei muito feio o modo "duas caras". Faz-me pensar que essas pessoas dependem da aprovação dos outros, regendo o seu comportamento pelo que as pessoas que mais gostam/temem/de quem precisam consideram correcto. Popularmente, esta atitude pode também ser descrita pelo sábio "emprenhar pelo ouvidos". Detesto. Ui. Usem contraceptivos mentais, emocionais, conceptuais, antes de tirar ilações sobre o alheio desconhecido, ó massa ignara!
Cada vez gosto mais e prezo mais a inteireza: na minha relação comigo, com os outros, e dos outros para comigo. Espartilhos, seccionamentos, desconfortos e equívocos...não, obrigada.
E há um perfume de liberdade no ar muito cativante quando se vai sabendo o que se quer, sem deixar de querer descobrir muito mais. Não acham?
sábado, 15 de outubro de 2011
Celebremos a vida e a nossa estupidez natural
Expensive Soul
Já me pronunciarei sobre a crise, as austeras medidas, as agruras desta imberbe Cosmolândia.
Hoje é um dia importante em que o mote é, dizem os manifestantes, "People of Europe: Rise Up!". "Outono quente", alguma coisa irá suceder ou está já sucedendo, debaixo da insensível pele das ruas, nas nossas roupas gastas, na nossa sombra-mesmice. De pontos variados, em rotas diversas em busca de uma só. Eu sei que sabeis do que falo.
Entretanto o azul, o tremendo azul deste dia brinda à vida em todas as suas possibilidades.
E, por gostar muito deles, aqui fica esta super-cool-feliz-saborosíssima Celebração, dos Expensive Soul - longa vida!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Do meu sono
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| Achille Théodore Cesbron, Les Fleurs du Sommeil |
Começo seriamente a achar que a minha relação com o sono é meio tântrica. Não é difícil eu ter sono. Talvez haja, até, poucos momentos do dia em que me encontre completamente isenta do espírito cativante de Morfeu (e, já agora, do Morfar). Mas ele ali fica, irrealizável no correr das horas, ignorado, recalcado, quase esquecido. Depois cai o sol, e já noite alta vem com uma força hipnótica para cima das pálpebras, pendura-se-me nas pestanas e balouça, balouça, toldando-me toda no seu véu diáfano.
O problema é que, desde que me conheço, detesto deitar-me cedo. Posso estar a abrir e a fechar os olhos em cada dois segundos (dois é já boa vontade), só faltando mesmo escorrer-me um fio de baba pelo canto da boca, que ainda luto com o invasor. A partir de um certo momento, porém, sei que é uma luta perdida. Posso conquistar-lhe uns momentos mais mas depois...irremediavelmente ficarei, qual múmia ou figurinha de cera, na posição em que estiver, fulminada enfim por este Vesúvio sirigaiteiro do sono.
Sei que sim, que se trata de infantilidade pateta a rejeição do sono às horas devidas, e que se acaba sempre por pagar os riscos de uma vida sem o descanso suficiente.
Agora ocorreu-me que o sono é como o tempo: chega, apodera-se, faz de nós gato-botim. Tudo com muito enleio, claro, à bom bandido.
Mas também nos mima, também nos descansa, transporta-nos poesia fora e quando dorme, ah ah, quando finalmente dorme o sono traz-nos então de volta a estas frenéticas, hórridas e mimosas lides do dia da nossa consciência.
É tântrico, meândrico e imensoooooooooo (bocejinho de Zim).
P.S. - Depois de escrever este post é que vi as novas medidas de austeridade...omgggg. Do que o sono nos livra. Mas também pode ser que tenha sonhado. Confirmarei quando efectivamente acordar.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
O virtu@l é real
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| Foto de Zim: A verdadeira amizade é sempre a subir |
Agora só quero brindar à amizade. À que nasce, de todas as formas e feitios, com a alegre empatia dos boníssimos encontros.
Para os cépticos da Internet em geral e dos conhecimentos via Internet em particular, só tenho a dizer que considero este um meio privilegiado de conversar e conhecer pessoas que difícil ou impossivelmente conheceríamos de outra forma. Com um valente brinde, o maior: pode trazer-nos amigos!
Não há informação, trocas de ideias, simpatias virtuais. Não há risos virtuais, discussões de mundividências virtuais. Consideramos virtual o burburinho noticioso veiculado pela Internet, apenas porque acedemos ao cujo dessa forma? Dilectos, dilectos, aprendam que aqui a Zim não dura sempre: virtual é o meio. Real é tudo o que nos acontece em qualquer lugar onde vivamos, pensemos, sociabilizemos (embora este último vocábulo tenda a irritar-me)...partilhemos experiências, por assim digitar. Gente enganosa on-line? Mas claro. Tanta, provavelmente, aliás, em muito menor quantidade que os Doutorados em mentira off-line mas reaizinhos da Silva no nosso caminho. A mentira não é virtual, a verdade não é virtual.
Dizia o Hegel que o "racional é real e o real é racional". E eu digo que o virtual é real e que o real também...embora possamos viver ao vivo e a cores coisas surreais ou até mais a atirar para o virtual, se o virtual existisse para além do meio que é.
Tchin-tchin!
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