segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A vergonhosa reportagem da TVI sobre o IRA

Amados, vós que o digais que muito sofreis com o facto, mas como sabeis a Vossa dileta Tamborim tem estado ausente da Alegoria nas últimas Eras. Outras Eras, outras épocas. Mas, no essencial, nada mudou. Continuo apaixonada e, graças à Graça, sensível ao que é bom, verdadeiro, belo e, sobretudo, justo.

E é sobre a mais elementar justiça - leia-se, elementar - que hoje aqui quero falar. É certo também que isso vai a par com a mais baixa, reles e crassa das injustiças - leia-se, por favor, baixa, reles e crassa injustiça.

Já perceberam, de acordo com as palavras que dão título a este meu intrépido (corro o risco de ser, também eu, acusada de terrorismo e oh!, com quanto receio!) libelo, que me refiro à reportagem feita pela TVI sobre o IRA, sob o apanágio de uma série de reportagens coordenadas pela Ana Leal. Esta, contudo, foi da autoria de um tal de André de Carvalho Ramos (vale a pena abrir o link acessível pelo nome, talvez explique algumas nuances do seu perfil) e, meus algodónicos, foi de lascar!!!

Basicamente,  o IRA (Intervenção e Resgate Animal) foi apresentado como uma organização terrorista, de brutos com mocas que atacam tudo o que mexe numa pretensa defesa de animais explorados. Atacantes, violentos, propagandistas e mauzões, assim são descritos, por palavras, imagens e um ilimitado número de insinuações, os elementos desta associação. E é duro, sabem, é muito duro ver que gente boa é atacada sem razão, o mesmo  dizer sem inteligência, o mesmo é dizer sem coração. 

Quem, pela sua página do Facebook, acompanha o modus operandi do IRA e, sobretudo, a sua preocupação e ética subjacente, não hesita por um segundo em não acreditar na imagem e na "factologia" passada pela dita reportagem. O problema é para quem não conhece e vê a apresentação do grupo assim escarranchada num écran, num apanhado mal apanhado (passe-se a rima) de fantasia, parcialidade e, quanto a mim, clara má intenção. A minha opinião é que há nesta reportagem, que de jornalística nada tem, uma clara intenção de prejudicar o IRA e o PAN, numa associação rocambolesca entre estas duas entidades que o procuram o bem e a justiça. E, se já era assim nos tempos de Cristo e muito antes, meus caros, agora continua: quem procura o bem e a justiça é sempre detestado. Sempre, o sistema é gordo, é egocêntrico, reclama omnipresença, impunidade e é impune, o sistema pugna pela manutenção do status quo e rejeita alergicamente a mudança para qualquer situação que favoreça a denúncia do abuso sobre os mais fracos e a punição dos verdadeiros culpados. E é só à luz desse revoltante quadro que se pode conceber a existência da peça em causa.

O IRA foi expressamente acusado por testemunhos e narrativas de perseguição, ameaças à integridade física, rapto, etc.. O que não se mencionou, tristemente, foram as causas evidentes que levaram o IRA a socorrer os cavalos referidos na reportagem: a fome que tinham nos corpos escanzelados, a doença, que pelo menos a um levou à morte porque infelizmente, malgrado todas as tentativas, não conseguiu resistir - já tinha sofrido demasiado antes.

O IRA foi acusado de ofensa verbal e ameaça a uma mulher idosa, quando na verdade a própria associação já tinha esclarecido muito antes, na sua página, que não tinha nada a ver com essa interação.

O IRA foi acusado de entrar pelas casas adentro e de exigir explicações para os maus tratos infligidos por energúmenos aos seus animais. Esqueceram-se de explicar que se tratam de casos de extremo descaso, de pancada, de fome, de doença, de denúncia de vizinhos sem meios de intervir. E o IRA pede para entrar, fala com as pessoas E, logicamente, exige explicações e mudança. Não o quereríamos, cada um de nós, se nos maltratassem dentro das nossas próprias casas?

O IRA foi acusado de falar com as pessoas usando capuzes, o que por diversas vezes mostraram nos vídeos de atuação não ser verdade.

O IRA foi acusado de perseguir e fomentar o ódio, quando o que fomentam é a defesa dos que sofrem e a denúncia ativa dos autores desse sofrimento. Ou acham mesmo que uma cadela grávida enforcada, outra esventrada, animais esfaimados e alguns espancados durante não sei quanto tempo não despertam a indignação, a raiva, o mais elementar sentido de justiça e, sim, a ira? E no entanto, ninguém matou ninguém. O IRA divulga, tenta ajudar, exige explicações, protege, resgata os animais nestas e noutras condições deploráveis, perante a inação generalizada política e civil, individual e coletiva, nossa e de tantos. 

Só é contra o IRA quem não percebe ou não quer perceber o que o Marther Luther King disse sobre o perigo do "silêncio dos bons", e o que alguém disse que o silêncio vai sempre beneficiar a vítima e nunca o infrator. Há algumas pessoas que se recusaram a fechar os olhos, e abriram-nos juntamente com o seu coração, o mesmo com que vão agora montar um autocarro-hospital para socorro animal. Há algumas pessoas que enfrentam falsas acusações e incompreensão por defenderem a justiça, que não recusam dar a cara, que não temem o confronto. E que o fazem também, e várias vezes, em colaboração com as autoridades, conforme têm vindo a documentar na sua página. Há certas pessoas a quem a sua maravilhosa e dura missão não retirou o humor, o mesmo humor que lhes inspirou este vídeo. O mesmo vídeo que norteou a nefanda "reportagem", retirando tudo do contexto brincalhão e irónico dos seus inteligentes autores. Essas pessoas fazem parte de um grupo incrivelmente valoroso, que deveria tornar-se efetivamente reconhecido pela sua utilidade pública, e esse grupo é o IRA.

Como se não bastasse toda esta teia equivocada de relambório, ainda se viu o PAN metido ao barulho, não só por causa de uma alegada ligação da sua assessora jurídica ao IRA (já explicou que presta serviço pro bono a várias organizações, incluindo o IRA), mas chamando à colação o que é apenas o deputado mais produtivo da AR, André Silva do PAN, como se o mesmo pudesse mesmo ser responsável pela ação de um grupo que não integra o PAN, ou como se houvesse algum fundamento para esta associação entre entidades. Já sabemos que muito o PAN pagou e há de continuar a pagar por ser o David entre várias Golias, por trabalhar dentro do sistema sem ceder aos vícios do sistema, sem baixar a cabeça e sem se deixar ludibriar por jogadas partidárias. Isto porque também o PAN fala diretamente a partir da consciência de muitos que defendem aqueles que não têm qualquer voz, nem poder para se se fazer representar de outro modo. Sem lobbies tauromáquicos, das indústrias alimentares, politiqueiros e outros. Um partido de cima, não de esquerda nem de direita.

Da minha parte só tenho a dizer que o IRA tem o meu inteiro apoio e que desejo que mantenha a sua ação positiva a favor dos que sofrem sem uma mão que detenha quem tanto mal lhes faz. Quanto ao PAN, o mesmíssimo. Isto sim, têm em comum. E qual é mesmo o problema?                  

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Guigui das Rodas Altas: Uma Aventura pela Europa

Margarida Mendes da Silva é a Guigui das Rodas Altas


Começo já por dizer que esta aventureira é especial - é a minha irmã Margarida! Pois é, as mais informadas almas e sensíveis aos desvarios viajantes já terão lido ou ouvido, aqui e ali, que uma linda menina de cabelos encaracolados vai percorrer as 50 capitais europeias... de mota, ao longo de dois meses, entre fevereiro e abril. A intentona dá pelo nome de Guigui das Rodas Altas porque em pequenita tinha miríades de sardas (como me lembro bem!), e trancinhas, daí que a associação à Pipi das Meias Altas surgisse num ápice.
 
Quem, como eu, considera uma viagem de mota interessante durante meia hora, tendo em conta a exposição e a posição implicadas, jamais se conseguiria imaginar no meio de tal cenário, mas a minha Guigui é uma demandante além-cósmica (o melhor é não lhe dar muitas ideias...), e não tenho dúvidas de que aguentará a façanha, aliás, que se divertirá intensamente com a dita. Até porque leva a companhia do nosso irmão, Carlos, que filmará os melhores ângulos e será cúmplice ativo da rodagem.
 
O que unirá Lisboa, Roma, Varsóvia, Berlim, Paris, Reiquiavique, Amesterdão, Sófia, Atenas, Ancara, Moscovo e tantas outras? Sem dúvida, a vontade de lá chegar, de as avistar e de aí viver momentos inesquecíveis dentre este puzzle gigante de descobertas. É vê-las de seguida, em desfile, como em sonho, como em vida, cheias de cores e de cheiros, e certamente com algum frio, mas fundamentalmente com a emoção de antever, chegar e vencer a curiosidade e os kms.
 
Eu sei que a Margarida, a Guigui, a mana, transformará esta vivência que nos entusiasma pela diversidade que abrange (e, diga-se bem de passagem, pelo contexto em que se dá), num quadro delicioso de apreciar, depois, num todo, numa integração inesquecível de realidades e recordações, que tenho a certeza lhe trarão mais mil ideias novas e matéria prima para outros planos. E também sei que parte importante desse quadro será servido, fumegante e inspirador, no filme e no livro que sairão depois da viagem. Lembro que a Margarida é autora do estonteante romance Check-In, integralmente passado no aeroporto de Lisboa. Pois, nem na inventiva para quietinha...
 
Que as altas rodas da ventura acompanhem a Guigui e o nosso mano Carlos Europa fora em cada minuto, a começar na partida, no dia 24 de fevereiro, do Padrão dos Descobrimentos. Obviamente, Lisboa.
 
Esta doce "brincadeira" de altos voos, ou melhor, de altas rodas, tem o patrocínio, entre muitos outros, do Ermida Gerês Camping e do DOM CONDOMÍNIO, e foi muito bem abordada na TSF (entrevista a partir do minuto 1:15:30).

Nota-se muito que estou orgulhosa????

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Supernanny - fora do ar, já! (E já vai tarde.)

"Ai que a nossa SIC é tão linda e tão pedagógica, ai, agarrem-nos!!!!"

 
Em parte a culpa é minha por me enervar com estas coisas, mas se isso resulta em regressos pontuais à minha querida Alegoria e aos meus muito queridos leitores (grata por não desistirem!), já não é tudo prejuízo.
 
Quis o acaso que ontem apanhasse, na SIC, o debate sobre o programa Supernanny. Não vi o programa, nem vou ver, porque o que tem sido mencionado sobre o mesmo (de ambos os lados da polémica) e as peças que ontem passaram durante o debate são mais do que suficientes para o considerar abjeto. Aliás, o próprio conceito me parece abjeto. Apresentar, ao vivo e a cores, a intimidade de uma família numa televisão, expor crianças na sua relação com os pais e outros membros da família, filmar discussões, ralhetes, gritarias, lamber as quatro paredes daquelas pessoas até à saciedade é, além de horrendo, doentio. E, ainda para além disso, e no que às crianças toca, um claro abuso da sua imagem, da sua privacidade, da sua relação familiar. Independentemente de os pais quererem ou não participar e de as crianças gostarem ou não gostarem de estar a ser alvo de semelhante devassa.
 
Mas o que, para este ser sensível que eu sou, mais esfaqueou a já tão poucochinha (tem alguma?)  honra do programinha, foi a triste prestação de Conceição Lino, com quem até simpatizava, e de Júlia Pinheiro por quem, nunca tendo considerado nada por aí além, até tinha uma relativa estima televisiva. Conceição Lino francamente pior por ser, teoricamente, a "moderadora". Talvez bom, bom, tivesse sido chamarem alguém de outro canal, porque logo as comadres se apressaram em defesas veementes da querida casa mãe imaculada face às justíssimas e cheias de bom senso apreciações das representantes de associações de apoio à crianças e jovens. Mas como é que sabem que as crianças são prejudicadas, perguntava incessantemente Conceição Lino, com arzinho desafiador para escamotear a vacuidade do seu argumento. Ah, e não acham que ao terem levantado todo este movimento podem ter contribuído para prejudicar mais as famílias?, continuava, inaturável, a dita moderadora. Então mas e nas redes sociais as crianças não são expostas?, lançava, cheia de intelecto, Júlia Pinheiro. A SIC tudo o que quer é ser pedagógica e auxiliar as famílias na sua dificílima luta relacional, argumentava o duo que eu designo, por bondade, de mulherzinhas más, formado por Lino e Pinheiro. Estas insanidades iam desfilando entre sorrisinhos irónicos e olhares carregados, e sinceramente espero que tenham chovido telefonemas para a estação, porque se de pedagogia falamos, então que estejamos pelo menos abertos à sua prática mas, antes disso, à compreensão do que isso significa e às consequências que este tipo de atuação deve acarretar - a meu ver, na Justiça.
 
Do outro lado, percebia-se a honestidade da preocupação com o resguardo de seres menores, e do que foi ali chamado, e muito bem, de "direitos indisponíveis", ou seja, os pais não podem dispor dos filhos, nem da sua imagem e intimidade, como entenderem. Os problemas devem ser resolvidos com ajuda, naturalmente, sempre que os envolvidos disso tenham necessidade, mas não configurar um show televisivo. Mas alguém no seu perfeito juízo acredita que a SIC tenha alguma intenção ou prática pedagógica? Ou alguma outra televisão sem ser a RTP (e mesmo assim, tem dias e momentos e ondas...)??? Pensarão aquelas pessoas que as outras estão todas tão estupidificadas que aceitem a sua argumentação vã, a sua pretensa preocupação com sentimentos, relações, consequências? Não terão elas a definitiva certeza de que nós sabemos que elas sabem que nós sabemos que o que a estação quer é audiências???? Considero-me ultrajada, como espectadora, com os dislates proferidos, com a displicência demonstrada pela programação, pela defesa cega com que dardejaram a sua raivazinha contra as educadas e consistentes oponentes.
 
Supernanny, fora do ar, já! Tenham vergonha, decoro, dignidade, e não brinquem com a nossa nem com a das crianças portuguesas. Já basta!
 
 


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Um 2018 Feliz!


É doce viver no Minho
(foto de Zim)

Ainda venho a tempo de desejar a todos os meus fiéis, algodónicos, levitantes e instigantes leitores um repenicado, mui brindado e delicioso (e, ora, deliciado!) Ano Novo?

Feliz 2018. Mesmo. Novo e muito, muito feliz.

Beijos e abraços tamborínicos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Votem em Cultura, não em Tortura!



Daqui


Olá a todos.
 
Como saberão, o Orçamento Participativo Portugal (OPP), está em marcha.
 
Neste momento, um dos projetos a votos, e com muita adesão infelizmente, é o que pretende elevar a tauromaquia a (veja-se!), património imaterial de Portugal, e arrecadar 200 mil euros públicos.
 
Apelo, assim, ao Vosso voto num outro projeto, este sim muito nobre, e que pode destronar o da tauromaquia dado que os amantes dos animais e dos princípios da justiça e da ética o estão a apoiar massivamente. Trata-se do projeto CULTURA PARA TODOS.
 
Todas as informações sobre o que fazer aqui.
 
Muito obrigada, pf votem e divulguem!
 
Beijos e abraços tamborínicos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Gatinhas para adotar em Guimarães


Flora (esquerda) e Liz (direita)
https://www.facebook.com/As-Gatinhas-Manas-Flora-e-Liz-quem-nos-quer-adotar-separadas-ou-juntas-124871404773161/


Olá a todos os queridos leitores.

Podem pf divulgar esta página, para que a Flora e a Liz tenham um lar, agora que fizeram 8 semanas?

São muito, muito lindas e fofas.

Obrigada e abraços tamborínicos.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ajudem-me a encontrar o Pitangui!

Pitangui
https://www.facebook.com/Pitangui-gatinho-desaparecido-no-incêndio-de-Pedrógão-Grande-1889177737966268/

 
A dramática ferocidade de um incêndio gigante não vitima, como todos sabemos, apenas os seres humanos. Também os animais, que sentem tanto quanto nós, possuem dores, ansiedades, stress, afetos, vontade de viver e de sobreviver, foram amplamente torturados, mortos e perdidos em toda esta terrível desventura.
 
O Pitangui era, ou melhor, quero acreditar que é um gato que, apesar da errância e do abandono em que deve ter vivido, se afeiçoou de forma comovente a mim e aos meus pais. Levámos ao vet, vacinámos, desparasitámos, mimámos... mas dele recebemos carinho e lealdade a quintuplicar.
 
Desapareceu da aldeia do Coelhal, Pedrógão Grande, no sábado, 17 de junho, o primeiro dia do incêndio.
 
Peço encarecidamente que ajudem a divulgar a página que fiz para ele, para que volte para nós.
 
Muito obrigada e um abraço que sei que o Pitangui partilharia.
 


quinta-feira, 22 de junho de 2017

O que nos leva um incêndio

Coelhal, Pedrógão Grande
(Foto de Zim)


64 pessoas mortas. A minoria, ainda assim atroz, em aldeias selvaticamente afligidas pelo monstro de línguas e bafo a esmo. 47 numa estrada, a tentar preservar a vida. O homem que perde a mulher e a filha, tendo seguido em carros distintos para transportar familiares. O rapaz que, desesperado, foge e leva consigo a mãe num automóvel que, minutos depois, os levaria para sempre para um triste e doloroso inexistir. O casal que, com os filhos, passara umas horas felizes na Praia das Rocas, e tantos outros. Os choques, o fumo sem fim, as mortes sentadas, deitadas no alcatrão ardente. Os meus pais e a sua aflição, felizes sobreviventes depois de terem sido rodeados pelo fogo na sua casa, com vidros a partir e a trazer ainda mais a presença de uma morte que lhes pareceu, em alguns momentos, certa. Os meus familiares e amigos aflitos e abraçados, na espera do que fosse. O gato Pitangui, que não sei se alguma vez tornarei a ver, que só caminhava entre os meus pais, que não me abandonava um segundo nos meus passeios pelo campo, que fazia “mucancas”, segundo o meu pai, para ser engraçado para nós. Outros gatos, outros cães, ovelhas, caracóis, passarinhos, serenamente inertes no chão onde se despediram de todas as canções, de toda a alegria da sombra. E outros tantos. As casas, as terras, uma aldeia que eu amava, o sítio mais amado por mim, em cinzas. O sentimento lar, para tantos. Os abraços que nunca mais se repetirão, os vizinhos que ficam sem outros vizinhos, amigos, familiares, lembranças. As lembranças daquela estrada onde também deixei uma hortense. O desespero, a minha agonia, a confusão, a dor sem córregos para continuar de forma a limpar-nos. O retardar a vontade de chorar e gemer tudo, por tudo ser tão cortante. A ferro, a fogo, literalmente. Uma cadelinha que encontrei com Leishmaniose, no lugar do Pitangui, e que pode ser tenha tido sorte.

sexta-feira, 24 de março de 2017

GUIMARÃES GOSTA GOSTA

Guimarães ama-se e ajuda-se!

GUIMARÃES GOSTA GOSTA

 
Juntos é melhor, e fica sempre tudo mais fácil.
 
E se nos apoiássemos mais? Se, juntos, conseguíssemos ter os nossos serviços divulgados ajudando, por nossa vez, o que de melhor determinado meio/região/cidade tem para oferecer?
 
Já vai existindo essa tendência, nomeadamente no Facebook, com grupos de trocas de "likes".
 
Hoje divulgamos o mais recente, GUIMARÃES GOSTA GOSTA, uma troca de "gostos" e "partilhas" de comércio e serviços da belíssima cidade berço.
 
Ajudem a divulgar, partilhando o grupo!
 
Obrigada!

terça-feira, 21 de março de 2017

Wolf, a Sara, o Mago


Divulgação Livros Horizonte


Num mundo em que, cada vez mais, toda a gente pretende, não raro a todo o custo, chamar a atenção sobre si, é refrescante e retemperador da esperança vermos exemplos que não se pautam por uma sede de ofuscantes focos de luz.
 
Não é pelo facto de o John Wolf ser meu amigo que escrevo esta publicação. O John tem brilho natural, que transparece com uma natural elegância e virtude, e um assertivo comedimento, de quem é muito superior à ambição do ego, do reconhecimento e da superficialidade. Nasceu em Madrid mas é norte-americano, é um cidadão do mundo mas saudavelmente plantado em Portugal há algumas décadas. Com uma família presente cosmopolita e resplandecente, e com antepassados tão extraordinários como tias avós balonistas campeãs nos anos 50, filantropos, investigadores, professores, políticos, sobretudo humanistas. Para além disto tudo, o John cometeu a proeza de ter sobrevivido a um desastre aéreo, o que talvez o ajude na sua visão alta e crítica de quanto o rodeia - poderes de almas aladas!
 
Escritor, fotógrafo, tradutor, intérprete... e senhor de muitos outros dons, Wolf vai agora lançar um livro muito especial. Sara e o Mago é uma lindíssima edição da Livros Horizonte, com ilustrações soberbas de Manel Cruz e, claro, texto e conceito de John Wolf. Trata-se de uma viagem, uma demanda que o leitor, criança ou adulto, não esquecerá. São pistas e enleios sobre um certo mago das palavras, que não é senão Saramago, para a descoberta pura mas profunda de quem aceitar o repto.
 
Colocar um talento como a escrita e a inventiva ao serviço de uma homenagem que não encerra passados mas descerra futuros para a mundividência do leitor sobre a de um outro talento imorredouro e já não presente é a súmula desta obra, que é também um projeto. Um brinde à aventura e à descoberta do outro, dentro e fora de nós. Se isto não é franca generosidade e humaníssimo apelo, não sei o que será.
 
Por todas as razões, não deixem de aparecer amanhã, dia 22 de março, pelas 18h30, na Fundação José Saramago (Casa dos Bicos), em Lisboa, para o lançamento deste delicioso desafio.
 
Conheçam o John, a Sara e o Mago. E, por que não, a nossa incessante capacidade de indagação criadora face ao mundo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

DOM CONDOMÍNIO em Guimarães!

O seu condomínio - o nosso Dom.


Amar gerir, ser um intermediário confiável, orquestrar as diferentes e insubstituíveis atividades de vários interlocutores. Zelar pelo grande espaço comum, que é também um grande espaço de individualidades - um Condomínio!
 
Amar uma cidade, Guimarães, amar o Minho. Ficar expectante, mas seguro, de que o serviço irá ao encontro de necessidades, e que responderá positiva e calorosamente.
 
O DOM CONDOMÍNIO, serviço de Administração e Gestão de Condomínios, nasceu na maravilhosa cidade de Guimarães.
 
Para servir, com Dom.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O telefonema

 
 
 
Preciosidade apanhada no FB
 
 
Sabeis, leitorado, como este blog sempre demonstra com superior pertinácia estar por sobre os sucessos e insucessos do nosso pobre mundo.
 
Vimos hoje que Donald Trump (Donald Trunfa tem chiste, não tem, fui eu que inventei noutro dia), que dispensa apresentações, e Enrique Peña Nieto, presidente do México, tiveram uma conversa telefónica depois de este último ter desmarcado a sua visita aos States. Muro l'oblige.
 
Os nossos contactos verdadeiramente polvoronescos fizeram-nos chegar um registo do emérito telefonema, que afirmam a pés e mãos juntos ser verdadeiro. A crer nisso, faz-se história na Alegoria da Primaverve.
 
Sem mais delongas e por que bem intuo que estão que não podem, aqui deixo a transcrição do diálogo. Aqui a democracia é direta, e a calhandrice também. E podem vir processar, quantos são, combien, cuántos, how many? Não damos uma mosca ressabiada pela coisa.
 
Ok, avante.
 
............
 
TRAIIIIING (Triiiiiim em inglês)
 
Donald Trump (DT) - Hey, hi there, Rico? Donald Trump aqui.
 
 
Enrique Peña Nieto (EPN) - Com quien desea hablari? No entendo.
 
DT - Oh oh oh, e eu sou a rena do Santa Claus! Riquito, hablia Donald Trump....Trumpié...entendiendes??? Donal...
 
EPN - Si, si. Señor Presidienti, algo en su tratamiento me hay confundidio. Haça favori di decir.
 
DT - Oh Well Rico...
 
EPN - Cofi cofie...Enrique por favor, presidente de la República Mexicana.
 
DT - Oh well, Enrique, tudo ok...usteds são tan tribais que nos esquecemos que também dominam as fórmulas institucionais, let's say...Bom...
 
EPN - Para empezari no admitio eso tipo de ataques infames a una nación com nuestra historia e passado y dignidad....
 
DT - Certo, certo, os tupi guarani, que divertidos, de tanguinha à beira do Corcovado, I Love Rio, que mulatas, oh! Mas ok Enrique...
 
EPN - Olmecas, Maias, Aztecas, no tupis! Tupis no Brasil! México no es Brasil, México es América Central e si, por supuesto, México es América también, non son solo vosotros los americanios!
 
DT - All right, all right, o complexo do colonizado, temos de ser muito tolerantes. Bom, Enrique, ligo-te porque não deste as caras, a Melania tinha feito uma apple pie e tu nada. Precisamos de falar. De hablar, ok??
 
EPN - Para empezar de nuevo, e hablando en hablar, Señor Presidente Donald Trumpié, puede exlicar porque raio de razón há deletado la pagina en castellano de su website?
 
DT - Mau mau, bad bad... O que vale é que domino o español perfeitamiente para entendir-te. Eu no delete nada do castellano, apague la pagineta en espanholi....espanholi...got it?
 
EPN - Afff....baffff....
 
DT - Hi there, estou, estoy?
 
EPN - Porque has apagado la pagina en espanhol, Trumpié?
 
DT - Caro, dear, estamos nos States. Acreditas mismo que los incazinhos que estan por aqui há decénios não falem mais e melhor Inglês do que Espanholi? Para quê gastar mais tempo e money em edições de texto, em informáticos, em mega e gigabites??? Basta a língua internacional by excellence, english language!! Tina Turner's Language!
 
EPN - No somos Incas señor Presidente! Fuimos olmecas, maias, aztecas! Incas son de Perú, de Perú!!
 
DT - Oh, ok fine, turkey is fine to me! Mas Enrique, temos de falar sobre o que andas a dizer sobre the great wall. Penso que andas com um qualquer Pink Floyd complex e que queres embargar a obra nos media. Enrique, no puede sir.
 
EPN - (Ferviendo) - Donaldo, quien embarga todo nos media es tuy mismo. Nos menaças a toda a huera com la mureta, la mureta, e que la paguen los mexicanos. Pues te assegurio Donaldo, no pagaremos, no passarán.
 
DT - Este no passarán es un poquito mas arribia no es? Enrique, quem é que anda sempre a entrar por tudo quanto é lado nesta santa terra dos states? Quem vem com a mujer, os niños, a tralhia toda, infetar esta Nação? Quien?
 
EPN - Donaldo, no te admito! Tu dices que mi pueblo vos infieta, pues se no han sido tan "infietados" los Estados Unidos no serian la potencia que san. Por lo menos hasta ahora, que tomaste el poder de forma que nadie acredita aun. La mureta es vuestra, la hagan en vuestro territorio, y la paguen com vuestro diñero sin sacrifiquiare a un país honesto mas pobre.
 
DT - Enrique, you spoke to my heart! Oh, dear, frankly! O muro, the wall, já nos vai tirar a vista paisagística a nós, americanos... Si, si, americanos. No interrompas Rico. Quem é que vien con la família e la tralhia toda a rastejar até aqui, a atrapalhar, a encher, todos ilegales, todos??? All of them! Ustedes! Vão ocupar-nos parte deste solo sagrado, sacred soil, com the wall, porque ustedes forçam-nos a the wall, e ainda querem que seja o povo americano (sim, A-M-E-R-I-C-A-N-O) a pagar?? Homessa! Man! You're a bit crazy or what? There is no bread for crazy people here my boy!
 
EPN - Donaldo, estos problemas se resuelvin por via diplomatica, por conversación, formalmente, no con pas y cimiento!
 
DT - Pas y cimiento melhor funcionariam diretamente em cima dos meliantes escaladores, that's for sure, mas foi o modo civilizado que pensámos para diferenciar territórios. É como as cortinas na sala, como a porta de casa, entendes? Mira, you aqui estoy, tu ai estais. Mi casa no es tu casa. Ah, tuviera yo frontieras con la Teresita May, a true lady! Por conversación, dices, mas quem não apareceu foste tu!
 
EPN - Donaldo no pagaremos ni un dolar de tu mureto insano. Ni te atrebas a por una piedra mas adelante em nuestro territorio...
 
DT - Hey, hey, do not menace me! Si no what? Viram para cá os mísseis mexicanos, no? Eh eh eh eh eh eh eh Enrique, hay soluciones para este case. O cimento não está muito caro. Chamem uns índios encorpados e seus clãs, sempre se entretêm sem gym, sabes que o gym é carote para vocês, os índios já são escurinhos, suportam the sun, chamam uns guaranizinhos e em poucas semanas the wall is ready! Se não vos sair da pele vocês não aprendem! Claro que...
 
EPN - Olmecas, aztecas, maias, no guaranis Donaldo...affff... no guaranis....
 
DT - No interromper Enrique, espera, espiera. Há um detalhe mais. Toda a componente de instalação elétrica para a eletrocussão eficiente no muro também vos caberá pagar... That's life my boy! What? Enrique?...Hum???
 
EPN - i3ur3kjfke '23'ncc cx i4krj4kr4rlmxxn
 
DN - Oh, these natives!...
 
Clic. The end.
 
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Foi o que me venderam. Se tiverem outras versões, por favor partilhem. Pelo fino cotejar se alcança a verdade!
 
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Ser

Nesta jornada da vida, muitas serão as várias dimensões, expectativas e perspetivas que temos e que nos são, com maior ou menor subtileza, impostas.
 
Este vídeo, que recomendo, foi feito com entrevistas a mulheres seniores, digamos (gosto bastante do termo!), as quais nos presenteiam com palavras de evocação, desejo e sentido. (Facebook, divulgado por Patrícia Bezerra.)
 
Vivemos num mundo em que o fazer e, já agora, o ter, são sinistros imperadorzinhos sem lei. É a tal linha reta que já mencionara, é a tal força fajuta das circunstâncias avassaladora. Mais do que nunca, porque é agora que eu e os meus queridos leitores algodónicos vivemos, urge exercer e celebrar o ser. O bom ser, perfetível, o que pode melhorar mas que frui, que apetece, que se está nas impantes tintas para as prisões que os outros lhe querem construir à volta da cabeça, dos braços, do coração, do estômago, dos pés, das asas.
 
Sejamos. Sem amos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O nó do mundo

A propósito da morte de Zygmunt Bauman, segundo o que li sociólogo polaco crítico das opções desumanas dos nossos tempos, veio-me à ideia, e mais uma vez, o paradoxo do que temos sistematicamente de atravessar na quotidiana rotina da descivilização.
 
Pensadores que expõem, sem imerecidos dó e piedade, os cancros do sistema como a ganância, o desprezo dos frágeis, sejam frágeis pela sua idade, pela sua capacidade financeira, pela geografia de onde avistam e sentem o mundo, pessoas que esgrimem argumentos competentes e justos, são depois agraciados/elogiados/condecorados pelas peças integrantes do universo que desmascararam. Se gente tão "importante" lhes reconhece valor e razões, não deveria o mundo sofrer de influências menos vis e progredir na ética, na moral, na sofisticação sentimental? Só mais uma contradição...

O mundo ocidental verga-se e rasteja perante países corruptos (todos o são em diferentes escalas mas há-os MUITO, vergonhosamente Corruptos!) como China, Angola, Emirados e tantos outros, em que os direitos humanos mais básicos são esmagados e o ser livre, pensante, o ser que necessita de cuidados, dignidade, espaço, e sobretudo do que é seu por direito, é alarve e superiormente desprezado por quem deveria, em primeiro lugar, honrar e defender o seu povo. Defendemos os propalados valores ocidentais envergando camisolas feitas na China e no Bangladesh, com o suor de inocentes desprezados e sem horas para terminar a sua pobre e triste jorna, mas que dizer das mãos que tecem a Alta Costura? Já leram o Gomorra, do intrépido (e perseguido) Roberto Saviano? Ah pois, leiam e verão que até lojas na Avenida da Boavista são citadas. Meus caros, já dizia Cartola que o Mundo é um Moinho e que "vai reduzir as ilusões a pó". Como não, face a esta galeria infernal de interesses de terceira linha?
 
Trabalha-se uma vida, tenta-se caber, por vezes a que preço, nos cânones de uma sociedade que, se individualmente inquirida, não sabe de nada e tudo coloca em causa (o que pode ser deveras proveitoso), mas que na massa da esperta acefalia reinante se arroga de elevada jurisprudência e preceito. Os jovens, em massa, bestificados por comportamentos grupais alienados, individualmente monstros de fragilidade e, tantas vezes, agonia.
 
Tenta-se seguir uma linha reta na vida, quando a joia de uma qualquer deambulação que valha a pena são os caminhos, os desvios, as descobertas mais inesperadas.
 
Tudo isto para quê? Para continuar a calcar-se a verdade, para continuarmos amorfos em sonhos opiáceos que nos lentificam e cegam e enlouquecem, para engrossarmos as filas dos que procuram químicos para resistirem, para nos tentarmos desesperadamente esquecer que o que mais importa é a demanda da maravilha e nada, nada abaixo disso.
 
Nada, leitor, nada abaixo disso.
 
Ouviu?
 
Nada.

Esse verbo

Olá queridos leitores.
 
Mirem a barrinha lateral, a Jangada Poética Alegórica deste singelo espacinho. Outros ventos, favoráveis, este apelo de Drummond que tão bem casa com o reinício do Sentido que pode emprestar-se a cada ano novo.
 
Conseguiremos a conjugação desse verbo? Consumaremos o seu sumo? Oh, tarefa! Tarefa a tentar na Terra. Como o início? Talvez simples, como o andamento fácil da curva do rio.


Além da Terra, além do Céu,

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.


Carlos Drummond de Andrade