sábado, 31 de dezembro de 2011

Mensagem Tamborínica de Ano Novo: 2012

Caetano Veloso - Amanhã (Guilherme Arantes)

A minha mensagem de Ano Novo do ano passado (no Facebook) foi:

"Este ano, mais do que desejar feliz 2011, desejo-vos feliz cada dia de 2011, e que isso seja fundado em infinda resiliência, esperança racional e vale a irracional também, fantasia e capacidade de auto-regeneração da poluição literal e figurada, das aporrinhações, da infinita canseira e do enorme tédio existencial que tantas vezes prevalece. Nas invisíveis trincheiras do dia-a-dia tudo se decide. Na noite de 31 para 1 será quando menos precisaremos de esperança adicional, porque nesse momento temo-la sempre instintiva e condicionadamente; mas importa como símbolo e ainda bem.

Só lembrar que essa entidade nova em folha e embrulhada em expectativa e inquietude que se sintetiza em "2011" será feita de todos os nossos momentos, todos os seus dias. Posto isto, feliz 2011, felizes todos os vossos dias. Ou seja, demandem (-se) e salvem-se em todos os vossos dias, independentemente do cenário. E que o PEC não nos faça pecar (muito)."

Pois bem, reitero tudo com as devidas actualizações. 2012 será certamente muito desafiante, trará enxaquecas, humores difíceis, adaptações. Mas tenho a certeza de que virão também risadas, amizades, amores, conversês magníficos, planos, dias bonitos. E, claro, o "acordio" ortográfico para animar as nossas vidas.

Da minha parte, devo dizer que amei o ano que passou. 2011 (e naturalmente que apesar dos pesares de diferente ordem), trouxe-me a ampliação de valores vitais e a sua vivência, a sua re-experimentação ou novíssima experiência, uma preocupação mais sensível e mais sincopada com o que me rodeia e uma tentativa de ensaio dos equilíbrios num exercício que se tornou decisivo e, de facto, um ponto de viragem.

Muito obrigada a todos os meus queridos leitores, comentadores e não comentadores, pela companhia e pela troca de ideias que é sempre permitida e alimentada nestes espaços tão libérrimos quanto privilegiados das arrobas.

A canção que escolhi para este post, uma esplendorosa composição de Guilherme Arantes numa sublime interpretação do Caetano Veloso (não é engraçada a diferença, aqui, do de e do do?), é uma linda ilusão que podia ser verdade. Pensar no que cada um de nós pode fazer para cumprir esse desígnio perfeito da canção é um desafio a que Vos convido, dilectos e deliciosos companheiros. "Sê a mudança que desejas ver no mundo", nas imorredouras palavras de Gandhi.

Que este ano em breve a estrear seja uma rota instigante na nossa Demanda!

Feliz 2012, felizes todos os nossos dias: Saúde, Paz, Amor, Humor, Tambor.

Beijinhos e abraços,

Tamborim Zim

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

E de modos que se chega a esta conclusão

Subia eu a calçada, Tamborim Zim sobe a calçada, quando passo pelo muito simpático senhor porteiro e gestor de arrumação da automobilada chique de um restaurante mais ou menos renomado, a quem sempre cumprimento, e lhe pergunto se está tudo sob controlo. Que sim, que não antevia problemas de maior. (Entretanto, já uma airosa segunda fila de estacionados brilhava, opulenta, na noite fria. Mas lá estaria o meu amigo para fazer abrir as necessárias alas, se necessário.)

Respondi que era bom sinal a movimentação ao que, com ar pensativo, me respondeu: "Sabe, chego à conclusão que os ricos estão cada vez mais ricos."

Assenti, e lá nos separámos em semi-trágica despedida bem-humorada.

"Que fazer quando tudo arde?"

Acabar com a pouca vergonha do fogo? Hum hum.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sou só eu que acho...

... ou contra coisas (comezinhas, de resto) como razão, probabilidade, actualidade, etc., precisamos de um simbolismo "boa onda" para esta Passagem próxima?

Tudo bem que é um número que muda. Mas será apenas um número a mudar se nós quisermos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sabia que ia gostar muito mas amei



Nadine Nortier em Mouchette (Robert Bresson, 1967)

Lembram-se deste post? Após múltiplas investigações, pesquisas, labores, e finalmente ao cabo de uma viagem transatlântica, gentilmente trazido a pedido, ofertou-me a minha infindável Mana o filme cujas últimas cenas vira em Outubro e não esquecera, Mouchette.  Contei-vos que a realização é do Robert Bresson, e que a marcante interpretação principal coube a uma actriz não profissional (era essa a preferência de Bresson), Nadine Nortier.

Esta noite (bom, a noite de ontem e a madrugada de hoje), vi o desejado filme duas vezes. Seguidas. Simplesmente porque tinha de estar outra vez perante a presença da menina Mouchette (incrível que na realidade já tivesse 18 anos quando fez o papel!), de novo ante a sua face triste, os seus passos definitivos e magistrais. Outra vez diante da sua tristeza, da sua ausência, do seu fado, da sua sombra na rua clara de sol e da câmara de Bresson.

Amei o filme, como compreenderão. Mas mais a ela. A ela, Mouchette.

Pergunto-me quantos mais filmes não teriam sido pontuados por este ingente rosto e por tamanho assombroso talento (génio) caso Nadine Nortier não tivesse nesta a sua única personagem cinematográfica. Gostava de saber por onde anda e agradecer-lhe por esta presença (ainda a palavra) rara. E que me tomou.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Mourinho, pssssttt: my blog is Special


- Zim, I am even more special  than you, eh eh eh eh eh!...

Ultimamente tenho tido uns encontros imediatos com...José Mourinho! Calma, não se agitem, não corram para o e-mail a vasculhar-me com pedidos de explicações. Eu digo tudo, a minha vida é um livro aberto e redigido na formosa língua de Camões.

Bom, entrei eu no banco a uma excelsa hora de almoço a fim de proceder em conformidade com já nem sei quais exercícios do Multibanco, e vejo que havia várias pessoas à espera do seu atendimento. Dentre os enfileirados, destaca-se uma figura alta, muito bem vestida, mais recuada que as restantes. Parece observar-nos com uma inteligência calculista e uma simpatia camarada. Às tantas bato o olhar de novo no atraente senhor e percebi tudo (claro que o intervalo entre o primeiro e o segundo momentos aqui narrados demorou muito poucos segundos): José Mourinho "em pessoa", ou seja, em tamanho natural, ou próximo sei lá eu, ali se postava, olímpico e sem movimentos, entre nós, simples mortais. Uau, o famoso e polémico treinador também se relaciona com estes universos terráqueos das contas e levantamentos e depósitos, todo o nosso universo onírico e a nossa mundividência podem transmutar-se de agora em diante, com esta nova visão da nossa proximidade do génio!

O mais interessante é que os nossos olhos vão sempre ter ao Mourinho, porque realmente ele é o mais alto por ali, à parte que também possui umas cores mais vibrantes que os demais clientes. Daí a nada vejo um senhor que, sem vergonha nenhuma (o que achei delicioso), ou talvez no meio da sua distracção curiosa, se aproximou da estátua de papel, medindo-a com o olhar. Dir-se-ia que ali se dava uma espécie de reconhecimento da diferença e da semelhança, e eis que o senhor começa a rodear o anúncio nos seus passos inquisidores. Sorri e apeteceu-me rir muito em voz alta, mas contive-me. Só faltava cheirar e tocar despudoradamente a imagem do special one.

Nos dias seguintes, confirmei a proeminência daquele cliente especial; então se entrava ao final do dia, parecia estar sempre a ser observada, ali sozinha mas não tão sozinha assim, a fazer os movimentos. É a loucura em pessoa.

Qualquer dia alguém vai pedir um autógrafo ao modelo de cartão.

(Dar-me ia ele uma entrevista? Afinal, seria para uma Alegoria...)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Seja vegan, seja Amor


- Tchuak, tchuak, tchuakim!...
(Foto de Zim)
 
- Olá Zim e amiguinhos!...Estou a nadar:)
(Foto de Zim)

Tive oportunidade de apreciar e captar estes momentos de genuína paz e ternura, ao sol e à sombra, enquanto hoje passeava pelo meu bairro. Aqui fica esta partilha com o Planeta.

Pois é meus dilectos, os nossos companheiros de existência em geral e jorna em particular, os animais, não estão aqui ao nosso serviço para dispormos das suas carnes, dos seus olhos, dos seus afectos e da sua vida. Sim, têm eles próprios uma dignidade essencial insusbtituível, todos querem viver, todos temem a morte. Hoje em dia não há qualquer necessidade de matar (ou promover e financiar a morte e o sofrimento), para viver.

Portanto peço-vos, neste finalzinho de ano, que tirem um momento dos vossos agitados dias para considerarem a hipótese de se tornarem vegetarianos ou vegan (garanto que um mundo fabuloso de sabores se abrirá aos vossos digníssimos palatos), porquanto essas opções são sinónimas de refinamento existencial, respeito, gratidão, graciosidade, humanidade e amor.

Seja vegan, seja Amor!

Essa inesquecível alguma coisa e essa Arósio...

Como Esquecer - Malu de Martino (Dir.)


Ana Paula Arósio

 Acabo de ver o filme Como Esquecer, realizado por Malu de Martino e protagonizado por Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, entre outras estrelas bonitas e boas.

Data esta película de 2010 e, tendo-a eu visto agora, com o 2011 quase a desaparecer na ampulheta voraz de Mr. Cronos, não posso deixar de pensar que é uma pena existir ainda um hiato temporal tão demasiado entre as (fantásticas) produções culturais do Brasil e o nosso País. Seja na vertente discográfica, livresca, cinematográfica, continuamos a ver mais tarde o que nos poderia satisfazer, embelezar, lançar em aventura mais cedo. E dizei-me, leitorado astuto, que não é essa a sublime ambição (será que é, sequer, ambição, e não apenas uma tensão, ou pulsão, apenas, apenas?...) da arte, a de exactamente nos lançar em aventura?

O filme: belo. Uma realização impecável, a meu literal ver, e uns actores em ponto de rebuçado. Muito bons, muito convincentes, senti-me na sua sala, na praia, no seu meio. A Ana Paula Arósio, em particular, fascina. Extrema delicadeza e acutilância na condução de Júlia, uma professora Universitária de Literatura que acaba de perder um grande amor.

"O que será o contrário do amor?", pergunta-se Júlia. E entre amores e o seu contrário e o haver-se consigo de cada personagem nessa jorna de desconforto, confronto e redenção que impera no Amor e no seu "contrário", eis-nos sem dar pelo tempo passar e a desejar, como os protagonistas do filme, alguma coisa. E essa tão imprecisa quanto espessa, coesa e intangível "alguma coisa", essa toda "alguma coisa" vigora e vence neste filme corajoso, moderno, e certamente intemporal.

A ver, e rever, e apaixonar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma noite preta e fria

Alturas lunares

Está frio, os aviões cruzam os céus gelados. Eventualmente, e entre outras coisas, aquecerão distâncias, ou estreitarão pesares. Na A2 morreu há pouco mais uma pessoa em despiste automóvel. O meu coração fica sempre preto como alcatrão quando vejo estas notícias. Fico em cuidado por quantos vão, vêm, são. Por mim, mas nem tanto por mim.

Neste frio, o mar deve sentir-se especialmente solitário.

A cabeça dói-me, como nos últimos dias insistentemente se habituou a tratar-me.

Dir-se-ia um final de ano sorumbático, mas não. Não se trata de um regresso ao começo, e isso espevita aquela parte alegre do devir, e surpreendente, ou pelo menos desconhecida.

Alguém olhará a noite, agora, algures no mundo, pela pequena janela de um avião altíssimo. Não serei eu quem olha, mas sou também a noite escura, alta e fria.

Neste ínterim, uns bombons de chocolate e baunilha, oh...trazem umas calorias de esperança. Seja.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Brevidade sobre o ciúme

- Calma pczim, calma, há vida além dos pixeis!

Que a enxaqueca não volte, que consiga dormir bem, que mantenha a frescura, energia, temperança e afinamento encefálico para compreender profundamente tudo de tão bom que este ano me deu. E que daí haja estrada, ou melhor, caminho. Como o Kundera, também o caminho me parece muito mais resgatador que a estrada.

E para já um voto de supetão: que o 2012 venha com muito mais cheiro de páginas de livros: novos, velhos, assim-assim! Pois, computadorzinho, pois. (É tão ciumento!)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Com papas e sopas e bolos...

Zummmmmmm!

O mundo envelhece e, além disso, amplia-se em fealdade e terror quanto mais repudia as nossas odes e as nossas ondas. O mundo gosta de sopas instantâneas e de previsões zodiacais, mas os sãos da aorta movem-se pela pulsação indecifrável de trovoadas formidáveis.

E se vos disser que o "sistema" não vai com a minha cara?

Barrinha lateral II

Não, não é só a alteração da minha foto que deve induzir a argúcia do Vosso detido olhar. Sim o poema, é o poema, o lindo poema do Ramos Rosa. Li-o pela primeira vez a acompanhar uma fotografia numa exposição em Salvador da Bahia, há quase 10 anos. Como é curioso e emocionante encontrarmo-nos na Outra margem!

Parar e mergulhar muitas vezes nos poemas que vou seleccionando para constarem, com foros de grave antologia, na minha e nossa Alegoria, proporciona-me um prazer de uma desmedida nutrição e apreço gigante pelos seus autores. As barcas podem ser do tamanho de um website mas as rotas, as rotas...sem tamanho nem detença.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Chover sobre o molhado (muitas vezes)

O problema de um ser aspirante a vegan e em francos progressos para tal ser presente num simples lanchinho social (laboral, por exemplo): passar parte significativa do tempo do convívio a recusar quase tudo o que é oferecido por conter ingredientes que não quer consumir (ovos, leite, etc.), e ter de explicar várias vezes as suas razões.

Naturalmente, nada disso é desconfortável do ponto de vista da minha relação com a minha escolha: é apenas, objectivamente, um pedaço cansativo.

Chá, por favor!...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cesária foi e é


Cesária Évora



Cesária, Caetano e Sakamoto - É Preciso Perdoar (Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo - 1966)


Triste apontamento o deste dia, em que Cesária Évora nos deixa.

Como homenagem de um momento, aqui fica uma música que derrama emoção dentro de mim.

Essa a virtude magistral dos talentos, o de serem mesmo quando vão.

Por isso Cesária foi, e é, a diva da voz de mar grande, embalado numa morna cujo coração não cessa.



Em nome da seiva

Humpfff ahhhh humpfff ahhhh (respiro, Zim!)

Ver alguém que amamos a viver a sua vida no espírito em que mais acreditamos, no meu caso, o da Demanda, e perceber essa pessoa a abrir-se às tantas possibilidades de um, de muitos talentos, faz-nos subir vários degraus na nossa felicidade. A própria digitação destas palavras, o seu específico idear, trazem bálsamo aos meus dedos, olhos e coração.

Quantas vezes não pensamos no trágico "e se?", quantas não evitamos olhar para os nossos passos pretéritos com medo que a vacuidade, a desistência ou o desinteresse (ou todos juntos), se apoderem da nossa perspectiva sobre o caminho decorrido?

Admoestar temores, ver além do que as vendas que os contrangimentos reais, simulados e introjectados nos permitem, avançar e, mais importante, ser com a frescura dos cândidos, dos corajosos e dos atrevidos - eis o que nos traz os melhores sabores do existir, o que lhe finta a efemeridade e o transforma numa experiência inesquecível e numa aventura individual única. E isso vai sempre ser marco no chão para outras vias. Chamar-se-á, talvez, o vício da tão propalada joie de vivre. Mas nada a ver com uma alegria fácil/tola. Autre chose, autre chose...

É por tudo isto que me sinto cada vez mais feliz. Que o talento nos seja sempre companhia, máxima, limonada.

O presente é uma planta ávida com seiva a fervilhar em todos os poros para explodir mais vida.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Para mim, um dos homens mais bonitos do mundo

Seu Jorge
Seu Jorge - Seu Olhar (Seu Jorge)

E uma das vozes mais maravilhosas, e um dos melhores cantores, e um dos mais vibrantes compositores, e um dos mais excitantes intérpretes.

Já vos disse que o amo?

"Quero um pouco mais" e sempre deste mago preto maravilLHOSO.

Escutem esta belíssima Seu Olhar. Ai Jorge Mário!...

O Senhor Arrumador é que sabe

Pois vinha eu hoje do labor, naquela boa antevisão de dois dias de férias (como gosto de ver o fim-de-semana), galgando a calçada, depois em linha recta, a caminho do bairro, quando passo pelo senhor que arruma os carros e a quem cumprimento todas as manhãs e ao fim do dia, se o vejo, sempre em cordial reciprocidade. Hoje desejei-lhe bom fim-de-semana e eis que o senhor se me aprochega e diz, com  entaramelada mas genuína simpatia: "Quero desejar à senhora um feliz Natal!". (Não festejo a quadra, mas considerei que não valia a pena perder-me em explicações.) "Muito obrigada, tudo de bom para o senhor!", respondi, alegrinha. Vai daí, percebi que vinha um acrescento cheio de convicção por parte do senhor: "Eu queria dar os meus parabéns, porque eu admiro muito a sua personalidade!". Afaguei-lhe o braço cordialmente e, respondendo que era muito simpático, lá me despedi.

É isto, meus caros: personalidade. Foi o senhor que disse, não fui eu que inventei, correcto? Não fui eu. Personalidade. Ora tomai e embrulhai.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Não se faz

Sim, eu sei. Isto não se faz. Não se deixam os nossos mais-que-tudo, os nossos magnânimos, dilectos, algodónicos leitores sem notícias durante quatro    l   o   n   g   o   s    dias. É vil, tremendo, sinistro quasi.

Mas sabem lá...É um tal de tentar começar o não começado, de acabar o inacabado, de adormecer com o computador ao colo e assim passar a noite com o pescoço delicado de Zim todo torto e com a luz acesa...Baf. Como descrever-vos esta penúria de descanso, conforto e tempo, gentis entes, tempo?!... Sabeis que as palavras exigem tempo, carecem de lavra, de lábia, do palato que começa nos lábios e desemboca nas polpazinhas ridentes dos dedos que tamborilam...(TAMBOrilam?...), tamborilam aplicadamente as suas metáforas e decomposições dos veios existenciais em que damos por nós. E por onde andaremos, em que mó, em que nó, com que dó? Ah, ah, vamos rir juntos e espantar o FMI e o mundo!

Certo, poderei encontrar-me um pouco febril, por assim dizer, neste meu post à deriva, mas queria muito, precisava e queria muito dizer-vos que senti a Vossa falta e que aqui estou.

AbraZim.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Desculpa 33

Também é verdade que a semana teve momentos intensos...

Certo, certo, não vos maço mais.

Pensando bem...

Zzzzzzzzimm...

... talvez ainda possa surpreender-me um pouco-pouquíssimo-íssimo enquanto chega a hora (tardia), para as meninas do Lip Service. Sem muitas garantias, claro.

Depois poderei correr para os meus lençóis polares e dormir outra vez. Que tsé-tsé me terá mordido???

...Assim não vale!

Se uma desconhecida vos disser que tinha três coisinhas para fazer no fim-de-semana e que não fez nenhuma, isto é...

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos
Retirado deste blog .

E agora é ter paciência para tudo durante a semana.
(Que, pensando bem, é quando se deve cuidar do trabalho.) 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Prémio de consolação vai para... Tamborim Zim

Hienazim risonha

Muito bem: chegado o fim-de-semana  com a sua promessa de inércia, permissiva preguiça, tempo distensíííííííííssimo. E todavia? Ah, e todavia três assuntos, todos relacionados com labor e que não quero mesmo deixar saltar para segunda-feira, vão ter de ser resolvidos com cabeça, pena (ou seja, tecla) e paciência durante os próximos dois dias. Pormenorzinho: os três trabalhinhos terão de ser muito bem feitinhos. Ponto de honra.

Consolação? Fazer tudo isso devidamente acondicionada em cobertores quentinhos e a debicar chocolate (preto).

Como não tenho energias para chorar, o melhor é rirrrrrrrrrrrrrr (riso histérico).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O prazer do labor


Doutora Internet tudo explica...

Examinar as copiosas páginas dos dossiers, deter-me num documento de letra miúda. Imprimir, sequenciar, esquematizar, calendarizar. Telefonar ao parceiro francês; telefonar à parceira francesa; escrever ao húngaro, responder ao estónio, perguntar ao inglês, conversar com o tunisino. Assinar relatórios, mandar para assinatura, carimbar, enviar, acusar, avisar. Congeminar cenários, corrigir tabelas, acrescentar textos explicativos, responder a comentários interrogativos, rever tudo e colocar pacientemente à consideração de todos os parceiros. Responder a questionários, pedir respostas, enviar relatórios, travar conhecimento com diferentes bases de dados e solicitar levantamentos com centenas de resultados. Preparar reuniões, antever reuniões, telefonar outra vez ao parceiro francês. Trocar ideias, ler pontos de situação de coisas de que nunca ouvi falar, redefinir tarefas. Ler textos, editar textos, pedir inserções de editais na base, atender telefonemas sobre editais, regulamentos, regras, dúvidas, inquietações e inventivas. Esquematizar uma apresentação e pesquisar o significado de conceitos, siglas, programas. Estudar programas-quadro, observar boas intenções, diferenciar interesses, compreender ditames estratégicos. Apresentar ideias, adicionar sugestões. Fazer quadros, ler em linha recta e ler na diagonal. Pensar nas melhores formas de contribuir com actualização, modernização e reflexão crítica. Idear acções conjuntas futuras, pensar nas temáticas preferenciais a abordar. Participar na criação e aplicação de políticas de ciência e tecnologia. Repensar, aprender, perguntar, responder, defender, rever, remeter, acrescentar. Aprender, aprender, aprender. E ademais, aprender.

Trabalhar também pode ser um prazer.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Hum...

...no espaço de dois posts, duas louras.

Mensagem subconsciente: Zim quer pintar os cabelos de um centímetro de loiro platinado?

Nórdica eu fosse


Emagrecesteis Zim? Alourasteis? Crescesteis???

Amiúde acho que tenho um não sei quê, melhor digitando, um bastante quê de nórdica. Passo a elucidar as Vossas retinazinhas cheias de sageza e bonomia para comigo: tenho uma notória alergia à brincadeirinha parva e insistente, às tomadas de confiança um poucochinho a mais do que a inter-relação que se instaurou permite, a sensação de que somos todos uma carneirada porreira pá, portanto aqui vai disto e não destoes da massa faxavore.

Nórdica: alta e loura na minha frialdade anímica, contra o pior dos provincianismos nacionais, aqueles que emulam caciques e patos bravios. Nórdica nevada: contra o princípio do "tem sido assim até aqui por isso arreia". Alva: contra o princípio de ouro "se tens uma ideia original guarda-a para ti porque ninguém é obrigado a ouvir esquisitices e ainda mais a ter de dar óleo ao miolo para cogitar sobre as ditas".

Contra tudo isso. Iceberguianamente contra.

Percebeis, amadinhos?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lip Service


Ruta Gedmintas

Comecei há três semanas a ver a série Lip Service, que encontrei por mero acaso nos meus raros momentos de zapping. Gostei muito. Todas as interpretações são convincentes e há qualquer coisa de muito plausível e profundo em cada personagem, como um cofrezinho a investigar com atenção. A ambiência geral é séria mas a ordem dos acontecimentos, o seu ritmo e a realização são fluídos e envolvem-nos agradavelmente durante todo o episódio. Escusado será dizer que anseio o lançamento em DVD - pelas minhas pesquisas ainda não está disponível, se alguém tiver outras teorias/notícias queira ter a amabilidade de informar com um ar da sua graça, por favor.

A personagem Frankie, interpretada pela lindíssima Ruta Gedmintas (a quem também nunca vira mais gorda), toca-me especialmente. O misto de candura, atrevimento, fragilidade e persistência na perseguição da sua verdadeira história tornam-na uma figura muito cativante. Excelente actriz.

Continuarei a acompanhar com muito interesse, até dividir a casa com as novas amigas - "devedeicamente" falando, naturalmente.

domingo, 4 de dezembro de 2011

As causas da Alegoria - 100º post!

- Eu sou o Amor e não tenho género!


- Olá Zim e amigos, estamos juntos!

Dedicados leitores, chegámos ao centésimo post!

O tempo voa, as palavras são como as cerejas e candeia que vai à frente alumia duas vezes.

Posto isto, queria festejar este número bonito e, sim, já respeitável, já vetusto, da melhor maneira. Soube ontem que o Senado Nigeriano aprovou uma lei que pretende punir com prisão a orientação e a associação LGBT. Ora a homofobia é coisa absolutamente rejeitada aqui na nossa Alegoria da Primaverve, onde defendemos os direitos humanos, fundados na liberdade individual, com razão e paixão.

Assim, pedia-vos que lessem e assinassem a carta dirigida por  um activista nigeriano, Ifeanyi Orazulike, ao Presidente Goodluck Jonathan, para apelar ao veto da nefanda lei.

O link é: http://www.allout.org/pt/actions/nigeria .

Quando é que as pessoas vão parar de se inquietar, revoltar, amofinar e desumanizar, consumindo-se e consumindo por causa de quem os outros gostam, como e quando e quanto gostam? Quando contarão apenas a lisura, o respeito e a felicidade?

Tântrico pá!

Celebro com álacre prazer a procrastinação do fim do apetite.

Claro que deste tantra sai tofu!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Uma Aventura em Serralves

Zeca Baleiro - Bienal (Zeca Baleiro/Zé Ramalho)

Este post do jaa, no seu excelente blog O Escafandro (mesmo do camandro!), relembrou-me uma cena que muitas vezes me vem à memória porque sintetiza de forma perfeita, fílmica mesmo, se fosse o caso, a nossa relação com algumas vertentes da arte contemporânea. Senão, vejam só...

Há uns bons anos costumava ir ao meu amado Porto várias vezes. Tenho uma paixão assolapada pela cidade e, se muitas vezes passeei por ela completamente sozinha, noutras ocasiões cedi com muito gosto ao convite de amigos e usufruí da sua companhia em alegre deambulação. A história que a seguir vos conto já tem, por isso, centenas e centenas de dias em cima. O meu querido amigo M. levou-me a conhecer a lindíssima Casa de Chá da Boa Nova, em Matosinhos, um primor do Siza Vieira - as linhas, o encaixe na paisagem, as vistas para os rochedos e para o mar, um êxtase. Entre vários acepipes, mimou-me o meu amigo com o primeiro vinho que eu gostei mesmo na minha vida até então, um soberano Quinta da Bacalhôa que ele, bom conhecedor, quis escolher para o nosso animado almoço. A benfazeja cadência báquica, a degustação da conversa, sempre uma peça de arte a deste meu amigo, o charme da Casa e o insinuante mar lá fora tornaram aquele momento uma delícia inesquecível, e lá saí coradinha e feliz daquele recanto. Passeio para lá passeio para cá, deixou-me o M. em Serralves antes de seguir para o seu trabalho. Foi, portanto, num contexto já de certo júbilo que entrei portas adentro daquela minha dilecta galeria.

Percorria as salas mas não me encontrava particularmente entusiasmada por nada do que via. Na procura por alguma coisa realmente fora de série, dei por mim numa grande sala vazia, por onde maquinalmente me vejo a andar com desconfiada precaução. Um vazio claríssimo enchia tudo, até que descortino, no chão, um copo com água. Não me lembro se olhei para o tecto para aferir de que lado vinha a ameaçadora humidade, mas creio que não (trata-se de mera hipótese para vos impressionar). Passei de fininho ao lado do objecto como se não me sentisse constrangida, e esperando que o funcionário da galeria que por ali estava considerasse o meu andar e a minha postura naturais. Os pacatos passos sala fora conduziram-me perto de uma parede na qual se apoiavam um vidro ou dois, não me recordo com exactidão, e nessa altura devo ter-me convenvido de que a referida sala estava em manutenção, ou que uma exposição ali se montava. Avanço e, quando já na sala seguinte perscrutava por mais novidades, ouço um barulho de vidros a cair da sala de onde viera. Burburinho, vozes, e alguém a exclamar divertidamente: "Olhe, já me aconteceu há bocado!" A reboque do Bacalhôa e da situação, e na sequência da minha indecisa caminhada, começo a juntar as peças e eis-me com uma incontrolável vontade de rir. Não resisto a passar pela mesma sala para sair. Quando o fazia, faceira e provavelmente já mais veloz, veio ter comigo o senhor funcionário. A sua face transparecia uma gravidade aplicada e uma atenção detida mas gentil. Acercou-de de mim, apontou para um espaço em baixo entre nós, e disse-me serenamente: "Reparei que lhe passou esta obra de arte." Eu, cheia de riso, zonza do vinho (ou vice-versa), fiquei por momentos suspensa do olhar hipnótico do homem. Pronta para tudo, embora, olhei para baixo: um quadrado de vidro repousava, quedo e mudo, sobre o chão. Ergui os olhos e encontrei a atenção do meu zeloso guia: "Olhe", respondi, bem-humorada, "devem ter-me passado muitas mais! Sabe eu até gosto de um certo minimalismo, mas isto para mim é um bocadinho demais...". O senhor encolheu elegantemente os ombros, em compreensiva mas compenetrada expressão, e lá me disse os nomes de uns certamente inexpugnáveis artistas, que imediatamente esqueci. Agradeci e saí, com gargalhadas a implodirem por mim adentro, e eu apressadamente a dirigir-me à saída, a rir sem detença. Deveras! O copo de água, os vidros pelo chão, encostados, as pessoas aos pontapés às "obras de arte", tudo aquilo na selecta sala de exposição da metafísica última da contemporaneidade. Que "ingnorância" a nossa, Céus!

E eu ria, ria, ria muito. E abençoo esta história, aquele momento, o M. que me tornou uma exigente apreciadora de vinho, e todas as irrefreáveis risadas que já dei ao recordar e a recontar a minha aventura em Serralves.

Para ilustrar este mimo, só me ocorre uma canção: Bienal. O vídeo que vos deixo tem a letra integral e saibam meus doces, saibam que o concerto do Zeca Baleiro a que assisti e em que ele cantou esta música foi o mais divertido de sempre, fiquei às lágrimas! Não percam - e cuidado, nunca se sabe que masterpiece podem pisar, estilhaçar ou perder se a subtil e artística antena não vos acompanhar. Quem avisa...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Voto veloz, lenta ausência

Cazuza

Quase por acaso deixar-vos-ia esta canção do Cazuza no dia mundial contra a SIDA, flagelo que nos levou o nosso menino poeta e fazedor de músicas tão esmagadoras quanto inesquecíveis. Quase, porque já estamos no dia 2 de Dezembro. Esta realidade que toda a vida me espantou e continua a espantar, a do tempo com o fogo na cauda, bem poderia ser "ilustra-cantada" por outra música deste compositor do meu coração (O Tempo não Pára).

Mas o feriado acabou. (Só por enquanto, que o dia 8 também aí virá célere e lazeiro.) Por essa razão, opto por convocar para a Alegoria este rasgão energético e provocador, como Cazuza sempre foi. Um provocador genial. E percebo que as frases curtas não querem apenas dizer: sono; também: saudade.

Vamos então pela noite no melhor dos embalos, para que o dia nasça feliz.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dúvida Impertinente

Hoje ao almoço discutíamos entre amigas a seguinte questãozinha: uma pena se a maioria das pessoas não se aperceber que o Orçamento de Estado é aprovado por causa da abstenção do PS, uma vez que o voto contra do principal partido da "oposição" (mas qual oposição caraças?) inviabilizaria o dito cujo. As minhas amigas defendiam que o facto passará ao largo da consciência popular. A que vos fala, sempre num misto entre a ingenuidade e a negação do real, que não senhor, que naturalmente as pessoas estarão conscientes do facto de o Orçamento de Estado ter sido aprovado com a abstenção - ABSTENÇÃO, repito - , do PS. Tenho razão, não tenho?

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O que eu quero mesmo saber

Marisa Monte - Descalço no Parque (Jorge Benjor)



Marisa Monte

A Marisa Monte é, para mim, A Diva. (Comigo, claro, cof).

Sou completamente fã de todos os trabalhos que publicou até agora, admiro imensamente a sua atitude indefectivelmente artística, discreta, elegantíssima, o seu amplo trabalho de recuperação da tradição oral do samba, a síntese esclarecida e criadora que opera sobre o antigo e o actual, permitindo-nos jóias de enorme beleza. Quer no que respeita aos inéditos, que ocupam a maior parte dos seus discos, quer a versões, para mim o seu talento é revigorante e não tenho dúvidas de que foi e continuará a ser uma das artistas-referência para mim, musical e esteticamente.

O seu próprio estilo pessoal é assumidamente inspirador para mim. A presença em palco, impressiva e inolvidável, para mim a criatura feminina mais encantadora no grupo das assim ditas "figuras públicas". O profissionalismo e o virtuosismo artístico e técnico, um exemplo por tantos reconhecido.

A sua voz...Bom, a sua voz..."Inefável" é o adjectivo. "Elo perdido entre o rouxinol e a flor", foi como o dinossauro Erasmo Carlos descreveu a sofisticada carioca. (Confesso que queria ter inventado essa metáfora tão bela e tão digna da "minha" Diva.)

Esta longa intro ajudará a que percebam o quanto amo artisticamente a Marisa Monte. E se agora me sinto desapontada, e inesperadamente desapontada com o seu disco novo em cinco anos, O que você quer saber de verdade, nem por isso deixo de me lembrar de tudo o que de maravilhoso já recebi via Monte. Sobretudo, no entanto, tenho de reconhecer que nem sempre é possível produzir resultados assombrosos e para mim, à excepção deste último disco e talvez de Memórias, Crónicas e Declarações de Amor, todos os discos da Marisa Monte foram assombrosos. O presente é para mim, e sem qualquer dúvida, o menos bom.

Mas e então Zim, o que te leva a perorar, a ressabiar, a embirrar com o disco? Então cá vai, mas só porque sois uns serezinhos insistentemente indagadores: as melodias, em geral, parecem-me lassas, sem alma, sem aquela elevação extraordinária a que a Marisa nos habituou. Até o canto me chega menos vibrante, menos "em cheio". Não descortino um espírito organizador entre as faixas, não me prende um perfume de conto, de canto, de caminho por entre a deambulação de O que você quer... A maior parte das canções parece-me simplesmente desinteressante e evitável.

Até a capa me parece aquém, muito aquém, do que poderia ser conseguido apesar de, no encarte, podermos apreciar um registo fotográfico gracioso e focado na imagem da Diva a caminhar pela rua, o que é bonito porque ali a temos a passear entre as canções, entre as tais que acho meio em desgarrada.

Dentre as 14 faixas, pelo menos até agora, só gosto verdadeiramente de três: a que dá o nome ao disco, dos companheiros Marisa, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes,  Descalço no Parque, da pedra preciosa chamada Jorge Benjor e muito provavelmente a minha predilecta, e Verdade, Uma Ilusão, novamente uma colaboração entre os três amigos. Mas destas três gosto muito, e a cantora e intérprete está primorosamente presente.

Quanto à Diva...continuo a sentir-me feliz e agradecida por existir e pelas suas criações. Mesmo que nem todas estejam ao seu verdadeiro nível de ilimitado talento.

E o que é que eu quero mesmo saber? Cá vai...quando um novo disco, Marisa? Fala sério, de verdade.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Será que o frio emagrece?

Hmmm...cevada somos para ti, Zim!

Objectivo para este fim de dia:

- Um hamburger de espelta, cheio de sementes e de um sabor que faz o meu palato exaltar de felicidade.

- Um arroz (a regenerar da melhor forma possível, já que se encontra num estado de alguma dubieza de...textura, digamos), com feijão encarnado...

- Júbilo quentinho a acompanhar: cevada!

- Cobertores quentinhos.

Sou pessoa de prazeres simples.

domingo, 27 de novembro de 2011

Todos os "ais" são nossos

- É o Fado é a loucura é a troika, éééééé a troikaaaaa!!!...

Hum, estou aqui a pensar com o meu quentinho roupão de Inverno que esta distinção do Fado como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, até pode ter água, a bem dizer, no bico. Explico: dada a actual conjuntura económico-financeira, a crise teimosa, os ratings endemoinhados, não quererão  consolar-nos com isto e, ao mesmo tempo, avisar o mundo que os "ais" e os cruéis destinos vão aumentar de tom, aproveitando para insinuar, criativamente, "Já viram os 'uis' dos portuguesinhos não já, eles têm mesmo jeito para o sudário, vejam o exemplo de uma Nação que sabe exorcizar a sua desgraça cantando..."?

Por mim tudo bem, até fico contente com a honra. Desde que não venham aí mais uns quantos pregos para as tábuas do nosso caixão.

Assinado:

O Nacional Cepticismo ou O Fado Nacional

Amô

Carlinhos Brown e George Israel - Linhameyer

A propósito do preto e branco (combinação de que tanto gosto), deixo-vos nesta résteazinha simpática de Domingo uma mimosura sem preço. Linhameyer é o nome da canção do meu amado (artístico, não inventeis, não inventeis) Carlinhos Brown e de George Israel para o meu também amado (e também artístico, portanto sem devaneio p.f.) Oscar Niemeyer, o arquitecto-poeta, porque são poesia em estado puro as suas edificações tão...lindas (sim, apeteceu-me uma palavra simples).

Foi há uns anos a música de lançamento de uma colecção da H Stern desenhada por Niemeyer. Com quase  104 anos, continua este génio imerso em múltiplos projectos. Saúde infinita para ele!

A canção é amor em estado sonoro, ora ouçam.

sábado, 26 de novembro de 2011

Assalto de Lady Dúvida

Será que num dado momento, talvez em certos finais de vida, ou sob uma experiência de auto-abandono, verão os poetas, os romancistas, os pintores, os artistas, enfim, certos conceitos mais como palavras do que significados e sentimentos? Entenderão "amor", "felicidade", "beleza", e até "vida", por exemplo, como partículas estéticas formais, como próteses funcionais de um poema, de uma história, de uma história na tela, do seu idear? Sofás e caramanchões da inapelável solidão? Ou não, ou não?

Pistas para o Mapa da Mina

Mondrian - Composition in black and white with double lines

Pensamentos simples como o acto anódino de pestanejar conseguem prender não apenas a minha atenção, mas a minha contemplação de inabalável "fruidora". Comparo a situação à apreciação de uma tela.

Então há pouco ocorreu-me tão somente isto: tendo em conta o carácter altamente desgastante de múltiplas variáveis existenciais, uma boa maneira de não nos acabarmos em cada esquina da viagem é ...

----» tentar ao máximo ser correcto, sempre;

----» defender com a força dos argumentos, da inteligência e da sensibilidade as posições que considerarmos melhores e...

----» saber ficar bem connosco haja prevalência ou derrota do nosso ponto de vista, caso a decisão última não nos caiba; bem de consciência e de saúde emocional.

E em termos pictóricos imagino esta ideia como uma linha negra, por acaso semi-ondulante, numa tela branca, branca, alvíssima.

Simples, não?

Procura-se

Zim Borim

Alvíssaras a combinar. No topo dos mais procurados tamboristas.

Jerónimo de Sousa


Jerónimo de Sousa

Vi há bocado a entrevista do brilhante, amorável, irresistível Daniel Oliveira a Jerónimo de Sousa. Fiquei deliciada. Para já porque o talento do entrevistador permite aos entrevistados brilhar naturalmente. Depois, a força de carácter e a limpeza que irradiam dos olhos e de toda a expressão facial e corporal de Jerónimo de Sousa são tremendamente cativantes. Concorde-se ou não com a ideologia política perfilhada pelo líder do PCP, creio que é consensual a seriedade e a convicção com que o mesmo tem dado de si ao longo de tantos anos.

Homens feitos a pulso, com infâncias cheias de trabalho, com percursos provados em mil escolhos, mas com a saúde de quem defende e pratica aquilo em que acredita.

Sairá da sua carreira política, nas palavras do próprio, "como se saísse da fábrica" onde trabalhou duramente. Na justa igualdade da sua convicção.

E cheio de vontade de viver e de fazer muito mais.

Delicioso, sim - e dá que pensar sobre o tipo de pessoas em cujas mãos pomos, queremos e devemos pôr o nosso País.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve aos bancos faz parte da Greve Geral - se quisermos

O grupo-movimento wAllBalloon - A Bolha Rebentou, propõe que hoje façamos uma greve aos bancos  - nada de levantar dinheiro, depositar dinheiro, mandar dinheiro dentro de aviõezinhos de papel para os bancos, em suma, greve às transacções bancárias durante todo o dia.

Adiro a esta iniciativa, e conto ainda não efectuar qualquer tipo de aquisição de bens e serviços durante este dia. Parar os gestos do quotidiano e activar o alcance da nossa mente e das efectivas possibilidades de fazermos a diferença - eis o mote.

Greve Geral - Eu faço


- Socorro, estamos aqui debaixo, socorroooo!!!...


Talvez por me sentir mais motivada por alguns factores gentis da minha vida, com várias coisas a germinar em mim, talvez porque, por outro lado, me sinta cansada e já tão expoliada pelas vicissitudes desta pestilenta crise financeira (+crise de valores+crise de imaginação+crise de vergonha), este ano demorei muito mais tempo para decidir se iria ou não aderir à Greve Geral de 24 de Novembro.

Depois é a tal história: vemos o que nos cerca, entendemos que os prejudicados são sempre os mesmos, que os sacrifícios mais pedidos são sempre a quem menos pode, que a banca, as empresas, os mercados mundiais zelam pelo lucro e impõem a sua bitola (monetária e apenas monetária) à política, aos Estados, às casas das pessoas e às particulares e universais vulnerabilidades e apreensões das pessoas, de todos nós.

Cito um excerto da obra  Understanding Environmental Philosophy, de Andrew Brennan  e Y. S. Lo, que li na página de FB do Professor Paulo Borges: "... naturalmente que os governos não querem interferir com as empresas, dados não apenas a enorme influência do sector privado, mas também os perigos associados com mudar para algo novo. A crise financeira de 2008 não levou a uma acção para reformar substancialmente o sistema financeiro, mas antes para o reforçar e manter a funcionar. Considerar controlar ou limitar o poder das grandes empresas levanta o espectro de uma intervenção que possa fazer com que as coisas vão para pior em vez de para melhor e este receio é agudo em países com horror do socialismo ou do comunismo (vistos como as alternativas óbvias ao capitalismo de livre-mercado). Um tal quadro do presente conduz a uma questão final. Há esperança para o futuro?" (2010, p. 206.)

Seja o que for o "algo novo" a que os autores aludem, terá forçosamente de passar pela revisão desta voracidade gananciosa sistémica, pela denúncia da irracionalidade e dos efeitos tragicamente lesivos da antítese lucro fácil e mirabolante/debilitação, pobreza e fome, pela erradicação das imensas marcas feudalizantes que orientam as relações entre o poder político e o poder civil, a dinâmica das relações laborais, o binómio ética-conveniência pessoal/grupal.

Como o próprio Professor Paulo Borges afirma, cada um deve entender-se como uma solução para a crise. Mas é certo que há factores objectivos que, como ferros que moem, pressionam contra essa solução e ajudam a cavar o fosso das desigualdades e do desespero.

Pagamos os despautérios, as gestões criminosas, o enriquecimento. Dilectos, pagamos com os nossos direitos, as nossas parcas economias, o nosso quinhão de esperança, pagamos com tudo isso o enriquecimento diarreico da alta finança, a estultícia e venalidade dos governos, a impassibilidade mental e actuante das massas. A nossa impassibilidade crítica face à crise. Assinamos por baixo, anuímos tácita ou explicitamente a teorias que dão como inevitável o caminho do estrangulamento dos povos, fazemos vénias desgostosas, mas ainda assim vénias, à ilimitada crueza da especulação, especulação, especulação.

Eu sou daqueles que querem pôr em causa o sistema e as prioridades que nos aprisionam. Dos que acreditam que é possível a promoção da paz e da dignidade de todos, mas que justamente esses valores obrigam a alterações revolucinárias na nossa mentalidade e na nossa praxis cidadã.

E é em nome dessa convicção que adiro à manifestação efectiva e simbólica que é a Greve Geral para dizer que sou mais uma contra a onda do "vale tudo". Por um novo paradigma.

É o "algo novo", é o "algo novo" que se impõe. E agora, como sempre, é a Hora. Mas há agoras mais prementes do que outros e este é definitivamente um desses.

Bem vistas as coisas, foi a minha consciência que ouvi.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Carta aos campos


A Ribeira - Foto de Zim

Verde são os campos, da cor... cof, cof, não é isto.

Desta Lisboa fria e agora sempre molhada, escrevo-vos vales, escrevo-vos flores, sóis, luas à solta, cheiros do mato, copas que escondem e dançam segredos sem cansaço nem última revelação, em todo o ofuscante e demiúrgico esplendor da Natureza.

Escrevo ao rastro dos pássaros, ao perfume do ocaso, ao apocalipse do meu coração que ali e assim bate, em  paz comovida, de pão, de trigo.

Tenho saudades de passear muito livre pelos verdes, almejando azuis, a subir a cumes, a errar sem pressa. Mas bom é saber que está tudo lá, que temos onde voltar. E que num instante cada sombra e cada detalhe se reconstituem com a precisão do botão de rosa a crescer, túrgido, ou com a eternidade do cantar dos grilos -  mesmo aqui no peito dentro da nossa carcaça citadina embrulhada em roupa e saudade.

Faceiros apontamentos de Mãe

Sabem como é que a minha Magnificente Mamã agora acaba os telefonemas e os bilhetinhos que me deixa?

"Você é o elo mais fraco. Adeus."

Nunca viram nada igual pois não? Nem eu!

Notinha

Desculpem mas não resisto: já repararam no novo poema na barrinha lateral? Babem poesia...Eugénio.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Toutefois, nevertheless, contudo

Balão de ar quente - Irmãos Mongolfier, 1763

Mas, meus caros, é persistir. E persistir não é exactamente "malhar em ferro frio", ou insistir na "pedra dura" com a água mole. Persistir na anuência vital, e na assunção da vida enquanto viagem e Demanda. Significa isto que não há muito tempo a perder. O pulso acelera, os olhos querem horizontes para ver e criar, o balão solta-se e... zássss. É a aventura que recomeça. (Sem, na verdade, ter cessado. Só temos de estar conscientes da sua biologia e dos seus pés de sonho.)

Quem não apalpar cada dia novo como a um tenríssimo legume fresco, com prazer e virtude, perde a intentona a cores. O que é pena, convenhamos, o que é pena.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

IVA sobre as lembranças - perguntinha

Não sei que escalão terá o IVA sobre as lembranças do que foi e deixou de ser. Ou 6%, se forem entendidas por banais/essenciais, ou 23%, se consistirem em luxo suplementar aos olhos do legislador.

Andaremos todos a tentar esquecer alguma coisa? Porque nos lembramos, é isso? Persistimos numa convocação teimosa de factos, de idos, de passeios por uma tarde adentro, de confortos imensos mas rápidos na vida.

O que esquece usted, querido leitor? De que se lembra?

domingo, 20 de novembro de 2011

Não sei se estão a ver o problema desta perspectiva mas...

- Psssst...Portoghesini, destruam o vídeo, ouçam a Zim!

É preciso ver bem as coisas antes de falar, porque temos a tendência de muito verberar sem detença nem sentido.

Afinal, qual é o problema daqueles jovens? O Miguel Ângelo para a Mona Lisa? E depois? Já todos sabemos que o Miguel Ângelo e o Leornardo estão sempre associados! Tipo Da Vinci e Os Resistência, estão a ver? O Leonardo Di Caprio, bom...quiçá dê também uma perninha na pintura, não é artista? Os tectos da Capela Sistina...o Miguel Arcanjo? Mas com certeza que há aqui uma certa epifania não despicienda, o menino lembrou-se das alturas, da evocação celestial do universo pictórico...Todos sabemos que ficamos um pouco tontos de tanto olharmos para os tectos da Sistina, e é claro que isso pode induzir confusão, com o seu quê de trompe l'oeil a ajudar à festa. Não me parece tão grave assim.

E o realizador é ou não é o escritor de um filme? Manoel de Oliveira escritor...qual é o drama? De escritor e de louco todos temos um pouco, minha boa gente! Quanto à parte de Os Maias (o meu livro preferido, saliente-se) ter sido escrito por um tal de Egas...até devia ser elogiada essa pequena gralha. É que por certo o jovem recordava-se da figura intempestiva, inesquecível de João da Ega, um dos personagens que dão vida ao romance queiroziano. Não é que tenha treslido, ou sequer que não tenha deitado um soslaio à obra, apenas baralhou os nomes no stress inopinado da entrevista.

Nesta conformidade, tendo em conta a doce e pura frescura da nossa cândida juventude e, principalmente, o facto da troika andar aí e, se apanhar este vídeo, nos deportar inequivocamente, e a todos, para um qualquer território selvagem e desabitado a sul do Sahara, exortava fortemente a que retirassem a famigerada gravação de TODO E QUALQUER sítio por ponde possa andar a ser clicada, sublinhada, citada e gargalhada. Ai deixa-me cá falar baixo que até tenho medo que me descubram isto via Alegoria. Vamos a tirar o vídeo de circulação, ouviram, tirem o vídeo. Tirem o víííídeooooooooooooooooooo!!!...

Dois Meses


- Bilu, Zim!...


A Alegoria da Primaverve completa hoje, e muito feliz, dois meses de existência.

Sim, é um blog bebé, ainda rosadinho e fofo, mas já traquina, afoito e gracioso (gaba-te, cesto).

Muito obrigada a todos Vós, sublimes, dilectos e mais do que queridos leitores, por aqui virem, por comentarem, gostarem, lerem, dedicarem tempo e paciência a estas linhas tamborínicas.

Ao cabo deste período a Alegoria da Primaverve tem já centenas de acessos, muitas páginas lidas em países vários, da Rússia ao Brasil, da França à África do Sul, dos Estados Unidos à Espanha e à Holanda, etc....mas a maior parte delas, é claro, no nosso Portugal.

Gratíssima a todos os que, muito perto ou longe, nos visitam. A todos os bloggers amigos um grande obrigada, e a expectativa de vos ir tendo sempre por aqui. Um especial agradecimento aos seguidores da brincadeira.

Já sabem, sintam-se muito bem-vindos e...ainda a verve apenas despontou!

Abracinhos para todos.

sábado, 19 de novembro de 2011

Formosuras do Palato

Garden Tea - Susan Rios

Estar com fome e congeminar descontraidamente o que degustaremos ao almoço-lanche-jantar (caso desta minha refeição compósita que se seguirá ao presente post), é um prazer sempre reconfortante.

Antevejo pequenas rodelas de chouriço de seitan (100% vegetal, portanto), primorosamente temperadas com pimenta branca, gengibre e geléia de pimenta vermelha. Torradinhas com azeite (delícia!) e uma colherzinha de açúcar amarelo. Feijão...ou grão-de-bico a acompanhar. Um chá a escolher. Uns quadradinhos de chocolate preto (sem leite).

A vida, dilectos, é agrabadilíssima. Brindezinho.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A virtuosa nudez na voz brasileira e na lente fotográfica ucraniana


João Gilberto canta Da Cor do Pecado (Bororó)


Foto de Mikhail Palinchak

Se o João Gilberto apenas tivesse gravado Chega de Saudade  trazendo assim, nas cordas do seu inefável violão, a abençoada Bossa Nova, esse facto bastaria para que o amasse para sempre.

Mas o oceano de veludo da sua voz é inestancável. Assim como o da insustentável maciez dos sons produzidos pelas suas mãos rigorosas. Como exemplo, confiram esta outra jóia da autoria de Bororó.

Viva a nudez impune do talento e da beleza.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Também vou comentar a polémica

- Vão de retro patetas unidos!

Salve, salve leitorado!

Pois é, já todos devem ter visto as imagens do novo anúncio da Benetton. Deu a marca betinha de ensandecer e de escarrapachar altas figuras da cena política internacional aos beijos na boca umas às outras, entre uma aura pretensamente casta e a desbunda geral.

O meu veredicto é que o dito anúncio devia ser retirado imediatamente de todo e qualquer sítio onde possa ter sido colocado/divulgado. De facto, desde quando é que aquelas pessoas deram a sua autorização para figurar em tais montagens e em semelhantes preparos? A mera utilização da imagem de qualquer pessoa num anúncio sem autorização deveria ser, e é certamente, proibida e ilegal. A acrecentar ao uso indevido, o abuso das circunstâncias em que as imagens são apresentadas.

Ah, é polémico. Pois, mas assim é facílimo polemizar, com as caras alheias, com os outros a fazerem as figuras por nós. Por que razão não dão os anunciantes a cara, e o que mais desejarem? Ah, pois, é refresco, está bem, e tal.

Vetado. Totalmente. Fora o mau gosto e fora a apropriação ilícita!

Uma grande língua de fora para este odioso "unhate". Se não adorassem tanto o vil metal, talvez se poupassem a estes papelinhos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pequeno devaneio tamborínico...

...ou A modelo passada ataca com as suas maravilhosas NAE B-Gun



Biqueiras de aço que dançam
 

Obrigada NAE!


Sossegai multidão! Este blog não começará a desfilar modelitos a cada posta. Não que não sejam lindos, os meus...

NAE - No Animal Exploitation: a entrevista por Tamborim Zim


No Animal Exploitation

Fabulosas Nae B-Gun (fotos do site da NAE)
Contactos:
NAE
Rua Dr. Mário Charrua, nº35, RC – FTE. 1495 – 169 Algés. Portugal
Tel: + 351 910 535 595 email: info@nae-vegan.com

Queridos e atentos leitores, tenho a honra de iniciar do melhor modo a rubrica de entrevistas aqui na Alegoria da Primaverve, cuja periodicidade é totalmente descomprometida (na justa proporção do "quando calhar" e sempre que surgirem entrevistas interessantes no horizonte). Em jeito de nota brevíssima mas devida, faço questão de esclarecer que esta entrevista não implicou qualquer tipo de retorno material, financeiro ou outro, uma vez que foi em gentil resposta ao meu convite que se tornou realidade. As únicas trocas? As melhores: ideias, palavras e paixões.

Nuri Blue & Grey (foto do site da NAE)
Posto isto, escrevo-vos ao som de uma chuva e de uma trovoada épicas. Tudo a ver com os meus primeiros entrevistados: NAE (No Animal Exploitation). Esta empresa de calçado reúne todas as características que conquistam a minha admiração por uma marca: ética, elegância, conforto, resistência, profissionalismo e simpatia. Como perceberão, não se trata de uma simples marca, é um projecto que se desenvolve num propósito e com uma missão. Dei com eles quando procurava afanosamente sites onde encomendar calçado sem qualquer produto animal, ou seja, vegan. Dentre marcas italianas, norte-americanas, inglesas, etc., surgiu-me uma loja on-line de...Algés! Foi amor à primeira vista com um par de ténis e um par de botas, e tenho a dizer que fiquei fã da eficácia do serviço de entrega. Tudo é bonito e tudo cheira a elegância e a lisura - e nem um bocadinho a couro e a tortura de animais. Afinal, qual é a justificação para tirar vidas ou impor sofrimento para nos calçarmos?

É para dar a conhecer aos meus dilectos leitores o espírito deste meritório projecto que defende e pratica um comércio justo e ético que pedi à NAE uma entrevista, a qual simpaticamente me concederam e que muito agradeço. Não percam.

TZ - Muito obrigada por aceitarem esta entrevista a convite da Alegoria da Primaverve. NAE: No Animal Exploitation. Como é que surgiu a ideia para o nascimento desta empresa de calçado? Parte de uma filosofia, de uma necessidade?

NAE - A NAE nasceu de um desejo de criar um negócio que não fosse um negócio meramente com o objectivo do lucro, mas que fosse baseado numa filosofia com a qual os seus criadores se identificam que é uma filosofia vegana. Como tal, pensamos que seria interessante estando nós em Portugal, um país produtor de calçado por excelência, criar uma empresa de calçado vegano, i.e., sem qualquer produto de origem animal, com toda a sua produção feita em Portugal, para dar resposta à crescente procura deste tipo de produto.

TZ - Como responderiam às pessoas que afirmam que a indústria do calçado é um subproduto da exploração animal, e que os animais não são mortos de propósito para o fabrico de sapatos?

NAE - Comprar artigos em couro, nomeadamente sapatos, significa apoiar diretamente a indústria da carne e o sofrimento que ela implica, sobre os animais, as pessoas e o ambiente. Grande parte do couro produzido vem das vacas que passam grande parte das suas vidas confinadas num espaço reduzido sujeitas aos mais variados tipos de procedimentos dolorosos, como sejam a castração, corte de chifres, marcação a ferros etc., sem que tenham qualquer tipo de cuidados médico-veterinários. Está também comprovado que a indústria de curtumes produz resíduos sólidos tóxicos que têm  consequências terríveis no meio ambiente e na vida humana, por via da contaminação do ar e dos rios. Nada disto é justificável, pelo que é importante que cada vez mais as pessoas se questionem acerca da origem do que compram e usam. É urgente um aumento da consciência social relativamente ao impacto que determinadas indústrias têm na vida humana, não humana e ambiental.

Dito isto, a indústria da pele (calçado) NÃO é um subproduto da indústria alimentar, muitas vezes é o contrário, a procura da pele é tão elevada que faz descer os preços da carne. Deixe-me colocar só um pequeno exemplo que clarifica o argumento: imagine uma família com quatro elementos. No pior dos casos essa família come 2 kg de carne por dia, o que é um exagero, mas se assim fosse daria 730 kilos por ano. Isso é algo mais do que o peso de uma vaca. Portanto essa família super-carnívora cria uma procura de uma vaca por ano pela carne. Tente imaginar a quantidade de pele que pode consumir por ano uma família: sapatos, malas, cintos, casacos, pastas, etc. A pele de uma vaca não chega nem por perto para satisfazer a procura de pele de uma família para um ano, e agora imagine que essa família decide comprar um sofá em pele de quatro lugares ou comprar um automóvel com estofos em pele. Será necessária a pele de pelo menos duas vacas durante dois anos, contando que comem DOIS KILOS POR DIA.

Portanto, os animais são mais explorados pela pele que pela carne. Se deixássemos de utilizar artigos em pele, quando temos alternativas, a procura da carne iria diminuir porque o seu preço vai aumentar, um princípio básico da economia. Os animais explorados seriam menos, e o meio ambiente iria sem dúvida agradecer.

TZ - Quais são os produtos utilizados nos vossos sapatos, e quem é o responsável pelo seu design?

NAE - A NAE utiliza normalmente microfibras para substituir a pele. As microfibras são compostas por uma mistura de poliester, nylon e algodão. As percentagens variam dependendo da microfibra. Algumas mais resistentes, outras mais finas. São microfibras certificadas para calçado. Impermeáveis, transpiráveis, antialérgicas, etc. Também temos calçado com algodão, e a nova coleção de verão 2012 vai ser baseada na cortiça, material vegano, ecológico e biodegradável. Muitos destes produtos vêm da Itália uma vez que ali se fazem coisas de muita qualidade. O resto é de Portugal e Espanha. Não compramos nada fora destes países, mesmo que os preços da Ásia sejam muito mais baratos. A nossa filosofia de produzir o nosso calçado localmente também se aplica na compra das componentes. Para as solas temos muita variedade, utilizando em algumas sandálias pneus reciclados. Vamos tentar implementar este tipo de sola reciclada em mais modelos.

Em relação ao design do calçado temos diferentes maneiras de trabalhar. Alguns modelos são encarregados a designers de calçado externos à NAE. A maior parte surge de nós próprios com a ajuda dos gabinetes técnicos das próprias fábricas.

TZ - Têm verificado um aumento de procura dos vossos produtos?

NAE - Embora tenhamos começado com a NAE logo no meio desta crise, onde as pessoas perderam poder de compra, a NAE tem visto aumentar a procura dos nossos sapatos. Isto é devido a uma visibilidade maior da nossa marca nos meios, fundamentalmente na internet, assim como ao incremento dos consumidores "éticos". Por exemplo em Espanha, este último ano, onde se fecharam imensos comércios, vimos que abriram muitas lojas veganas. Isto significa que a cada dia que passa há mais pessoas a consumir de maneira mais consciente e ética, com as pessoas, com os animais e com o meio ambiente.

TZ - Qual é a sensação de se ter um negócio que é mais do que um negócio, fundamentado numa filosofia e numa ética deste modo activos - e criativos?

NAE - A sensação que sentimos é de uma grande satisfação cada vez que vendemos um par de sapatos. E essa satisfação é por saber que além de estar a fazer crescer o nosso negócio, estamos a divulgar uma filosofia em que acreditamos fortemente e a contribuir para um comércio mais ético e justo com respeito pelo meio ambiente, o sofrimento animal e a exploração laboral.