Sim, eu sei. Isto não se faz. Não se deixam os nossos mais-que-tudo, os nossos magnânimos, dilectos, algodónicos leitores sem notícias durante quatro l o n g o s dias. É vil, tremendo, sinistro quasi.
Mas sabem lá...É um tal de tentar começar o não começado, de acabar o inacabado, de adormecer com o computador ao colo e assim passar a noite com o pescoço delicado de Zim todo torto e com a luz acesa...Baf. Como descrever-vos esta penúria de descanso, conforto e tempo, gentis entes, tempo?!... Sabeis que as palavras exigem tempo, carecem de lavra, de lábia, do palato que começa nos lábios e desemboca nas polpazinhas ridentes dos dedos que tamborilam...(TAMBOrilam?...), tamborilam aplicadamente as suas metáforas e decomposições dos veios existenciais em que damos por nós. E por onde andaremos, em que mó, em que nó, com que dó? Ah, ah, vamos rir juntos e espantar o FMI e o mundo!
Certo, poderei encontrar-me um pouco febril, por assim dizer, neste meu post à deriva, mas queria muito, precisava e queria muito dizer-vos que senti a Vossa falta e que aqui estou.
AbraZim.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Desculpa 33
Também é verdade que a semana teve momentos intensos...
Certo, certo, não vos maço mais.
Certo, certo, não vos maço mais.
Pensando bem...
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| Zzzzzzzzimm... |
... talvez ainda possa surpreender-me um pouco-pouquíssimo-íssimo enquanto chega a hora (tardia), para as meninas do Lip Service. Sem muitas garantias, claro.
Depois poderei correr para os meus lençóis polares e dormir outra vez. Que tsé-tsé me terá mordido???
...Assim não vale!
Se uma desconhecida vos disser que tinha três coisinhas para fazer no fim-de-semana e que não fez nenhuma, isto é...
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…
Álvaro de Campos
Retirado deste blog .
E agora é ter paciência para tudo durante a semana.
(Que, pensando bem, é quando se deve cuidar do trabalho.)
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Prémio de consolação vai para... Tamborim Zim
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| Hienazim risonha |
Muito bem: chegado o fim-de-semana com a sua promessa de inércia, permissiva preguiça, tempo distensíííííííííssimo. E todavia? Ah, e todavia três assuntos, todos relacionados com labor e que não quero mesmo deixar saltar para segunda-feira, vão ter de ser resolvidos com cabeça, pena (ou seja, tecla) e paciência durante os próximos dois dias. Pormenorzinho: os três trabalhinhos terão de ser muito bem feitinhos. Ponto de honra.
Consolação? Fazer tudo isso devidamente acondicionada em cobertores quentinhos e a debicar chocolate (preto).
Como não tenho energias para chorar, o melhor é rirrrrrrrrrrrrrr (riso histérico).
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O prazer do labor
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| Doutora Internet tudo explica... |
Examinar as copiosas páginas dos dossiers, deter-me num documento de letra miúda. Imprimir, sequenciar, esquematizar, calendarizar. Telefonar ao parceiro francês; telefonar à parceira francesa; escrever ao húngaro, responder ao estónio, perguntar ao inglês, conversar com o tunisino. Assinar relatórios, mandar para assinatura, carimbar, enviar, acusar, avisar. Congeminar cenários, corrigir tabelas, acrescentar textos explicativos, responder a comentários interrogativos, rever tudo e colocar pacientemente à consideração de todos os parceiros. Responder a questionários, pedir respostas, enviar relatórios, travar conhecimento com diferentes bases de dados e solicitar levantamentos com centenas de resultados. Preparar reuniões, antever reuniões, telefonar outra vez ao parceiro francês. Trocar ideias, ler pontos de situação de coisas de que nunca ouvi falar, redefinir tarefas. Ler textos, editar textos, pedir inserções de editais na base, atender telefonemas sobre editais, regulamentos, regras, dúvidas, inquietações e inventivas. Esquematizar uma apresentação e pesquisar o significado de conceitos, siglas, programas. Estudar programas-quadro, observar boas intenções, diferenciar interesses, compreender ditames estratégicos. Apresentar ideias, adicionar sugestões. Fazer quadros, ler em linha recta e ler na diagonal. Pensar nas melhores formas de contribuir com actualização, modernização e reflexão crítica. Idear acções conjuntas futuras, pensar nas temáticas preferenciais a abordar. Participar na criação e aplicação de políticas de ciência e tecnologia. Repensar, aprender, perguntar, responder, defender, rever, remeter, acrescentar. Aprender, aprender, aprender. E ademais, aprender.
Trabalhar também pode ser um prazer.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Hum...
...no espaço de dois posts, duas louras.
Mensagem subconsciente: Zim quer pintar os cabelos de um centímetro de loiro platinado?
Mensagem subconsciente: Zim quer pintar os cabelos de um centímetro de loiro platinado?
Nórdica eu fosse
Amiúde acho que tenho um não sei quê, melhor digitando, um bastante quê de nórdica. Passo a elucidar as Vossas retinazinhas cheias de sageza e bonomia para comigo: tenho uma notória alergia à brincadeirinha parva e insistente, às tomadas de confiança um poucochinho a mais do que a inter-relação que se instaurou permite, a sensação de que somos todos uma carneirada porreira pá, portanto aqui vai disto e não destoes da massa faxavore.
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| Emagrecesteis Zim? Alourasteis? Crescesteis??? |
Amiúde acho que tenho um não sei quê, melhor digitando, um bastante quê de nórdica. Passo a elucidar as Vossas retinazinhas cheias de sageza e bonomia para comigo: tenho uma notória alergia à brincadeirinha parva e insistente, às tomadas de confiança um poucochinho a mais do que a inter-relação que se instaurou permite, a sensação de que somos todos uma carneirada porreira pá, portanto aqui vai disto e não destoes da massa faxavore.
Nórdica: alta e loura na minha frialdade anímica, contra o pior dos provincianismos nacionais, aqueles que emulam caciques e patos bravios. Nórdica nevada: contra o princípio do "tem sido assim até aqui por isso arreia". Alva: contra o princípio de ouro "se tens uma ideia original guarda-a para ti porque ninguém é obrigado a ouvir esquisitices e ainda mais a ter de dar óleo ao miolo para cogitar sobre as ditas".
Contra tudo isso. Iceberguianamente contra.
Percebeis, amadinhos?
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Lip Service
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| Ruta Gedmintas |
Comecei há três semanas a ver a série Lip Service, que encontrei por mero acaso nos meus raros momentos de zapping. Gostei muito. Todas as interpretações são convincentes e há qualquer coisa de muito plausível e profundo em cada personagem, como um cofrezinho a investigar com atenção. A ambiência geral é séria mas a ordem dos acontecimentos, o seu ritmo e a realização são fluídos e envolvem-nos agradavelmente durante todo o episódio. Escusado será dizer que anseio o lançamento em DVD - pelas minhas pesquisas ainda não está disponível, se alguém tiver outras teorias/notícias queira ter a amabilidade de informar com um ar da sua graça, por favor.
A personagem Frankie, interpretada pela lindíssima Ruta Gedmintas (a quem também nunca vira mais gorda), toca-me especialmente. O misto de candura, atrevimento, fragilidade e persistência na perseguição da sua verdadeira história tornam-na uma figura muito cativante. Excelente actriz.
Continuarei a acompanhar com muito interesse, até dividir a casa com as novas amigas - "devedeicamente" falando, naturalmente.
domingo, 4 de dezembro de 2011
As causas da Alegoria - 100º post!
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| - Eu sou o Amor e não tenho género! |
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| - Olá Zim e amigos, estamos juntos! |
Dedicados leitores, chegámos ao centésimo post!
O tempo voa, as palavras são como as cerejas e candeia que vai à frente alumia duas vezes.
Posto isto, queria festejar este número bonito e, sim, já respeitável, já vetusto, da melhor maneira. Soube ontem que o Senado Nigeriano aprovou uma lei que pretende punir com prisão a orientação e a associação LGBT. Ora a homofobia é coisa absolutamente rejeitada aqui na nossa Alegoria da Primaverve, onde defendemos os direitos humanos, fundados na liberdade individual, com razão e paixão.
Assim, pedia-vos que lessem e assinassem a carta dirigida por um activista nigeriano, Ifeanyi Orazulike, ao Presidente Goodluck Jonathan, para apelar ao veto da nefanda lei.
O link é: http://www.allout.org/pt/actions/nigeria .
Quando é que as pessoas vão parar de se inquietar, revoltar, amofinar e desumanizar, consumindo-se e consumindo por causa de quem os outros gostam, como e quando e quanto gostam? Quando contarão apenas a lisura, o respeito e a felicidade?
Tântrico pá!
Celebro com álacre prazer a procrastinação do fim do apetite.
Claro que deste tantra sai tofu!
Claro que deste tantra sai tofu!
sábado, 3 de dezembro de 2011
Uma Aventura em Serralves
Zeca Baleiro - Bienal (Zeca Baleiro/Zé Ramalho)
Este post do jaa, no seu excelente blog O Escafandro (mesmo do camandro!), relembrou-me uma cena que muitas vezes me vem à memória porque sintetiza de forma perfeita, fílmica mesmo, se fosse o caso, a nossa relação com algumas vertentes da arte contemporânea. Senão, vejam só...
Há uns bons anos costumava ir ao meu amado Porto várias vezes. Tenho uma paixão assolapada pela cidade e, se muitas vezes passeei por ela completamente sozinha, noutras ocasiões cedi com muito gosto ao convite de amigos e usufruí da sua companhia em alegre deambulação. A história que a seguir vos conto já tem, por isso, centenas e centenas de dias em cima. O meu querido amigo M. levou-me a conhecer a lindíssima Casa de Chá da Boa Nova, em Matosinhos, um primor do Siza Vieira - as linhas, o encaixe na paisagem, as vistas para os rochedos e para o mar, um êxtase. Entre vários acepipes, mimou-me o meu amigo com o primeiro vinho que eu gostei mesmo na minha vida até então, um soberano Quinta da Bacalhôa que ele, bom conhecedor, quis escolher para o nosso animado almoço. A benfazeja cadência báquica, a degustação da conversa, sempre uma peça de arte a deste meu amigo, o charme da Casa e o insinuante mar lá fora tornaram aquele momento uma delícia inesquecível, e lá saí coradinha e feliz daquele recanto. Passeio para lá passeio para cá, deixou-me o M. em Serralves antes de seguir para o seu trabalho. Foi, portanto, num contexto já de certo júbilo que entrei portas adentro daquela minha dilecta galeria.
Percorria as salas mas não me encontrava particularmente entusiasmada por nada do que via. Na procura por alguma coisa realmente fora de série, dei por mim numa grande sala vazia, por onde maquinalmente me vejo a andar com desconfiada precaução. Um vazio claríssimo enchia tudo, até que descortino, no chão, um copo com água. Não me lembro se olhei para o tecto para aferir de que lado vinha a ameaçadora humidade, mas creio que não (trata-se de mera hipótese para vos impressionar). Passei de fininho ao lado do objecto como se não me sentisse constrangida, e esperando que o funcionário da galeria que por ali estava considerasse o meu andar e a minha postura naturais. Os pacatos passos sala fora conduziram-me perto de uma parede na qual se apoiavam um vidro ou dois, não me recordo com exactidão, e nessa altura devo ter-me convenvido de que a referida sala estava em manutenção, ou que uma exposição ali se montava. Avanço e, quando já na sala seguinte perscrutava por mais novidades, ouço um barulho de vidros a cair da sala de onde viera. Burburinho, vozes, e alguém a exclamar divertidamente: "Olhe, já me aconteceu há bocado!" A reboque do Bacalhôa e da situação, e na sequência da minha indecisa caminhada, começo a juntar as peças e eis-me com uma incontrolável vontade de rir. Não resisto a passar pela mesma sala para sair. Quando o fazia, faceira e provavelmente já mais veloz, veio ter comigo o senhor funcionário. A sua face transparecia uma gravidade aplicada e uma atenção detida mas gentil. Acercou-de de mim, apontou para um espaço em baixo entre nós, e disse-me serenamente: "Reparei que lhe passou esta obra de arte." Eu, cheia de riso, zonza do vinho (ou vice-versa), fiquei por momentos suspensa do olhar hipnótico do homem. Pronta para tudo, embora, olhei para baixo: um quadrado de vidro repousava, quedo e mudo, sobre o chão. Ergui os olhos e encontrei a atenção do meu zeloso guia: "Olhe", respondi, bem-humorada, "devem ter-me passado muitas mais! Sabe eu até gosto de um certo minimalismo, mas isto para mim é um bocadinho demais...". O senhor encolheu elegantemente os ombros, em compreensiva mas compenetrada expressão, e lá me disse os nomes de uns certamente inexpugnáveis artistas, que imediatamente esqueci. Agradeci e saí, com gargalhadas a implodirem por mim adentro, e eu apressadamente a dirigir-me à saída, a rir sem detença. Deveras! O copo de água, os vidros pelo chão, encostados, as pessoas aos pontapés às "obras de arte", tudo aquilo na selecta sala de exposição da metafísica última da contemporaneidade. Que "ingnorância" a nossa, Céus!
E eu ria, ria, ria muito. E abençoo esta história, aquele momento, o M. que me tornou uma exigente apreciadora de vinho, e todas as irrefreáveis risadas que já dei ao recordar e a recontar a minha aventura em Serralves.
Para ilustrar este mimo, só me ocorre uma canção: Bienal. O vídeo que vos deixo tem a letra integral e saibam meus doces, saibam que o concerto do Zeca Baleiro a que assisti e em que ele cantou esta música foi o mais divertido de sempre, fiquei às lágrimas! Não percam - e cuidado, nunca se sabe que masterpiece podem pisar, estilhaçar ou perder se a subtil e artística antena não vos acompanhar. Quem avisa...
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Voto veloz, lenta ausência
Cazuza
Quase por acaso deixar-vos-ia esta canção do Cazuza no dia mundial contra a SIDA, flagelo que nos levou o nosso menino poeta e fazedor de músicas tão esmagadoras quanto inesquecíveis. Quase, porque já estamos no dia 2 de Dezembro. Esta realidade que toda a vida me espantou e continua a espantar, a do tempo com o fogo na cauda, bem poderia ser "ilustra-cantada" por outra música deste compositor do meu coração (O Tempo não Pára).
Mas o feriado acabou. (Só por enquanto, que o dia 8 também aí virá célere e lazeiro.) Por essa razão, opto por convocar para a Alegoria este rasgão energético e provocador, como Cazuza sempre foi. Um provocador genial. E percebo que as frases curtas não querem apenas dizer: sono; também: saudade.
Vamos então pela noite no melhor dos embalos, para que o dia nasça feliz.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Dúvida Impertinente
Hoje ao almoço discutíamos entre amigas a seguinte questãozinha: uma pena se a maioria das pessoas não se aperceber que o Orçamento de Estado é aprovado por causa da abstenção do PS, uma vez que o voto contra do principal partido da "oposição" (mas qual oposição caraças?) inviabilizaria o dito cujo. As minhas amigas defendiam que o facto passará ao largo da consciência popular. A que vos fala, sempre num misto entre a ingenuidade e a negação do real, que não senhor, que naturalmente as pessoas estarão conscientes do facto de o Orçamento de Estado ter sido aprovado com a abstenção - ABSTENÇÃO, repito - , do PS. Tenho razão, não tenho?
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