Duro é saber que, amiúde, a alegria se persegue tão seriamente.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Cavaco Silva - II
E agora detratores, qual vai ser a culpa do nosso Presidente ao ter decidido bem ?
domingo, 22 de novembro de 2015
Cavaco Silva
É só para dizer que eu gosto muito do Cavaco Silva, nosso eterno Presidente da República. Leram bem e, não, não é ironia.
Discordo de várias posições que tomou, pontuando o voto contra a libertação de Mandela por recear violência militar sobre os portugueses a residir na África do Sul. Algumas declarações foram infelizes -sim.
Mas explico sucintamente por que é que sou admiradora do Cavaco sem ser PSD (nem PS, já agora, nem filiada em partido algum), nem de direita nem do centro nem da esquerda, mas de cima:
- Gosto dele porque não me esqueço, tinha eu uns 15 anos, da sagacidade e da paixão que representou, numa entrevista, quanto à nossa entrada na então CEE;
- Gosto dele porque para mim é o símbolo da reflexão, da coerência interna (concorde-se ou não com os fundamentos da mesma), da discrição e da força de um Grande Estadista.
- Gosto dele porque sei que preza veementemente a estabilidade da Nação, fazendo o que pode, e em condições extraordinariamente difíceis (vejam-se os últimos executivos), para que se mantenha.
- Gosto dele porque o considero meu Presidente.
- Gosto dele porque tem um espírito poético e porque se emociona com o sorriso das vacas.
- Gosto dele porque responde a todos os tipos de carisma de que Max Weber se poderia lembrar.
- Gosto dele porque sei que, sejam quais forem as decisões que tomar, e ainda que não lhe agradem, e muito menos a mim e à torcida do Flamengo, o fará com detido cuidado e aturada reflexão e preocupação.
- Gosto dele porque o considero o melhor Presidente da República e Primeiro Ministro que Portugal jamais teve.
- Gosto dele, somando-se às razões, porque a subjetividade emocional e afetiva que nos faz gostar de alguém não se esgota, felizmente, em argumentos lógicos.
É por todo o exposto e, essencialmente, pela ideia firme de que, como canta a minha amada Lauryn Hill, o respeito é o mesmo o mínimo, que acho de excruciante mau gosto o chorrilho de ofensas que navegam histericamente na net e dos media, até... políticos que se deveriam dar ao respeito. Que tal oposição civilizada ao PR, camaradas? A sério que não sabem fazer melhor?
Podiam começar a pensar em alternativas para as próximas presidenciais que não nos fizessem rir muito e desbragadamente.
Salve Aníbal Cavaco Silva.
Discordo de várias posições que tomou, pontuando o voto contra a libertação de Mandela por recear violência militar sobre os portugueses a residir na África do Sul. Algumas declarações foram infelizes -sim.
Mas explico sucintamente por que é que sou admiradora do Cavaco sem ser PSD (nem PS, já agora, nem filiada em partido algum), nem de direita nem do centro nem da esquerda, mas de cima:
- Gosto dele porque não me esqueço, tinha eu uns 15 anos, da sagacidade e da paixão que representou, numa entrevista, quanto à nossa entrada na então CEE;
- Gosto dele porque para mim é o símbolo da reflexão, da coerência interna (concorde-se ou não com os fundamentos da mesma), da discrição e da força de um Grande Estadista.
- Gosto dele porque sei que preza veementemente a estabilidade da Nação, fazendo o que pode, e em condições extraordinariamente difíceis (vejam-se os últimos executivos), para que se mantenha.
- Gosto dele porque o considero meu Presidente.
- Gosto dele porque tem um espírito poético e porque se emociona com o sorriso das vacas.
- Gosto dele porque responde a todos os tipos de carisma de que Max Weber se poderia lembrar.
- Gosto dele porque sei que, sejam quais forem as decisões que tomar, e ainda que não lhe agradem, e muito menos a mim e à torcida do Flamengo, o fará com detido cuidado e aturada reflexão e preocupação.
- Gosto dele porque o considero o melhor Presidente da República e Primeiro Ministro que Portugal jamais teve.
- Gosto dele, somando-se às razões, porque a subjetividade emocional e afetiva que nos faz gostar de alguém não se esgota, felizmente, em argumentos lógicos.
É por todo o exposto e, essencialmente, pela ideia firme de que, como canta a minha amada Lauryn Hill, o respeito é o mesmo o mínimo, que acho de excruciante mau gosto o chorrilho de ofensas que navegam histericamente na net e dos media, até... políticos que se deveriam dar ao respeito. Que tal oposição civilizada ao PR, camaradas? A sério que não sabem fazer melhor?
Podiam começar a pensar em alternativas para as próximas presidenciais que não nos fizessem rir muito e desbragadamente.
Salve Aníbal Cavaco Silva.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Credencial
Hoje andava na rua ao fim da tarde
Naquela hora
Que podia ser aquela Hora
Em que tudo é ainda possível
Na vida
E pensei que amo
O silêncio sepulcral
A escuridão de corredores compridos
A insonorização do desconforto
O meu roupão Outambo-Inverno é silencioso
Aquele princípio de noite debaixo da ponte
Foi também silêncio, no início e no fim
Como será o silêncio dos que se perdem da vida,
Dos humildes que já não conseguem mais,
Que não conseguem tentar conseguir?
Deve ser muito comovente, como um silêncio de órfãos
De pombas abandonados, de gatinhos afogados no rio de Couros
Somos tão incrivelmente pequenos
Tão inexoravelmente crianças
Amo o silêncio
Sepulcral
Se for uma, turva embora,
Mas clarividente
Antevisão da minha morte
Menos mal
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Para não dizerem que só descarrego fúria e fel, camaradas
Ando vociferante e a pedir ataques no FB, ia deixar esta linda song para (re)temperar, quando me desparo com o seu clip, very charming indeed.
O talento de Leo Fressato não tem delongas.
domingo, 15 de novembro de 2015
Amada
Pensei não pôr nada aqui sobre esta tragédia parisiense, que é humana e, por isso, universal. Como as outras todas, bem sei. O problema é que não conhecemos todos os lugares do mundo, infelizmente, nem os amamos por igual.
Muito pouco a dizer, tudo a fazer. Esmague-se bélica e impiedosamente o pretenso EI, já. Ah. só breve nota: estes canalhas não são muçulmanos, se tiverem alguma religião é o satanismo. Não se é o que se diz ser.
Cidade amada de luz, as tuas gentes e o mundo não tomado pelas trevas querem viver.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Declaração de amores
![]() |
| Cícero e Silva |
![]() |
| Phill Veras |
Já sabem que amo o Brasil como se fosse o meu outro país, é a Nação com a qual mais tenho afinidade com Portugal, e sabem ainda mais que, para mim, a Música Popular Brasileira é uma das coisas mais belas e importantes: artisticamente, esteticamente, espiritualmente, existencialmente, adoidadamente.
Posto o introito com advérbio de modo inexistente, cabe elucidar que, dentre as novas gerações musicais brasileiras, há três meninos que destaco pelo seu infinito talento, pela sua perturbadora criatividade, por serem um orgulho para qualquer cultor da beleza e do que inunda de uma forma inominável (amor?). Esperem só um pouco mais.
Não me subscrevendo reacionária, sou das que defendem com absoluta certeza ser impossível ultrapassar génios como Tom Jobim, Caetano, Djavan, Gilbertos, Chico, Caymmis, Milton, etc.. Mas a música flui, e no Brasil há a arte de beber o passado, brincar com o presente e dar-nos sínteses perfeitas onde a indefetível elegância pisca rasgadamente o olho à provocação. São outras genialidades de diferentes génios.
Não me alongo (mais). São estes três príncipes compositores e cantores, por ordem etária, o arquiteto fenomenal de ambiências azuis melancólicas como fadas, com laivos de eternidade, Cícero de seu nome, 29 anos, natural do Rio de Janeiro; o marítimo sonar solar com batidas de dilatações cardíacas transplanetárias, Silva, 27 anos, do Espírito Santo; o mago do momento êxtase e embrilunado de poesia do encantamento, Phill Veras, 23 anos, do Maranhão.
Podem e devem pesquisar os discos inteiros dos três, mas deixo uma song de cada um.
Eles nunca saberão a imensa companhia que já me fizeram, por vezes em momentos a raiar o desespero. Nunca suspeitarão do prazer que me deram, e dão, nem do sopro de vida que trazem. Gratidão é pouco, amados.
Saravá, fabulosos.
Silva canta Capuba
Cícero canta Frevo Por Acaso
Phill Veras canta Vício
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Sírius
| Sírius, amigo amado |
As palavras fraquejam sempre quando mais seriam precisas. Como as ações, tantas vezes. Talvez demasiadas vezes contrastemos a importância de palavra e ação. Mas esta mensagem não é sobre isso, pelo menos na sua essência.
Hoje tenho a certeza que recebi uma das piores notícias da minha vida. Deixou-nos o Sírius, o cão amigo, amado, fiel companheiro do meu irmão e da minha cunhada, e também nosso amigo, amado e companheiro, nós que somos também, ou éramos, a sua família. O Sírius já tinha Leishmaniose canina quando foi adotado, e disseram aos seus futuros companheiros que tanto poderia viver por mais um mês, ou um ano, indeterminadamente. Viveu cinco. Cinco anos felizes com espaço, amigos, família, mudança de casa para o esplendoroso Gerês, onde foi mimado e cercado de atenções por fãs de todo o mundo.
Ele bem mereceu o que teve nesse período da sua vida, porque deu muito mais. O Sírius foi o cão que mais gostei na vida, e era um dos três animais que eu mais gostava, com a minha Paloma e a sobrinha Sombra, duas gatas marotas e que me desmancham de paixão. Como o Sírius, exatamente, fazia. Haviam-me contado da sua personalidade única, de uma afabilidade e disciplina perfeitas, de um sacrifício altruísta e comovente para agradar, em detrimento do seu próprio conforto. Dos seus abraços com a sua carinha encostada a nós, da força desse afeto físico que abundava nos olhos e em cada milímetro do seu ser, da alegria com que nos presenteava no encontro.
Quando o conheci, há cerca de dois anos e cinco meses (parece que foi toda a vida, como tudo é tão estranho!), confirmei e ampliei tudo isso na minha relação com ele. No dia em que o conheci, deitei-me logo com ele no chão, e desde aí somaram-se os mil abraços e beijinhos, foi amor e paixão ao primeiríssimo olhar, porque ele tinha a bondade, o talento, o carisma e a natural disposição de um Príncipe para se fazer amar e admirar. Nunca um animal mais gentil, mais paciente, mais gracioso, mais incansavelmente defensor dos mais fracos, fossem animais ou humanos. O Sírius estava sempre junto a quem pudesse precisar da sua presença imperial e dócil, do seu porte impressionante e da sua passada leve e fiel, do seu olhar a derramar oceanos de ternura e de mensagens indizíveis e maravilhosas.
És a mais brilhante das estrelas, Sírius, como a que leva o teu nome. Eu sei bem que, se pudesses, arrastarias este mundo e o outro para ressuscitar e voltar para os nossos braços, para a tua casa, para os teus passeios e para pedires guloseimas a este mundo e o outro também, para nos protegeres de tudo. Sei que moverias montanhas com a tua força e com o teu poder, com a tua serena graça, com a tua lealdade sem defeito.
Gostava de te ter podido dar o meu abraço nas tuas piores horas, Sírius. Gostava de te dar eternidades aqui. Amaria ter passado mais tempo contigo, e só posso agradecer-te, meu amor, toda a tua perfeição e a tua grandeza. Quisera um dia ser recordada com um mínimo do que tu serás, sempre, por nós. Amo-te muito, e para sempre.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Reprovação
Reprovada
Chega-se a conclusões
Todos têm teorias
Familiares, genéricas, transgénicas, psiquiátricas,
psicológicas, podológicas, fodológicas
O Diabo
Tudo para, ao fim e ao cabo
Sempre da tormenta, jamais da boa esperança
A verdade bater com as mil raivas ressentidas da maré na
rocha em pedaços milenares
Eu não sei ser
Não sei ser
Simplesmente
Dificilmente
Não sei ser
Foi coisa que nunca
aprendi, como às matemáticas
Inculpe, é burrice
Por isso sofro
Por isso como
Por isso não corro
Portanto morro
Mais depressa que o minuto, que o romper da chuva
Que o piscar do olho da Sombra
Esta mescla, esta incerta
Merda
Nunca teve, nem terá
Qualquer manual
Mesmo os teus olhos, que passaram
Não o eram
Nem os abraços se interpretavam
Não há guia
Para ao cegos do coração
E do juízo
Que me importa o que seja,
O que voe
Sondar o que se deseja
Analisar circuitos equivocados de uma vida?
A dor é uma via láctea de mágoa
E a alegria, uma ilha
Eu não
Sei ser
E mais, amigos
Queridos
Não posso escrever
Nem fazer
Porque tudo o que eu posso
Porque tudo o que eu sei
É não saber
Ser
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Da delicadeza tão essencial na política
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| A falar é que a gente se entende, Pá(f)! |
Eh pá mas não se entendem o quê pá! É à biqueirada tomar a AR, é coordenar, é legiferar, é sacar apoio aos compadres "euroeufóricos" como diz o meu querido colega J. !
É tirar o páf e o puf, dar puxão ao tapete, que a onda é de guinada. É guinar, qual não sei quê das eleições, e do voto do povo. O povo também não escolheu o PP, nem o PP para vice-primeiro (que fantástica figura de estilo!), e aguentou.
É desarredar e ir para a frente e ouvir o Varoufakis, que bem fala mas, como simplesmente tem garbo e inteligência e não amocha, lá saiu das negociações e de um governo que tanto dele precisaria.
Yanis, se quiseres, aqui em Guimarães, etc.... O berço da Nação e tal...
Para os leitores que não saberão, estou a viver em Guimarães desde maio.
domingo, 4 de outubro de 2015
Pafffffffffffffffffffffffffff - Bafffffffffffffffffff
![]() |
| SOS |
Caro Povinho,
Alegra-me saber que a Vossa vida vai de vento em popa, e que a estabilidade vos apraz. A sério, é reconfortante saber que há vidas felizes e a quem o atual estado de saque não molesta.
Compreenderão, porém, que para muitos Portugueses, onde me incluo, que estão a ser roubados e desrespeitados diariamente, e com a soberania nacional empenhada à Banca, este dia seja de esfrangalhar os nervos.
Considero tornar-me mais uma Portuguesa pelo Mundo, já que esta preferência pela desgraça me desarranja.
Obviamente, vomito.
Alegoria regressa...no Dia Mundial dos Animais - e as entrevistas que tais
Mais um dia Mundial do Animal, 4 de Outubro de 2015!...
…e mais entrevistas do imaginário que espelham fielmente o
mundo real. Ora vejam!
Resolvi sair outra vez pela rua e inquirir as pessoas sobre
os animais: direitos, ser, consciência, etc.. As extraordinárias perguntas e
mirabolantes respostas, mescladas de pinceladas um pouco bolorentas de “senso
comum” seguem abaixo para vosso deleite, para vossa esquizofrenia e, quem sabe,
para um repensar. Em inglês…think again.
O tecnicista
Tamborim Zim – Bom dia, pode responder-me a uma simples
pergunta como esta: acredita na consciência animal?
O tecnicista – Quê, hum… Ah, consciência animal. Ná, não. O
pensamento é exclusivo da raça humana.
TZ – B-bom, o pensamento tal como somos capazes de o…pensar.
Mas referia-me à consciência, sabe que um Manifesto da comunidade científica,
assinado em Cambridge, 2012, por neurocientistas, neurofisiologistas, etc.,
concluiu que os animais têm consciência e a expressam, em muitos casos de forma
muito semelhante à dos humanos?
O tecnicista – Não vi esse programa, mas o ser humano é que
é racional, é isso que nos distingue dos animais.
TZ – Hum… E que me diz ao consumo massivo dos animais para
servirem de alimentação?
O tecnicista – Ora nem pode ser de outro modo, se não onde é
que a gente os punha? É que o planeta já tem gente e bichos que cheguem. Aliás,
se não os comêssemos, muitos deles já nem existiam.
TZ – Sucede então, digamos, um pequeno favor dos humanos aos
animais, ao comê-los?
O tecnicista – Ai pode crer, pode crer. Veja as pradarias,
veja a terra e mais terra que serve para pastorícia. Não fôramos nós, nem
existiam.
TZ – Mas não julga que é a produção intencional e
massificadora de animais para comer que resulta nessa sobreexploração de terra,
e na existência de um número não natural mas exatamente fabricado dos animais?
O tecnicista – Pois, mas tem de ser, é a cadeia alimentar.
De outra forma nem existiam, assim sempre vão pastando.
O toureiro
TZ – Salut, bom dia, vinha tirar-lhe um minutinho para lhe perguntar
o que acha sobre os direitos dos animais.
O toureiro – Ai, por Deus, por Deus, vocês são muito chatos
com isso pá.
TZ – Ora, mas como assim?
O toureiro – Acho muito bem que lutem pelos direitos dos
animais, pá, eu próprio tive uma cadelinha que era um mimo, Lizinha, por 15 anos! 15 anos, veja bem,
nunca lhe faltou nada e ia ao veterinário e tudo! Mas agora contra o toiro!
Contra o toiro eu não admito! Baf!
TZ – É preciso apaziguar, é preciso apaziguar um pedaço. Não
somos contra o touro, mas pró-touro. É por isso que somos contra as touradas!
Tourada é coisa que se faz com touro, correto, não é sinónimo do boi.
O toureiro – Olhe minha senhora, eu não estou aqui para ser
ofendido. Haja respeito! Do boi?! Vocês dos animais são mesmo muito ignorantes
e duros de entendimento, para além de republicanos. Não é boi, é toiro! E saiba, minha senhora, que se o
toiro existe o deve a nós, aos aficionados, aos apaixonados pelo toiro, que é
força de caráter, nobreza e galhardia! Vocês nunca compreenderão os meândricos
corredores da mente do toiro, do seu olhar, da sua ancestralidade!
TZ – Mas
compreendemos perfeitamente aquela parte do touro que sangra, em chaga, quando
é espetado pelas vossas bandarilhas lúdicas mas que rasgam. E os seus olhos
choram, isso também é percetível sob mirada atenta. Além disso, vocês bem sabem
que os maus tratos da tourada não se esgotam na arena: antes, durante e depois.
Drogas, anestesias, horas e horas em dores e febre antes de morrerem! Não lhe
parece indigno tal tratamento?
O toureiro – Minha senhora, informe-se! Vá à Torre do Tombo
pesquisar os vetustos incunábulos do saber, onde está sacramentado que o toiro
é adulado, em êxtase, antes, durante e depois! É todo um ritual magistral de
sacrifício e de demonstração de coragem que escapa às vossas simplórias vistas.
Defendam mas é o gatinho e o periquito e deixem o toiro a quem o trabalha…cof,
a quem o merece!
TZ – Porém, poderíamos atrever-nos a contrariar que coragem
seria estarem a sós com o touro, com iguais instrumentos. E ainda assim não seria
coragem mas apenas puro ataque, não lhe parece? Quem provoca quem, afinal? E na
arena tudo o que não se vislumbra é igualdade de forças…
O toureiro – Ah pois não se vislumbra porque há é muita desigualdade,
o toiro é uma besta de força, rebenta com tudo se não for devidamente tenteado, toureado,
dominado, o toiro é um mundo!
TZ – B-bem…muito viçoso não há de estar com o tratamento a
que é sujeito antes, durante e depois… Mas diga-me, em relação à questão do
direito, ou da ética mesmo. Não compliquemos, do direito, vá: acha que temos o
direito de nos divertir com o sofrimento animal em praça pública – ou privada?
O toureiro – Mas minha senhora, qual sofrimento?! É que
vocês agarram-se a esses mitos urbanos e não despegam! O toiro gosta, o toiro
ADORA aqueles momentos solenes, em que invoca toda a força dos seus
antepassados para fazer o que sabe fazer: estraçalhar o seu oponente, se o
deixarem. O toiro ama a toirada, ponham isso na cabeça, por Deus!
TZ – Mas o touro não quer atacar, ele é exposto a um hórrido
jogo de provocação visual e física para que ataque, e de forma lúdica, para
gáudio da assistência e dos intervenientes humanos.
O toureiro – Oh, céus, o que tenho de ouvir. Gáudio, minha
senhora?! Que Deus lhe perdoe. Sabe quantos toureiros já perderam a vida
durante a sua missão, ou ficaram incapacitados? De missão, de sacrifício se
trata, é espinhoso, mas é tudo minha senhora, é tudo, é o sangue a escorrer, a
rebrilhar, o animal a arfar, a bandarilha a dançarinar, a pega, o aplauso, a
lágrima. Gáudio! Missão, minha senhora, missão!
A desconectada
TZ – Boa tarde! Será que pode dar-me aqui uma resposta
rápida? A pergunta é: os animais têm direitos?
A desconectada – Boa tarde. Sim, já têm, não é? Acho que li
ou vi numa reportagem ou assim…
TZ – Estilo decreto?
A desconectada – Não quero mentir mas parece-me que sim, que
se decretou qualquer coisa, que têm direitos, ou que não são coisas, ou que
também pensam, uma coisa deste género.
TZ – Nesse caso, e como hoje se comemora o dia mundial do
Animal, o que é que acha de continuarmos a utilizá-los como se coisas fossem
para comida, bebida, roupas, sofás, sapatos?...
A desconectada – Ai é o dia, hoje? Desconhecia! Mas usados
para sapatos não, agora não é tudo sintético?
TZ – Não mesmo.
A desconectada – Ah….Olhe não sabia.
TZ – E assim para comida, bebida…
A desconectada – Para isso ainda não se pode dar
alternativa, é preciso muito mais soja.
TZ – Mais soja?
A desconectada – Sim, até não haver mais soja, pelo menos
parece-me que foi o que ouvi num destes meses numa rádio, mas aquilo também não
estava bem sintonizado… temos de comer animais.
TZ – Com direitos, consciência, sofrimento animal e tudo?
A desconectada – Ah mas eles já não sofrem nada pois não?
Pelo menos…
O equilibrado
TZ – Olá boa tarde! Uma questão: sofrimento animal, sim ou
não?
O equilibrado – Ora essa, boa tarde! Eh eh, claro que não,
não é?
TZ – E animais para comer, vestir, calçar, beber, brincar,
sacrificar em arenas?
O equilibrado – Eh lá, aqui já temos muitas camadas de
análise, muitas camadinhas… Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
TZ – Mas não resulta tudo em exploração e sofrimento animal?
O equilibrado – Pois mas eu também sofro, e você também…O
sofrimento faz parte. Há coisas e coisas.
TZ – Como por exemplo, pode concretizar?
O equilibrado – Por exemplo, o meu bifinho à cavalo (não
morre o cavalo, hã, eh eh), que coisa mais maravilhosa! Vou deixar de comer
porque morre o animal? Morrem cem mil, morrem cem milhões de animais e de
pessoas! O meu queijinho? Ai, ui, a vaca é destratada, vou deixar o meu queijinho
e o meu requeijãozinho? Minha senhora, é a lei da vida, não há que incorrer em
fanatismos.
TZ – O fanatismo seria, nessa ótica, acabar com toda e
qualquer exploração dos animais?
O equilibrado – Pois claro, isso é coisa do Estado Islâmico,
qualquer dia tenho o cachaço em ripas por comer o meu queijinho…Cá isso não, que
não alinho em extremismo.
TZ – Mas não consideraria extremismo, desde logo, o ato e o
pensamento de matar um ser vivo que sente, como nós, dor, prazer, medo,
segurança ou insegurança, afeto, stress, alegria, para o comer, quando não
precisamos? Temos alternativas com valor nutritivo mais do que suficiente no
mundo dos vegetais, como sabe…
O equilibrado – Não sei não que isso não está provado…
TZ – Está está… De cidadãos comuns a atletas de alta
competição, a dieta vegan é comprovadamente saudável desde que, naturalmente,
combine os nutrientes necessários.
O equilibrado – Minha senhora, tudo o que é demais faz mal,
é o que lhe digo. Demais é, por definição, demais.
TZ – Veja este cenário: os animais existem, possuem sistema
nervoso central, têm os seus habitats, os seus comportamentos, medos, fadigas,
alegrias, famílias. Nós chegamos e, pumba, matamos para comer. Não concorda que
este é que é um ato desproporcionado, violento, vil, excessivo? Quando para
satisfazer apenas o paladar e o hábito, se mata quem sente como nós? Quando não
precisamos?
O equilibrado – Minha senhora, volto a repetir, tudo com
equilíbrio. E quem sabe se precisa do meu bifinho ou não sou eu, eh eh. Temos de
levar isto também um pouco na paródia…
TZ – Equilíbrio, por exemplo, como dar apenas uma ou duas
estocadas em metade do número de porcos que consumimos, ou dar um tiro entre os
olhos de apenas um quarto das vacas assassinadas todos os dias?
O equilibrado – Não ponha palavras na minha boca, minha
senhora, ora… haja bom senso!...
A consciente
TZ – Boa tarde…Desculpe a fraca voz, estou no final de uma
série de entrevistas, diria que desconcertantes. O que pensa sobre o direito
dos animais?
A consciente – O mesmo que penso sobre o direito dos seres
humanos: existe, tem de ser exercido e preservado.
TZ – Quer com isso dizer que concorda mesmo que os animais
têm direitos?
A consciente – É tema que não se oferece à concordância ou à
discordância. Têm direitos morais integralmente afetos ao seu ser, à sua
senciência, à sua infinita capacidade afetiva, de compreensão e de expressão, à
sua consciência (tão tardiamente demonstrada, esta última, no Manifesto de Cambridge)!
TZ – A senhora está a gozar comigo? Decorou o texto, ou…
Sabe mesmo isso de Cambridge, e defende um tratamento de igual respeito pelos
direitos humanos e animais não humanos?
A consciente – Sim, claro, caso contrário estaria a trair as
capacidades da minha humanidade, que me trazem entre outras coisas a
possibilidade de compreensão fina e detalhada de como funciona o mundo e os
seres vivos, a obrigação ética de não fazer outros seres sencientes como eu
sofrerem, e a obrigação moral de zelar para que sejam salvaguardados da
ganância e da ignorância (forçada) de tantos homens.
TZ – Que encanto poder encontrá-la ao fim deste dia! É
vegan, então?
A consciente – Sou vegan e ativista. Participo em eventos de
sensibilização, contribuo como posso para a causa animal (dentre causas humanas
também), tenho o meu grito e a minha palavra bem presentes e procuro participar
em projetos educativos que desde cedo possam veicular todas estas ideias tão
simples mas tão difíceis de absorver por uma sociedade imbecilizada, dorida e
doente. Ser vegan é mesmo o mínimo.
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Nunca haverá um feliz dia do Animal até haver companheiros
não humanos sujeitos a abandono, escárnio, matança e atividades criminosas como
lutas de galos, touradas e afins. Ter isso presente determina a evolução ou a
marcha à ré da nossa humanidade. Posicione-se, leitor, porque só fecha os olhos
quem quer. E o coração é ainda mais duro de fechar, quando se sabe, pensa e
sente.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Das eleições que era tão bom não fossem da treta
Rápido olá, algodónicos, perdoem as distâncias, ando Além.
Sobre Domingo: vai dar sempre errado enquanto não nos livrarmos dos estorvos do costume. Por que esperamos para dar oportunidades a outros? Ah para isto não ir a pior - já foi. .Ah, seria o fundo do poço a avizinhar-se - grata, já lá estamos. Fogo, olhem para o resto da lista dos eventuais, como diz a minha querida J. , e escolham um nível de decência mais insuspeito. Alguém que, pelo menos se errar, não o tenha feito e refeito antes, até à exaustão. Fogo! Apesar de tudo e de o Prof. Paulo Borges já não integrar o partido, tenho a certeza que com toda a sua razão por questões de Direção, votarei PAN. Pelos princípios e pela importância da sua representação parlamentar.
Não se esqueçam, não vão de dedos e cabeça feitos acriticamente, pavlovianamente - mirem a listinha, por quem são!
A coisa está demasiado preta para discos riscados com repetições estúpidas. Larguem a droga.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Da exaustão
Ando com inexatidões e ausências. Afundo-me em desideias, armo-me em Manoel de Barros. Serôdia, uma parolita só. Muitas parole, tsunamis de palavras que essas, ungidas sejam, nunca faltam. Sofro abstinências de tranquilidade e de vácuos lunares do âmago, de revoluções intestinais e de persistente fastio da aorta.
Sinto que é, finalmente, tarde. Tarde para tolerar, tarde para ser tolerada. Tarde para inverter a inexorável curva do meu declinar existencial. Noite profunda e inacordável para que algum remoto arrepio me tire da bruma.
Para além de qualquer remissão temporal de qualquer possibilidade de extermínio deste monumento catedralício, desta nuvem mais pesada que a Terra, deste monstro domínio de tédio que eu sou.
Tarde para me regenerar do que quer que seja, para me alegrar genuinamente com alguma coisa, para aprender e também tarde para esquecer.
Fosse tarde, tardíssimo, para me aborrecer tão extensamente.
domingo, 10 de maio de 2015
Por dentro
Às vezes há que rebentar um bocado por dentro, e tudo bem. Trata-se daquele rebentamento hemorrágico e que leva vísceras e ossos. Pior que o da onda, sempre limpa e no seu constante rasgar desvirginante, iniciático. Coisas há que nos partem, não sei se ao meio, se em vários continentes que ameaçam formar mundos novos, países irreconhecíveis, fronteiras intransponíveis, tamanha a dispersão de nós.
Por problemas sérios? Não necessariamente. Mas quando coisas entram dentro, deflagradoras na sua bondade e novidade, no seu poder de se fazerem omnipresentes, dentro do lado esquerdo. A utopia maior, ou melhor, o mais fustigador lugar nenhum é a não vontade, a não coincidência. Normal como normalmente cai a água da fonte, sem se importar e sem plano, sem estética adotada, sem mania, sem decisão.
Às vezes rebentar custa realmente, bombistas de nós, e tudo bem.
É esperar pela ajuda civil.
Por problemas sérios? Não necessariamente. Mas quando coisas entram dentro, deflagradoras na sua bondade e novidade, no seu poder de se fazerem omnipresentes, dentro do lado esquerdo. A utopia maior, ou melhor, o mais fustigador lugar nenhum é a não vontade, a não coincidência. Normal como normalmente cai a água da fonte, sem se importar e sem plano, sem estética adotada, sem mania, sem decisão.
Às vezes rebentar custa realmente, bombistas de nós, e tudo bem.
É esperar pela ajuda civil.
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