terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Janeiro fora aumenta uma hora

- É só mais uma toneladaaaa!...

E agora que parece que ainda é cedo para se concluir das casas (e seja do que for?...), há que dizer adeus a Janeiro, sempre comprido e com o seu quê de cansativo.

Da minha parte, descrevo-o em duas palavrinhas apenas: barra pesada.

É reconvocar as forças, continuar e, como dizem os brasílicos manos, não deixar "a peteca cair".

Saravá.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Campónia eu seja

Talvez dê para dividir com 20...

Preparo-me para ampliar ainda mais a risinha sardónica que se me anda a pespegar neste início de ano enquanto assisto aos Prós e Contras de hoje, sobre o arrendamento.

Cá para mim, a conclusão deve andar por qualquer coisa como: comprar é impossível e arrendar só por €500,00 para 10m2 na Buraca, tudo sob a exposição assertiva de Cristas e a paciência martirizada de Fátima.

Partilhariam o charmant casarão supra? Mandem dizer meu povo.

Ouro

Gil Scott-Heron - I'll take care of you (Brook Benton)





À procura do sol  (Fotos de Zim)

Às vezes acontece-me andar pelo bairro à procura do sol. Lembro-me que nos meus tempos de escola tinha a pancada ocasional de procurar com a excitação dos iniciados o destino das ruas. Onde vai dar aquela rua? Toda uma imensidão, todo um desvelamento. Hoje sorrio e, ainda mais, naquilo que me sinto intacta.

Mas isto para dizer que a demanda do sol traz sempre, como aliás qualquer demanda, outras descobertas e outros devaneios. Penso que há momentos, momentos de que me lembro, e que talvez não sejam raros mas serão, sem dúvida, preciosos, em que me sinto mais perto de Lisboa, desta cidade que teimo em dizer que não amo - por ser verdade. Será, contudo, uma empatia que se emana do sol e segreda na sombra das suas pedras caladas, sobretudo quando há algum silêncio e a urbe pisca o olho a um bucolismo imaginado quando, por exemplo num Domingo, se ouvem melhor os pássaros e as copas das árvores parecem cintilar num ouro eufórico e agigantado na ausência de gentes. Então imagino que talvez nos tornemos empáticas, eu e a cidade, por aqui nos condenarmos nesta mútua contemplativa presença: ela presa ao Tejo, onde mal se espelha, eu adiada nas suas margens.

Depois a voz do centro da Terra ou dos mistérios ingentes dos buracos negros do Espaço do Gil Scott-Heron, a dizer que ficará tudo bem. Interessei-me pela sua música maravilhosa poucos dias antes de falecer. Continuo fascinada e comovida pela  fantástica vitalidade que brota dela, dele. Confiram a faixa e deixem-se arder.

Como viajaríamos se não fosse a arte, e para onde?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tempus fugit e "urgit"


Ar, água, terra e tempo com calor-fogo: Stromboli
(Foto de Zim)


Caetano Veloso - Oração ao Tempo

A respiração distende-se mais à sexta-feira com a promessa de dois dias, vamos chamar-lhes assim, transúteis.

Percebe-se, às sextas, que muito precisamos de tempo a que chamar nosso, como entendemos a nossa necessidade de sol e mar mal pomos um pé na areia.

É a Natureza, estimados. A nossa Natureza.

Um fim-de-semana pleno de tempo e ventura, extremosos e intangíveis leitores!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O jardim

Um doce inventário de entidades em flor

O jardim da nossa humanidade: onde semeado tudo dá. Amigos, amores, gostos, desgostos que dão frutos às vezes saborosos outras nem tanto, pistas, sentimentos, apegos, afetos e lembranças vivas. Luzeiros, inspirações, enfim. Até cautelas e sentidos proibidos, mas isso mais na parte menos ajardinada e mais fabril da tal nossa humanidade.

Entre a beleza ordenada dos jardins e a atração selvagem da floresta, não hesitaria em escolher a segunda. Mas, neste caso, o jardim remete para assuntos bem arrumados, bem resolvidos no nosso decurso existencial. Outrora podem ter sido selva, embora. Agora estão arrumados mas vívidos, com cores e olores.

Esta metáfora já me ajudou, e ajuda. E se alguém perde alguém, seja qual for a forma, gosto de pensar que poderá, quem sabe, ajudar alguma coisa (mesmo que muito, muito poucochinho) se pensar que quem amamos fica para sempre, na indelével beleza das flores do espírito, no jardim da nossa humanidade. Dentro.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Exagero

Com o devido respeito por vários dos signatários da petição, esta ideia de exigir a demissão do Presidente da República por ter dito que feitas as contas ele também tem de estar com o olho aberto com as despesas (ok, as palavras foram outras mas o que importa é que o espírito é este), parece-me realmente um exagero.

Temos de estar alerta para o que realmente vale a pena, e cair no folclore não vale a pena - a meu singelo ver.

De uma implosão transmuscular

Desconsol - Josep Llimona

Eu sei, eu sei o que vão dizer e sei que será tudo verdade, ou pelo menos a maior parte: há quem esteja realmente mal, infinitamente pior, doente, com a família doente, sem família, sem trabalho, sem casa, etc., etc.. É vero, é incontestavelmente vero, e nem eu me atreveria a argumentar o contrário. Mas não vamos esquecer, gentis companheiros silentes destas minhas linhas também sem fio de voz, não vamos esquecer que cada um tem os seus males, se debate com os espinhos e os calhaus do caminho, e que, sem sombra de dúvida, este mundo pesa a todos.

Em alguns momentos, toda a Antiguidade, a Anterioridade, todo o Ser me pesa. Circunstanciadamente, percebemos as multímodas imperfeições do que nos rodeia, pior: as perversões do que nos rodeando, nos aprisiona também. Do que nos supõe, do que nos cerceia. O mundo e o seu sistema nauseabundo insistem em ver-nos como fotocópias seriadas uns dos outros, como previsíveis programas de comportamentos que alimentam os seus perniciosos engenhos. Não tentem ser o grão de areia na maquinaria, ou serão esmagados, não procurem ser ouvidos, ou tentarão reduzir-vos à mudez. Não saiam do rebanho, porque os lobos maus não têm patas nem dentes a medir. E esgaçam mesmo, minhas delícias.

Que importa a palavra de honra, que importam luxos supérfluos com nomes sonantes como "honestidade"? Comer-se-á isso com quê, interrogam-se os canibais. Os canibais da nossa motivação, da nossa individualidade, da nossa pequena esperança, da nossa dignidade, dos nossos corações. Que importam a nossa tristeza, a nossa amargura, as nossas dores no peito, perante a impassibilidade frígida da retilínea estultícia do mundo, da sua congelada cegueira desprovida de bengala, de cão-guia, de tato, da maciez do toque? Qual é o valor de uma verdade quando uma mentira se digere melhor?

Penso no Munch, penso no Antonioni e nos seus gritos, penso no meu querido Ginsberg e nas suas dores na cabeça e sei que, como ele dizia, "comemos sanduíches de realidade". Sinto que agonizamos sem beleza, sem beijo e sem embarque. A dor e o abandono irmanam mas rasgam também, rasgam e separam irreversivelmente. Dar murros em pontas de facas não é realmente uma experiência formosa que nos assista. Coitadinhas das facas, que nefandas as nossas mãos, aos olhos míopes do mundo.

Precisamos de lírios nesta depressão planetária. De unguentos, de setecentos sóis. Precisamos de uma cama do tamanho da lua. E mesmo assim, não sei se nem assim.

Às vezes nem todos os braços da noite são suficientes para nos embalar e reconceber na sua vertigionosa placenta, na sua imaginosa ciência de olvido e  fecundação.

Segundas-feiras sem carne : uma ideia deliciosa


- Zim e amigos, não se esqueçam de nós! Temos dores, alegrias, medo, e queremos muito viver. Obrigado!*

Queridos leitores,

Sempre na proa das boas causas, a Alegoria da Primaverve lança aqui o repto para se informarem e aderirem, caso decidam dar uma oportunidade a esta grande ideia, ao movimento das segundas-feiras sem carne (inclui peixe, claro). Esta causa é global, está a ser abraçada em mais de 20 países e seria mesmo muito bom que Portugal também a adotasse com entusiasmo e carinho.

O site:

http://www.2semcarne.com/index.php/movimento/82-slideshow-album/103-segundas-feiras-sem-comer-carne

A garantia que vos dou é que para além de ser uma ideia recheada de respeito por todos os animais sencientes, que morrem e vivem miseravelmente para que os comamos, é também...deliciosa! Espreitem o site, investiguem as receitas e deem uma chance a uma verdadeira mudança na Vossa semana e, quem sabe, na Vossa vida.

Para mim, já sabem, é mesmo "0" carne, todos os dias.

Bom dia vegetariano e...muito boa semana!

Se puderem digam-me como correu!

* "Pense ocasionalmente no sofrimento daqueles cuja visão se poupa a si mesmo." (Tradução minha da frase de Albert Schweitzer.)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Cogitações imperfeitas

Mark Rothko

Numa manhã em que caminhava (como sempre) apressadamente para o labor, ocorreu-me com igual velocidade à mente que talvez a impiedade seja característica, até certo ponto, da perfeição, uma vez que pode impor-se necessariamente.

Claro que existe necessidade na perfeição. Por outro lado, esta também deveria atuar no estratosférico plano do indeterminado.

Não posso ser contra a pena de morte em alguns casos. Pelo valor inestimável, dignidade e caráter único de cada existência.

Uma das modelos mais bonitas do mundo...selon moi

Linda Evangelista

E porque hoje é Domingo... a beleza requintada e intemporal da bela Linda. Olhos e narinas simplesmente magnificentes.

Sejamos estetas e seremos ricos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Salvação na barrinha

Pssssst,

Leitor prezado tanto quanto distraído. Tire o seu casaco. Vista o roupão velho e a sua disponibilidade anciã. Recoste a inquietude e brinde com a  lúcia-lima à lufada magnífica do novo poema da barrinha lateral. Quintana.

Respire, respire, funda-se em paz. Salve o seu fundamento e sinta-se luzir.

Sorria leitor, está a ser intuído por mim, espio-o do fundo da chávena.

Interlúdio peripatético

- Também vou ziguezaguear para o bairro da Zim!...

Hoje apeteceu-me dar umas boas passadas pelo meu querido bairro. A noite estava quase a cair mas aquela luz bonita do entrementes proporcionou-me um belo passeio, e tenho ideia que quando nos fazemos à caminhada sem outros objetivos que não o de andar e apreciar o que vemos, nos esvaziamos um pouco das preocupações e nos enchemos de paz e de acaso.

Uma das figuras clássicas deste bairro é um senhor ciclista que circula, inexaurível, com o rádio atracado ao seu veículo. E lá vai ele e o som sempre muito alto, perante a total convivência pacífica de todos nós face ao seu barulho, mas diga-se que é já com bonomia que o vejo e ouço.

E hoje, para não variar, lá ia o senhor ciclista de serviço, com as suas roupas estranhas e o seu ar compenetrado, com uma bandeira repleta de gravíssimo pundonor na retaguarda (creio que, cof...do Ben...fica), e um clássico da MPB a tocar romanticamente no doce declínio da tarde.

Sorri muito, rindo por dentro. As singelezas engraçadas de existir não podem, forçosamente não podem parar de nos espantar e de nos irrigar o humor.

O senhor da foto não é um fofo?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Um selo memorável e perguntas lamparínicas para abrir

Obrigada Lamparina!

Olhem, não querem lá ver que a Alegoria da Primaverve recebeu, para grande honra e alegria da sua autora, uma bonita e primeira distinção? É verdade, a minha querida Menina Lamparina ofereceu-me o gentilíssimo selo "Kreativ Blogger", o que me deixa toda vaidosa. Muito obrigada Lamparina!

Agora o diacho é que há para cima de um cento de perguntas a responder e a repassar, e estou mesmo a pensar fazer batota...Mas para já, é claro que vou responder com todo o gosto, ou não fosse eu uma digníssima leoa faladora.

Partida, largada...

1 - Nome da minha música favorita.
Curiosamente, ainda há poucos dias fiz um apanhado alargado de muitas das minhas preferências e proveniências geográficas dos meus gostos; vou achar graça ao comparar os mesmos daqui a uns anos. É-me impossível escolher apenas uma canção, mas direi a verdade se incluir Eu Sou Neguinha?, do Caetano Veloso, entre as prediletas.

2 - Nome da minha sobremesa preferida.
Bolo de chocolate e gelado de baunilha e quiçá morango...(tudo vegan).

3 - O que me tira do sério.
A mentira, a deslealdade, a falta de civismo, a deselegância, o chico-espertismo...toda uma imensidão.

4 - Quando estou chateada
Pode ser que amue, pode acontecer ficar triste. Ou ter um boa ideia para me "deschatear" (mais raro, muito mais raro).

5 - Qual o meu animal de estimação favorito?
Todos deveriam ser de estimação: cães, passarinhos, cavalos, leopardozinhos...

6 - Preto ou Branco?
Depende. Simbolicamente, o branco. Gosto muito da combinação preto e branco.


7 - Maior Medo
A morte dos meus.

8 - Atitude quotidiana
Tentar melhorar, tentar fruir, tenhar não soçobrar. Ver para além, assumir a demanda, se bem que a adie amiúde.


9 - O que é perfeito
Deus, caso exista. Ou a Sua ideia.

10 - Culpa
De perder demasiado tempo, de não melhorar tanto quanto deveria, ou poderia, de eventualmente não exercer o amor tão bem quanto poderia, ou deveria, ou o quanto me mereceriam.


Sete factos aleatórios sobre mim

1 - Uma das minhas fobias maiores é ouvir marcadores a riscar o papel. Só de pensar nisso fico indisposta. Por favor não usem isso contra mim!

2 - Gosto de defender os fracos e oprimidos e às vezes indisponho-me com alguns armados em "tubarões".

3 - Não sei andar de bicicleta...desequilibrei-me e nunca mais quis saber. (Onde está o bonequinho que cora?)

4 - Noutro dia vi um filme duas vezes seguidas. Mesmo. E uma terceira vez no mesmo fim-de-semana. Neurótica-obsessiva ou apaixonada?

5 - Hoje em dia já não concebo a possibilidade (a não ser em caso de catástrofe), de comer animais ou derivados de animais. Isso faz-me feliz.

6 - Posso ter a tendência para achar-me dona da justiça.

7 - Sou um belo crominho, e confesso que me acho encantadora. (Já disse que sou leãooo??)


Regras:

Agradecer muito à dadora do selo, responder às perguntas e assobiar para o ladex. Ihihihihihihihihihihih Será que a Lamparina me vai ralhar? Beijinho enorme para ela!