quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Pavilhão auricular

 
- Zzzzzzim?...
 
Brindo ao final deste mês de Outubro com a certeza de que lady Razão é tinhosa mas muito instigante. Às vezes é custoso pensar e repensar um assunto, ver por poliédricos prismas, chover no molhado e ver como ficou. Apesar disso, é um exercício que nos vai testanto e permitindo mais auto-conhecimento, sobretudo quando devemos decidir o melhor possível.
 
Em muitos casos, gosto muito de ouvir as opiniões de pessoas que prezo, de raciocinar com elas, que possam ouvir as minhas dúvidas e os meus temores. Depois de ter esses dados, as impressões, as razões e os sentimentos no ponto devido, os delineamentos do cenário tornam-se mais nítidos e as tensões amenizam-se, porquanto vários olhares já nos ajudaram a retirar a carga mais dramática ou irresolúvel da situação. Claro que só nós podemos fazer a verdadeira síntese e decidir.
 
Não ter auto-complacências e não facilitar o "trabalho" dos outros por antecipação são regras de ouro. Se "nãos" recebermos, ou possibilidades diferentes das que mais gostaríamos, que sejamos grandes o suficientes para não sermos abaixo do que nos propomos ser. E sem abdicar dos... já sabem: princípios.
 
Ai, quanta sensatez!
 
Ah, e foi o mês-record da Alegoria no número de acessos! Obrigada a todos os queridos leitores. Estamos juntos.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dom Diego Maradona

Parabéns El Pibe!


Foi o meu jogador de futebol preferido. Sofri mui horrivelmente na final de 90 contra a Alemanha, em que as Pampas perderam com dramaticidade. Foi também com tristeza que vi os problemas que surgiram e se agravaram na sua vida uns anos depois, e com enorme desolação que acompanhei o seu abandono do futebol enquanto jogador.

O talento tático, técnico (essas coisas para quem percebe de táticas e técnicas do grande jogo, o que não é bem o meu caso), a elegância que destilava pelo relvado fora, o jeito, o incrível jeito, a velocidade, e mais coisas encontravam, no seu protagonista, um homem de excecional graça e carisma, a quem era impossível não encontrar uma graciosidade imensa, mesmo entre os adversários - e como tão mal tantos o trataram!

Esse menino bonito, talentoso, cheio de vitalidade e fogo, faz hoje 52 anos. Nunca me esqueço da data, por isso daqui sai um gigante Parabéns Diego Armando Maradona - El Pibe d'Oro.

domingo, 28 de outubro de 2012

Afinal era uma Tigresa

Tigresa (Caetano Veloso)
 
 
Aqui fica para ela, de um leãozinho como eu.

O grito do Tigre

O espaço
 
Foi naquele momento que percebi a medida e a finalidade das minhas forças másculas e felídeas que, como barras monumentais de ferro finalmente acionadas, esmagaram a delicadeza cansada da minha esperança. Saí dalí dasaustinado mas com o mundo nas garras. O ar e o próprio chão que pisava, na corrida sem encalço, metamorfosearam-se e parecia ter entrado num outro mundo. Podia estar insano mas era dono de mim, o horizonte fora-me devolvido e não haveria morte a deter-me.
 
Enquanto corria bem vi as paisagens lindas que se rasgavam à temerária passagem das minhas patas, dormentes de obrigações e de repetições mecânicas do meu viver. O brilho do rio, a vertigem dos socalcos a dar à água a que me queria inteiramente entregar, eu sou capaz de nadar por litros e metros e litros de sonho. Nessa minha conquista do espaço vinha-me à ideia a noção intermitente de que era na desrazão que estava preso. Em nome de que intenção, sem proveito razoável, sem nada que pagasse esta deliciosa expansão das minhas forças e a beleza bruta do cheiro vital da liberdade. No desentendimento da minha poesia, da minha pulsão, do meu desejo de indivíduo, as criaturas fornecem-me ordens, cedem-me comida e obrigam-me, naquele bafiento recinto, a ouvir e agradecer aplausos. Tratado como um boneco, perco-me dentro da minha abissal natureza e fico cada vez mais fera, cada vez mais ferino, desoladamente bestificado pelos homens. Mas naquele momento a sorte deu-se e nem pensei em decidir aproveitá-la. Não havia simplesmente qualquer hipótese, em qualquer milímetro dos meus tecidos, de não avançar. E avancei, progredi, deixei-me chorar de alívio mas pouco ou nada parei. Pensei remotamente nos meus, brumosamente perpassou-me nos olhos uma dúvida rápida sobre quem encontraria. Mas podia ser eu só, eu só e o mundo. Os meus músculos e a aventura. Era o sentido, era a urgência que me ensinava e conduzia, e o medo maior era o de voltar atrás. Ouvi melodias e a minha respiração era tão forte como uma trovoada. Por segundos sonhei savanas, sobrevoei e deitei-me nas rochas mais duras, tive a benção encarecida de um céu aberto em que jamais reclusão alguma voltaria a ter lugar. E tudo nos recônditos intocados da minha imaginação, ao ritmo tenso dos meus nervos e da dignidade que me possuía.
 
Infelizmente o meu tempo foi curto. Demasiado depressa, dei por mim amordaçado, amortalhado, e de regresso à pena que cumpro sem perceber porquê. Não tenho palavras para explicar o que sinto, até porque desconheço vocábulos. Nos meus olhos ecoará sempre aquele grito, de quando me pensei livre e à procura de mim.

A propósito da triste história do tigre que fugiu de um circo no Peso da Régua, neste momento já a "salvo" no seu cárcere para o entretenimento dos "racionais".

sábado, 27 de outubro de 2012

Apenas por uma razão...

- Salve Zim.


... porque eu mereço!

Causa para agir

Queridos leitores, pedia que dessem uns segundos do vosso tempo para a leitura e assinatura da seguinte petição:
http://www.avaaz.org/po/petition/VAMOS_IMPEDIR_O_SUICIDIO_COLETIVO_DOS_INDIOS_GuaraniKaiowa/?tCMFObb

Que este terrível suicídio coletivo não ocorra, e que os índios sejam tratados como cidadãos e seres humanos!

Obrigada e abraços tamborínicos.

Escutando-os

Vicente Celestino e Gilda Abreu - Ouvindo-te (Vicente Celestino)
 
 
 Se há coisas com as quais vibro, diletos acompanhantes do meu cérebro e cuore em formas escritas, é encontrar no meio de certas pesquisas presentinhos inesperados. Do acaso, do cruzamento de links, da bem-aventurança de navegar.

Em jeito de desafio: escutem a pérola de cima, gravação dos anos cinquenta da autoria do espalhafato de talento que foi Vicente Celestino, e digam-me se é possível não ficar arrebatado. As chamas, as chamas no peito. Impossível não ser tragado pelo encanto! Impossível não irradiar o reluzente poder do prazer!

E uma outra nova amizade blogosferensis

Factos de Treino. De ler, sorrir e gargalhar por mais.

Salve O Arrumadinho e a sua boa ideia de divulgar novos blogs, porque cheguei ao citado através de um comentário na caixinha mágica bitaiteira.

O que já ri esta manhã fez-me partilhar convosco.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

E o que eu amo...

... o anúncio do Memofante? O elefanfinho delicado e pressuroso a ajudar toda a gente a encontrar as coisas e palavras... um primor-delícia.

Go vegan. Taste your ethics.

Notícia de última hora

Finalmente os benfiquistas podem recobrar alento. (Saliento que eu, Tamborim Zim, não sou benfiquista mas sim PORTISTA).
 
Ora bem, e por que razão, excelsa Tambo?, poderão perguntar com ruguinhas mimosas nas vossas testas sapienciais.
 
Bom, porque Luís Filipe Vieira, em direto na SIC, afirmou que "eu sou um homem que não vê a árvore, vê a floresta."
 
Aquilo de facto assemelha-se a um matagal de jogadores, mas certamente ficamos aliviados por esta acutilante visão de conjunto. Holística.
 
Há clubes que nos alegram sempre. Longa vida.

Diálogo não só verosímil mas real

- Ihihihih! Os humanos são engraçadinhos!...

Tamborim Zim (TZ) aplicava-se a ajudar o Sr. Solimão* (SS) num serviço que requisitara na sua casa e, com as devidas adaptações e incertezas da reminiscência, aqui ficam excertos dos diálogos travados.

TZ - Então e viver lá no Zambeze* era engraçado?

SS - Era normal, lá fazíamos o trabalho, e tal...

TZ - E com os locais, interagiam, falavam?

SS - Ah, não! Estávamos sempre juntos lá no trabalho. E aquilo... Se a Dona Tamborim... A Dona Tamborim não, mas se alguém lá for com esse interesse ele vêm carros cheios de prostitutas: bonitas, feias, louras, morenas... Para todos os gostos. Triste.

TZ - Hum, pois, para todos os bolsos.

SS - Pois.

Derivação que não recordo...

SS - E gays e tudo. A gente diz gays pra não dizer paneleiros, claro.

TZ - Ó Sr. Solimão, então.

SS - Ó Dona Tamborim sou contra isso tudo, contra as adoções contra tudo. Então já viu o que é chegar a casa...eu gosto que o meu filho tenha um pai e uma mãe, não é cá a masculina 1 e  masculina 2! Ó Dona Tamborim!... Eu sou homem!

TZ - Então mas é tão homem quanto os gays Sr. Solimão. Ah Sr. Solimão, o Sr. Solimão faz essa cara mas é uma boa pessoa. Imagine se o seu filho escolhesse uma orientação diferente, amá-lo-ia menos?

SS (com cara safada) - Não o amava era nada!

TZ - Ai Sr. Solimão, que mentira!

SS - Não, mas eu até conheço e me dou com essa gente toda, com os gays, com as fufas, mas não aceito Dona Tamborim!

Derivação que não recordo...

SS - Então e a Dona Tamborim ainda não tem filhos?

TZ - Ai não Sr. Solimão, arrede!

SS - Então???

TZ - Não tenho vontade nenhuma de ser mãe. Se vivesse 200 anos, como costumo dizer, tudo bem. Mas assim, já há tantas limitações. Claro que as pessoas que são pais e mães não trocariam isso por nada mas...

SS - Ah, por nada, por nada! Há ex-mulheres, ex tudo, mas ex-filhos não há.

TZ - Tem razão, nunca tinha pensado nisso assim.

Derivação que não recordo...

SS- Mas olhe que os italianos são muito mais boa gente. As francesas... Ui... Bem me avisavam que se um tipo tivesse uma francesa e fosse preso no diz seguinte tinha logo cornos. Era logo! Ui, francesas não!

TZ - Então mas ó Sr. Solimão abandonava a família indo preso, é claro que a família tinha de ser reconstituída ora não é verdade??

Risadinhas

TZ - Tenho aqui mais parafusos se precisar, Sr. Solimão.

SS - Obrigado, pode passar-me a desaparafusadora Dona Tamborim?

TZ - Hum...cof...Ah, é isto.

SS - Pode dar-me li um bocadinho de detergente?

TZ - Sim, vamos usar este que é da Mana. Sabe qual é a diferença, Sr. Solimão, entre este e o meu? É que o da Mana tem ingredientes de origem animal e o meu não! Porque eu não consumo nada de origem animal.

SS (revirando os olhos com cara muito engraçada) - Está bem...

Derivação que não recordo...

TZ - Quer um leite de arroz, Sr. Solimão?

SS (franzindo a testa, abismado) - Leite de arroz?? Ó Dona Tamborim não, obrigado. Ai!...


* Nomes modificados.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Douce France

Mais salut mes délicieux lecteurs, mes amis, des petits amours, des beaux amis dès la douce, blanche France!
 
Então não é que hoje os acessos de páginas do meu blog são em maior número na França? Talvez agora já empatado com Portugal mas...um feito, bien sur.
 
Como Paris é brilhante, as pessoas elegantes e os passos, os passos, curiosos e contemplativos! Um grande salut.
 
(Já perceberam que vibro com as proveniências nacionais dos meus leitores.)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Independência ou torpe

Tenho sempre algumas restrições quando vejo casos em que as pessoas desatam a denunciar inconveniências, injustiças e prejuízos quando se apanham no poder sendo que, anteriormente, tinham a típica atitude low profile em relação ao que iam presenciando.
 
Mudar todos podemos, é certo. Mas a urgência da denúncia do que deve ser exposto, corrigido e evitado não deve depender da nossa própria posição, e é mau sinal quando assim é. (Ok, é quase sempre.)
 
Brinde à coerência entre o que sentimos, pensamos e agimos. Mesmo que não sejamos protegidos, ainda que sejamos destituídos de alguns privilégios, nenhum deles maior do que o prazer de nos sentirmos apaziguados no nosso íntimo.

domingo, 21 de outubro de 2012

A pose

Aristide Maillol, sem título.

Comecei a apaixonar-me pelo Kundera quando, no primeiro livro seu que li, A Imortalidade, o escritor descreve um gesto de uma personagem. Alinhei naquele transe fílmico que nos possui em todas as suas palavras e não saí.
 
Este quadro de Aristide Maillol lembra-me uma querida amiga, ela e uma sua pose por mim fotografada. Coincidências pelas eras, sal do existir.

Manuel António Pina

Não conhecia a poesia de Manuel António Pina. Ainda apenas conheço alguns poemas, por via das publicações que se fizeram pela net após a sua muito recente morte, ou partida. Partida é mais bonito e alivia-nos minimamente do terrível sentido do corte cerce. Ademais, poeta que é poeta está sempre de partida, ainda que vivíssimo.
 
Tudo para dizer que há perfume de rosa na barrinha lateral.

sábado, 20 de outubro de 2012

Saudando

Espaço muito ao Sul
(Foto de Zim - acho)

De repente lembrei-me dos bichos fabulosos, das estradas imensas, da largueza dos espaços e das vistas sul-africanas. Da beleza ajardinada de Pretória. Dos sorrisos da Mana.

Flor desabrochada em voz

Nana Caymmi em Flor da Noite (Celso Fonseca/ Ronaldo Bastos)
 
 
E também na música Gabriela dá cartas, ou melhor, notas. Fica o registo de Flor da Noite, uma pérola de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos que desconhecia, exuberantemente interpretada pela minha cantora preferida, Nana Caymmi.
 
Para pano de fundo da trágica história de amor de Sinhazinha Mendonça e de Osmundo Pimentel. Oh!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Também me cansei de:

Blogs que vetam comentários tão inocentes como dizer que determinada blogger não passa no nosso crivo de estilo, ainda que a autora que o menciona o considere a quinta-essência do deslumbramento.

Chufa nº2

Massa crítica; em inglês, critical mess.

Chufa nº1

Claro que tenho massa crítica. Quem não a tem, com esta crise??

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Garrafal


Há várias coisas que não gosto em mim. Nenhuma se prende, porém, com falta de caráter. Mas, ainda assim, várias. Impõe-se melhorar, hoje e sempre. Aqui ou debaixo da ponte, vale tudo menos debaixo do rio.

Agora... Há uma coisa que amo em mim. Que me apaixona em mim, com o que o amor e as paixões trazem nas suas exigências e consequências. E essa coisa é, quando quero, dizer



BASTA.
 
 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Voando sobre a Alegoria

- Isto é só uma pálida amostra do que a Zim representará. Oh!...
 
Olá diletos, a maravilha sapiencial da tecnologia deixa sempre lugar a uma partidinha cheia de facécia nos nossos diazinhos.
 
À hora em que vossos argutos olhos me lerem, estarei a voar pela noite já escura, rumo à eternidade. Não se assustem; melhor dizendo, à Eterna. Assuntos laboriosos urgentes levam-me a uma das minhas cidades preferidas.
 
Penso é que não disporei de tempo e acessórios para conseguir fazer de Anita Ekberg no meu amado La Dolce Vita e pular para a Fontana!
 
Quem sabe, quem sabe? Entre a Gabriela e a Anita, o vosso coração balança?

domingo, 14 de outubro de 2012

Sou uma fashion victim

Desculpem, meninas de cima. Até estão discretas e chiques perante o que abaixo se descreve.
 
Ai olhem, digo-vos, até estou cansada. O que se segue até pode ser considerado um momentinho má língua, e por que não, perguntaria? Afinal é findo o domingo, amanhã há que laborar e, portanto, haja escape camaradas, haja escape.
 
Enfim, o fenómeno dos fashion bloggers não é novo, todas nos referimos ao cujo ou como mera referência, ou jocosidade, ou brincadeira. Impossível não reparar que vários dos blogs que acompanho (nenhum deles um fashion blog puro, por assim teclar) têm nas suas listas alguns blogs desse tipo. Eu de quando em quando também vejo, exclusivamente por tédio e curiosidade pelo fenómeno em si, e não verdadeiramente na esperança de ver alguma coisa realmente inspiradora. E se há esplêndida razão para nos não iludirmos, é que se evita desse modo tanta fashion desilusão! Embora, porém, a desilusão esteja sempre na moda. Andava hoje numa viagenzinha descontraída por esses territórios de além-arrobas e, acreditem ou não, foi assim que cheguei ao estado em que estou: de exaurida.
 
Então mas anda tudo pitosga, ou daltónico, ou esquizofrénico, ou apenas destrambelhadamente bem-humorado? As meninas arrumam-se, arrimam-se, limam-se e alinham-se em caras e sorrisos gengivais de plena felicidade e brilho incandescente, cobrem-se com tudo o que possuem nos armários, nas gavetas, nos sótãos e nas caves, ostentam as cores mais impossíveis nas unhas (quando não fazem bonecos horrendos nas ditas, ou pormenorzinhos brilhantes e satânicos para embonecar as garras medonhas), arranjam crucifixos (que odeio) em tudo quanto é anel, pulseira, fio, colar e sei lá mais eu, e posam?! Sem recato, sem piedade pela injúria perpetrada às nossas delicadas retinas, às almas mais impressionáveis, sem tato nem tom nem dó?
 
Como se não fosse suficientemente mau todo este cenário, a asfixiante falta de originalidade demonstrada pelas amantes de moda parece ser geral: as mesmas bijuterias horrendas, grandes, plenas de répteis, lantejoulas, plásticos, cores manhosas; a mesma obsessão com grandes, encegueirantes contrastes cromáticos, ainda que cromos e sem qualquer sentido estético reconfortante; o reinado vaidoso de certas sabrininhas caipiras mas cultuadíssimas no meio em apreço; o shortinho que tanto é bom para o verão como para o inverno (claro, então não??), e que por conseguinte é mega vantajoso; os enquadramentos tristes das fotografias; as malinhas datadas e enjoativas; as misturas à toa e estonteantes no pior sentido de padrões, tecidos, estilos, resultando no fatídico: de matar; as pulseiras e as sapatas cheias de pregos e parafusos e bicos horripilantes; o aspeto geral vulgarzinho e pífio. E isto, meus caros, repete-se link após link, descoberta sim, descoberta sim. De todos os blogs que vi deste género houve um único a que reconheci algum interesse e trata-se do Cutting Edge. E  bem sei: esta tendência à massificada imitação não tem fronteiras nacionais.
 
Sim, há pontos positivos na maluqueira geral: a experimentação, o pouco medo da fantasia, a busca de refresco e cor. Pergunto-me, todavia, se tem de ser assim. Se tigradas com rosa choque, se as blusas forçosamente metidas e repuxadas da mesma banda, "à moda", se os cintos todos enrolados da mesma maneira, se esta carneirização do estilo não é, afinal, a antítese da própria essência da moda, que é a demanda de originalidade, o aprumo do particular, a estima do agradável, da inteligência estética.
 
Decerto que cada um tem todo o direito de cultivar o visual que gosta, mas falamos de opinião. E de opinião sobre quem opina acerca de moda, beleza, coolness, etc. e tules.
 
Digo e repito que as mulheres têm muito pouco gosto neste século XXI como já tinham, quanto a mim, desde pelos menos os últimos vinte e cinco anos do século XX. A graça garbosa dos anos vinte e trinta, a elegância dos quarenta e cinquenta, a sensualidade elegante dos sessenta...isso sim, era uma alegria. Agora as tachas, o prego, o verniz cor de demo quando foge? Claro que nós, daminhas, é que nos chocamos. Para os cavalheiros é para o lado que dormem melhor, em princípio são pouco sofisticados nestas coisas (entre muitas outras), e para que hão-de preocupar-se com a meia ou com a casaca, dispersando-se do naco na brasa em si?
 
Ai, ai... As pessoas que cultivam tais aparências podem, naturalmente, ser de uma infinita doçura. Mas, numa palavra, e quanto a estes modismos H & Maníacos:
 
arredeM!

De amigo

 
Cantiga de Amigo* - B Fachada
  
" E se a conversa os põe em perigo ele ri-se muito e gaguejante diz-lhe: é bom ser teu amigo mas igualmente bom ser teu amante."

 
Salve Fachada.
 


Aos novos seguidores

Muito obrigada. Já sabem, o mote é: cada um de "ustedes" é tão importante para Zim como se fossem um milhão.

Abraços tamborínicos.

sábado, 13 de outubro de 2012

Mário de Andrade na jangada

Psssst, pssst, leitor. Distraído, indolente leitor num sábado dentre as eras, espreitai a barrinha lateral na Jangada Poética Alegórica. Mário de Andrade.

Que mil sejais!

Nova amizade blogueira!

Se há virtude que tenha é a de vibrar com a qualidade alheia. Refira-se o facto a beleza, graça, engenho, competência, sagacidade ou talento.
 
Por essa razão, fico sempre muito contente quando descubro, ou vejo com mais atenção, um blog de que goste realmente.
 
Quadro Preto Riscado a Giz proporcionou-me nos últimos momentos essa alegria, e convido a que visitem essa agradabilíssima e tão bem escrita  salinha de estar e conversar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Será impressão minha...

... ou a gala dos seiscentos anos da SIC que decorre na dita está uma coisa tristonha, salobra e pateta, ao pior estilo Malucos do Riso?

Ah... Acabaram de entrar os Homens da Luta. Melhorou, melhorou. Quiriquiriri...

Os estafermos que somos

Brindinho amável a quem nos ama. Malgré tout!


Sim o mundo é chato, sim as pessoas por vezes são impossíveis, certamente que temos em nós as alminhas mais porcelânicas, delicadas e especiais do Universo, mas também não é mentira que:

- às vezes somos precipitados demais nos pensamentos e ações...

- tanto que podemos ser efetivamente injustos, ingratos e irracionais, mesmo sem intenção...

- e juntando a isso podemos descarrilar para um encadeamento rocambolesco de confusões, distorções e desproporções...

- que a muito curto prazo nos deixarão ansiosos e tristes...

- fazendo-nos sentir trastes e complicadões...

- e aborrecer um rosto amigo ...

- e desmerecer um camarada paciente.

Por isso... Olhemos também para o que temos de incerto, incompleto, menos bonito e, portanto, a revolucionar, nuns casos, e a paulatinamente afinar, noutros ainda.

Brinde à clarividência da ausência da presença da prima Auto-Complacência.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Notinha sobre o Facebook

Eu, que nunca fui amiga pessoal de chefias, não deixo de achar curioso e estranho ver pessoas do trabalho "amigas" de diretores no Facebook. Nada contra o cultivo de boas relações cordiais, mas amizade facebookiana? Onde se pode protestar contra este mundo e o outro, engrossar movimentos, divulgar gostos, fotos e estados de espírito? Imagino as minhas chefias a verem o meu quadradinho diariamente, e acho esquisito.

Já em relação a blogs, dependendo da sua feição, não considero tão estapafúrdio. Mas o FB, na minha ótica, é mesmo o quintal da brincadeira e do ativismo (também sério), daí que encare a coisa de outra forma. Mesmo em relação a colegas de trabalho, evito ao máximo circunstâncias que desemboquem em "adições" amigáveis.

Pronto, anotei.

Keep Hysterical - and be a crazy lady

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

Que dia, fabulosos companheiros de arrobas, que dia! Reparem que até o corpo me dói, moído, irritadiço e ressabiado com tanta chatice e agrura.
 
Nunca é demais frisar o estado de desmaiante cansaço em que acordo, durma eu mais ou menos tempo. Seguia-se a toilette. Mas sim. Abro a janela da casa de banho e... adivinhem. Não caí lá abaixo, retumbante e sanguinolenta sobre as traseiras, mas fiquei com A JANELA NAS MÃOS! Sim, com a porta da janela, de alumínio, velha, pesada e esdrúxula nas minhas pobres mãos, com um olho abertou e outro fechado, tentando lidar com o mostrengo e não voar com a portinhola por ali abaixo. Bufante, praguejante, asneirante e assassinante, consigo equilibrar a 9438utrji374nv0 da 748nuvnybbm da porta de modo a ser improvável a sua queda, e subsequente massacre de pessoas e animais.
 
Lá fui trabalhar, e a primeira tarefa foi tentar desencantar alguém que arranjasse/substituísse/transmutasse a porta da janela. Graças ao simpático senhor que costuma tratar das matérias de canalização, colocou-se a porta em posição segura (porém fechada e sem poder abrir), e para a semana virá o senhor tratar de tudo, pois que a operação carece de tempo e barulheira: fixar parafusos e gonzos e o caneco à parede e remontar a PORTA.
 
A sério, mas alguém tem paciência para isto? A ajudar à crise, aos problemas, à desmotivação, à falta de alento existencial que tantas vezes se apossa de nós? Ainda fico com a geringonça nos braços?
 
Vou afogar-me em Mon Cherris: não têm leite, por isso são vegan. Ninguém merece!!!!!!!!!!
 
E ainda o IRS. Troikasssss!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Solar Solano

Em Gabriela, como Mundinho Falcão

Mateus Solano

Para mim, o ator mais encantador da atualidade. A sua graça, naturalidade e talento cativam irrestritamente. Mais uma presença imperdível em Gabrieelaaa.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Só faz bem

Encarar. Prosseguir. Oh sim.

Serão os meus quase quarenta anos. Sim, os meus trinta e seis anos. Será isso que motiva uma clarificação interior maior em relação ao que penso, sinto, e às dúvidas também, às dívidas de organização e certeza.
 
Talvez haja uma natural confiança que nos permite encarar defeitos, limitações e acessos de Diva como efetivamente constituintes da nossa pessoa; alvo de correções, acertos, inflexões ou suavizações, mas factuais.
 
Imagino que a nossa passagem pelo tempo, a maturação das rídulas configuradas nas incertezas e intermitências dos dias, nas insatisfações experimentais com que nos brindam e nos brindamos, nos faça aderir ao apelo da objetividade. E a assunção de que há coisas que são mesmo assim.  Que uns caem em graça e que outros não, que uns gostam de nós genuinamente e apesar das nossas falhas, e que outros não nos suportam por causa das nossas virtudes.
 
Muito provavelmente, é esse tempo que chega, ou ao qual chego, que vai permitindo destrinçar prioridades e valorizar o que tem realmente mais valor. Esse cálculo distingue a inteligência com que conduzimos as nossas vidas.
 
E apesar de toda a imperfeição, também este já longo convívio comigo, desde o meu sempre e para o meu sempre, me faz ter paciência com os meus devaneios, tolerância para o ego leónico-dragónico, relativização no entendimento do mundo.
 
Sobretudo, é com convicção que cada vez mais prezo umas coisas e me estou nas tintas para outras.
 
Desde que a nossa sensibilidade não se debilite significativamente, cultivar um certo desprezo por amplas facetas da existência não faz mal nenhum. Só bem.

domingo, 7 de outubro de 2012

sábado, 6 de outubro de 2012

O Principezinho

O Tempo para Cantar * - B Fachada
 
 
É para que saibam que não é paixão musical, mas amor artístico. Estou com um maravilhosamente pujante bolo vegan no forno e ao mesmo tempo sai do forno-aparelhagem este repasto inteligente, umbiguista, dengoso, pueril e elevado, ou seja, um dos discos homónimos de B Fachada, este de 2009.
 
 
"É bom ter má fama/ dá para ter vazia a cama/ e nesta solidão de Kant/ ser tido um grande amante (...) Sobra-me o tempo para cantar." *
 
 


Gabriela - antes e depois

1975 e 2012
 
 
Já agora deixo um vídeo excelente que encontrei no Youtube, onde podemos ver os personagens da novela atual e os seus homónimos de 1975 - outro século já!
 
Tudo acompanhado pela belíssima Porto, de Dori Caymmi. Estes Caymmi acabam comigo.


Sempre a Amada Gabriela

A fotografia viciante.

A luz suave, a luz intensa.

As cores maravilhosas.

Os planos embevecedores.

A intimidade e a largueza.

A beleza dos vestidos.

A elegância dos fatos.

A leveza dos chapéus.

O recato dos olhares.

A malandragem dos sorrisos.

O talento refulgente em cada cena.

A fluidez do quotidiano.

A intensidade dos personagens.

O brilho do espetáculo.

A música.

A cor de canela.

É sobretudo por isto que Gabriela, Cravo e Canela é já uma das minhas telenovelas preferidas de sempre. Sigo com militância. Mesmo o genérico é pura arte plástica. Amável, amável.

Sempre Gabriela... Lá rá, lá rá, lá lái lá, lá lái lá...

"Vim do Norte vim de longe, de um lugar que já nem há..."

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Impressionismo ou a imensa ilha das flores

Île aux fleurs près de Vétheuil - Claude Monet

É por esta (e muitas outras), que o Impressionismo me comove e extasia tantas vezes. Amonet.

Um viva à República

República "Mariana"...
... e das bananas. Ou da banana, para rimar.

O princípio monárquico sempre me fez confusão. Famílias escolhidas, atavismos de honra? A honra conquista-se em cada segundo, meus camaradas diletos, e há que existir uma fundamental possibilidade de cada um vir a ser nobre ou "rei" no seu percurso.
 
Assim sendo, e mesmo dentre um profundo bananal que ameaça transformar-se em matagal indómito, viva a República!
 
E, claro, viva o último feriado republicano. Avistam-se desertos de folguedo no horizonte, e isso careceria, eventualmente, de um levantamento popular a atirar para o feroz.

À Vossa consideração superior.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Paris a preços magnifiques

Vale a pena ir ao site da Air France. Recebi um e-mail e, de facto, há promoções fantastiques. A ver se a voar.

Barrinha lateral Drummondiana

Ide espreitar a poesia, ide e vede se outra dimensão não se instala.

Um espavento de elegância



Bogdan Prystom

Para mim, que sou oitocentista e early-novecentista na pintura, é um prazer render-me aos encantos da contemporaneidade neste particular.

Mirem acima: fogos de artifício. Assobios. Hiper. Quero ver muitas mais coisas de Bogdan Prystom. Isto e adicionais riquezas na excelente págida do Facebook, Open Art.

Outra coisa... IRS? Impressionismo Realmente Sublime?? Valha-nos a arte!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Queixas e queixinhas

Hoje à conversa com uma colega esta disse-me que considerava que a ética implica não haver queixas de colegas a superiores hierárquicos. Eu ouvi-a, assentindo que compreendia, mas afirmei que já tinha feito queixas. Depois de chamar a atenção, de repetir, de solicitar resolução, fiz.
 
E fiquei a pensar. Para a pessoa que me estava a dizer aquilo, o que dizia era uma verdade estimável: não queixar, não delatar. A meu ver e sentir, no entanto, denunciar será bom, neutro, ou mau, dependendo do objeto de denúncia. Tratando-se de situações de clara injustiça, incorreção e até impedimendo da liberdade dos outros, muitas vezes é preciso deixar às claras o que está escondido.
 
Por essa razão, sempre que for necessário queixar-me-ei. Não pactuarei com o que me é detestável em nome de pseudo-lealdades.
 
O que acham do tema comadres?