terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A celebração laboriosa da renovação

Falésias do Sul. Appledore - Childe Hassam (1913)
 
Havendo o frio, que este cante melodicamente, mas de forma decidida e cortante, como fogo desde o fôlego do frio, para aclamar a frescura. Vigore o vento, que o mesmo dançarino desassombrado tudo desarrume e desassombre, ponha fora do lugar para que se restabeleça por maiores sentidos a harmonia precisa. Sendo chuva, que lave o ar, as palavras e memórias, os planos para que possam ser não exatamente os mesmos, mas os melhores e mais altos ao serviço da nossa necessidade e da nossa inestimável demanda. Fluidifiquemo-nos, edificados e sãos. Sabemos que o nosso mérito é mui discutível; mas ainda assim. Que a água apare as bordas do mundo e a gentilíssima compleição da rosa e nos dê caminhos aprazíveis e nutridos de vivificante seiva. Do escuro provenha um outro escuro, um mais denso mais pontilhado negrume em que por vezes estrelas estrelejem, luas luzam, mas sobretudo que um iniciático porvir desabroche desse maturar enriquecido da ausência de distração. Quando luz, que se espraie, esplendorosa, e nos alague num maravilhoso contorno de cores justas, de não distorção, mas de apelo ao paraíso cultivado do possível. E que do sol mais frutado do tempo brote a imarcescível diafaneidade do bom, do bem, e que se prolongue, e que nos tanja, e que tanto nos soletre e nos dance num soneto bem-aventurado, a brindar com cálices cheios da melhor espuma de esperança, que aguardara em envelhecidos barris franceses de 1832, diretamente para o presente e para banhar o futuro que germinará do novo, no maior derrame de labor fermentado pela melhor vontade.
 
Todas as coisas boas para todos, em 2014 e sempre.
 
Feliz Ano Novo!

Ingredientes únicos, pessoais e intransmissíveis

Mirem a barrinha lateral e o seu novo poema.

Lembram-se do PAF? - Súmula balançada de 2013

Próxima paragem?
 
Pois isto nada como dar umas miradelas aos posts que se foram escrevendo ao longo do ano para aclimatar o balanço do cujo.
 
Em geral, gostei mais de 2013 do que de 2012. Mas do acrónimo plenipotenciário PAF (Poupança, Ação e Fruição), que preconizara para o ano agora findo, apenas se salvou a Ação e parcialmente, porquanto no terreno exclusivo do labor, e a Fruição: muita música ao vivo com o advento magnífico no Ano do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil, através dos inesquecíveis espetáculos cheios de cor, luz e som do Espaço Brasil. Saudades já! A confirmação do interesse pelo jazz, ai que bole, e deixa bolar. Muita deambulação europeia, alguns rostos novos de cidades nunca vistas, muitas exposições de pintura apaixonantes, muito boa escultura. O regresso à leitura, com excelentes exemplares, com revisitações e descobertas absolutas. Eia, eia, eia. O regresso langoroso, dado, extático, ao mar! A fruição campestre no Verão e no Inverno. Ter explorado Paris com os meus Pais.
 
Quanto à Poupança, nicles: nem de euros, nem de desgaste. Apenas em certos detalhes muito específicos. Os males do mundo, a falta de cortesia, de ordem, de respeito e de civismo continuam a pôr-me adoudada, e isso não pode replicar-se no vindouro conjuntinho de dias, não pode. Não é o "junta-te a eles", mas o "defende-te do que te aleija a ti". Inventei agora, parece-me que bem. Deceções pesadas, pois que também vieram no cardápio. Sentimentos de esquecimento e de injustiça, de desmotivação irracional. Mas também surpresas delicadas, boas pessoas que se encontram, a iniciação à meditação, a genuína procura de algum adestramento, ainda que com tantos auto-escolhos. O auto é o problema. Posso dizê-lo, porque sequer jamais tentei tirar a carta de condução!
 
Todavia alguma coisa importante começou, uma pequena seletividade, uma pitada de recomeço e de redirecionamento. Proto-ação? Proto-ação comilão? Assim o espero, assim o espero.
 
Ano de muita intensidade em vários momentos, e de demasiada lassitude em aspetos particulares que precisariam de sol, de sal, do A do PAF!
 
Eh bien, nada a fazer (agora), o ano findou. Que o que de bom trouxe se expanda, e que o mau regrida, até se extinguir.
 
Que, de essencial, as grandes felicidades se mantenham.
 
Byezinho 2013, o ano em que tomei banho no mar Báltico... com friozote! ;)

sábado, 28 de dezembro de 2013

A importância de reler

Reading woman in violet dress - Matisse
 
Continuando em retiro campestre, dentre chuvas e ventos, jardins muito aguardados de céu azul e mais chuva, e já agora o seu pedaço de frio, celebro o facto de ao longo deste ano ter lido mais do que nos últimos tempos. Talvez há muito tempo não lesse tanto (não sendo muito), e com esta frequência, e isso alegra-me de facto. Deve dar uma média de um livro por mês.
 
Como já vos disse, ou se não disse pensei dizer, reli A Capital 16,5 anos depois da primeira vez, numas férias também campestres, também aqui. Ler o Eça no campo tem um sabor ainda mais intenso, ainda mais... queirosiano. Mas que bom. Claro que não menos do que amei a releitura, não me lembrava de praticamente nada, a não ser da marca do Eça, que percorre tudo quanto toca.
 
E na sequência dessa leitura, mais uma vez me assaltou a ideia de que é importante reler a literatura que nos é essencial. Passar quase 20 anos sem revisitar estas pérolas é uma perda enorme no nosso património cultural, estético, humano. Assim sendo, porque não tirar uma parcela das leituras do ano novo para as releituras? Hum? 3, 4 releituras por ano, não magoa e pode ser tão instigante quanto da primeira vez. Assim com os discos, também, com os filmes... E quantas vezes resistimos a rever aos quadros que nos fazem vibrar? Que jorre em nós continuamente o que por nós for amado. Para além disso, e como dizia o bom do Heraclito, "Não se entra duas vezes no mesmo rio".
 
Brinde a todas as boas leituras.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Diva está entre Vós

 
Matem o estilo da botilde sem marca do Jumbo. Este blog é do glamour, carago!
 
 
Meus repenicados, cristalinos, algodónicos, tenazes, resilientes e encantadores leitores, quantos perdões precisareis que implore por esta ausência marota e tanta? Mil, muitos mil! Aqui estão, com uma vénia sincera aos meus seguidores e leitores inefáveis.
 
Não fiz de propósito, mas há precisamente  um mês que aqui não escrevo. Não vos iludais, porém! A Alegoria não acabou, pelo contrário. Espero que de hoje em diante a possa regar com maior regularidade, mas também sabem que gosto de manter o número de compromissos no mínimo possível!
 
Há tanto a dizer, a comentar, a bitaitar, que é difícil recuperar em algumas linhas todo um mês. Mas tentemos.
 
A notícia mais relevante, a da morte do grande homem Nelson Mandela. Madiba, que tamanho de exemplo, que budismo sem budismo, que religião sem liturgia, que bondade e paz inspiraste. A recordar e a vicejar sempre no jardim da nossa humanidade. África do Sul, prossegue o teu destino e usa as tuas maravilhas.  Não deve ser fácil ter uma besta vil como o Zuma no poder, assim que possam livrem-se dele, olhem o exemplo maior!
 
Os meus Pais queridos, sublimes, maiores, fizeram 50 anos de casados, Meio século, garanto que é  sério. No meio de tudo, álbum de fotos e recordações várias, ainda obsequiaram os filhos com presentes lindos. Gratidão e amor.
 
Este ano laboral foi o mais diferente de todos da minha vida. Muitas viagens pela Europa, uma iniciativa apaixonante e que me apaixonou, com conteúdos em que amei ter trabalhado, mas agora é hora de mudar. Foi com um paradoxo de tristeza e de alegria que passei a pasta voluntariamente. A reciclagem ajuda a manter a frescura, mas não esquecerei a intensidade, os destinos, as ideias e pessoas com que me cruzei.
 
Acabei de ler A Descoberta do Mundo, umas crónicas da Clarice Lispector. De pormenores prosaicos da domesticidade às grandes questões da vida, da solidão que vara as noites a episódios graciosos e divertidos, Clarice simplesmente deslumbra (como sempre, é impossível ser diferente) nestas quase 700 páginas. É uma introdução maravilhosa a esta escritora, a melhor que conheço, para quem ainda não teve o prazer. Brindem-se com este presente inesquecível para o Ano Novo!
 
Como sabem, o meu coração anseia, como numa procura desenfreada pela ancestral natureza, por recolher ao campo sempre que possível. Este, e pela primeira vez na vida, estou a passar as férias de fim de ano na amada terra do meu Pai, no coração central, verde e viçoso, com montanha, com aventura, com mistério, deste nosso País tão bonito. Quanto mais se viajar, mais se pode concluir que temos um País para lá de cativante, diversificado e tão, tão bonito. Campo maravilhoso, extenso, doce, agreste, areal, mar. Cidades encantadoras, gentes amigáveis. (Hoje estou só pelo lado positivo e amável pois tinha saudades de falar convosco.)
 
A minha primeira leitura de férias foi o primeiro livro que li do Valter Hugo Mãe, A Desumanização. Um portento de sensibilidade e imagética, um desfilar de palavras, sentimentos e pensamentos que pertencem a uma grande autoria e a um grande escritor. Que prazer tê-lo conhecido e ter ganho, desse novo, um novo amigo literário!
 
Neste momento releio, 16,5 anos depois, A Capital, do incomparável e inigualável Eça. Amo lê-lo aqui no campo, amo ter o mesmo, ou ainda maior prazer ao lê-lo agora. Ou não sei, prazeres diferentes. Com 21 anos eu não sou bem o eu de agora, com 37. Assim é, e assim continuará a diferença a ser.
 
À medida que vos escrevi, lá foram a árvores empenham-se em danças loucas, danças de ventanias agrestes, de chuvas insistentes e de gritantes solidões. Amenizar-se-ão depois, para dias bons, em que sob o céu azul fiquem encantadoras e secas, sorridentes  lavadas. Assim seja, que quero ir lá para fora passear!
 
Beijinhos, abraços, umas excelentes férias, umas excelentes pausas, risadas, e uns acutilantes balanços e formulações de exaltantes desejos.

domingo, 24 de novembro de 2013

Apesar dos vastos males do vasto mundo

Da fome, da miséria, da crise, da troika, da cuca maluca, do crack, das croques, do excesso de carros e de motas, do desconforto, dos rigores do frio, da chateação laboral, do diminuto tempo dos fins-de-semana, há coisas que paulatinamente se resolvem. Como esta:

 
ganhei um lindo roupão! Grata mana!!!
 
 
É azul. E mais não digo.

sábado, 23 de novembro de 2013

O rap hiemal

Tambo a "cantar" em Viena


Oba oba
O frio já chegou
Na rua está ventinho
E o sol já se evolou
Oba oba
O outono já foi
Agora todo o dia
É um tal frio que dói
Traz o sobretudo venha a alpercata
Esta rajada devora-nos à farta
Epá epá mantenham a distância
Um espirra e vem miasma
Cuidado com a ambulância
Oba oba, venham  xaile e chá
A mim só me convém
A mantinha em tafetá
Apre, apre
O rigor vem da janela
O melhor é eremitar
Ou nadar na panela
Oba oba
É a castanha assada
Não que goste do sabor
Mas com o frio não digo nada
Traz o sobretudo venha a alpercata
Esta rajada devora-nos à farta
Eia, eia, venham  xaile e chá
A mim só me convém
Afundar no sofá
E repeat e repeat e repeat....

domingo, 3 de novembro de 2013

O que eu queria

Uma das preciosidades de Renoir
 
Nada como uma dominguinha a raiar para um começar logo num ressabiamento crescente com o que vai ter de aturar na semana vindoura. Não posso ser complemente injusta, já que a semana me levará a uma das cidades mais amadas: Paris. Mas assim no geral, entendeis, sabeis o que eu queria?
 
Queria mudar-me com os meus poucos pertences, de mala e cuia, para o amado campo, o centro, o coração da natura. Lá teria como vida frentes várias e todas no ativo, porquanto receberiam o fôlego da motivação de quem vive como quer. A terra seria cultivada com grande intensidade. A cozinha clara e com vista para o pinhal encher-se-ia de olores maravilhosos de doces vegan. Cacau, bolos, açúcar amarelo, mousses, oh! Tentaria vender esses produtos, e talvez me dedicasse a uma coisa que me interessa: "jóias" naturais. Pulseiras de casca de eucalipto, anéis de corcódia, pedras, terra, flores. Exploraria, cientista amantíssima, as virtudes das boas ervas, venderia chás (chás de facto e não infusões).
 
Depois escreveria, e leria, e ouviria música, e veria filmes e séries e, mais importante, passearia até que se instaurasse uma sintonia diária com a Natureza e com um novo ritmo vital e existencial, que conheceria nuances quando me apetecesse (e pudesse!) viajar um pouco mais longe.
 
E queria, claro, a eternidade em vida.
 
Isso era o que queria, camaradas.
 
E ustedes?

sábado, 26 de outubro de 2013

A Grande Metanoia

 
 
Querem meu sangue - Titãs e Compª.
 
 
Em dia de manifestação a que por burrice não fui, camaradas leitores, aldogónicos e sagazes compinchas de leituras e devaneios, venho eu própria aqui manifestar-me de uma outra forma. Leiam-me, por favor, toda cheia de cartazes e dizeres na testa, com graffitis gravados no cérebro, leiam-me por obséquio aos berros, porque é aos berros e a expelir cocktails molotov (não pode ser porque sou vegan mas percebe-se a ideia) a 300 à hora que este meu coração já não tão jovem assim mas ainda muito tolo, muito assolapado e muito infrene desfere neste preciso momento.
 
A força de um e-mail, meus amigos, a força de uma mensagem desconexa e desmotivadora! O que pode haver de salvífico na ilogicidade e no despautério!
 
Quando gostamos do que fazemos, a tentação de fazermos mais do que temos de fazer de acordo com o nosso horário (já para não falar nas parcas remunerações), tende muitas vezes a dominar. Trabalhos ao fim-de-semana, fora de horas, stress porque ainda não está como queremos, nem o que queremos, cuidados pelos prazos, e por aí fora, ditam muitas vezes essa omnipresença do trabalho.
 
E depois... Uma vez, outra vez, outra vez... Tau! Mais uma paulada desmotivadora, mais palavras e pensamentos sem fundamento, mais um retrocesso na nossa crença em determinadas instâncias do universo laboral.
 
Por isso, meus queridos, aqui vos asseguro: que se lixe não só a troika, mas tudo o que for absurdo nas nossas vidas, particularmente no trabalho: fora o desrespeito, a incoerência, a incompetência e a irracionalidade. Fora a desmotivação de quem é automotivado pelo seu brio, inteligência, perseverança e seriedade. Basta de tourada! WTF! Chega. E não me apoquentem, e não me pisem. Porque, pessoas, eu reajo. Reagi, reajo e reagirei sempre. Com respeito, mas não sem reação. Read my lips.
 
Trabalho é nas horas certas e no local para isso. No mais, meus queridos...

Out of office .

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O blog da Bela

Princesa Sara


Para as meninas e os meninos que possam ser fãs da Sara Carbonero (todos os motivos são válidos, ah persupuestiiio), aqui fica o seu blog a estrear para a Elle Espanha. Neste blog, Sara dá conta, num estilo intimista e descontraído, de gostos pessoais, perspetivas e percursos pessoais e profissionais.
 
Já está na barrinha dos "blogs sob mira".
 
Não sei se é possível ser-se mais bonito. Hesito.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

À beleza não se resiste


NAE: Cleta e Saka

Apresento-vos em primeiros pés as minhas novíssimas aquisições NAE . Não faço publicidade paga, e não me canso de dizer que é um encanto para mim ver este comércio justo, lindo, ético, fashion, estiloso e simpático florescer. Com gente boa e boas ideias. Um serviço magnífico, opções para lá de mimosas.

Foi-me impossível escolher e então adotei estas duas.

Não são tão bonitas?

sábado, 19 de outubro de 2013

Por favor considerem isto



" Acredito que a razão real pela qual matamos e comemos animais é simplesmente porque podemos, e isso simplesmente não é suficiente para mim. Só porque podemos não quer dizer que devamos."
 
Ninguém, pessoa alguma que se resolva a raciocinar calmamente sobre o assunto, e a sentir, pode continuar a comer animais, e a pagar para matar e explorar animais. É simplesmente impossível, e faça o leitor a prova consigo mesmo. Seja a sua prova dos nove, e que a validação se dê dentro de si.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Seconda notorra, o Mantorras que perdoe

Parece que não tínhamos mais nada com que aborrecer esta extenuada pátria. Ainda temos de aturar as idiotices, o "baixa calcismo" deprimente das nossas desgovernamentais relações com Angola.
 
No entanto, e porque obviamente nem tudo é mau, ora bem, dedica-se o Jornal de Luanda a rábulas fora de série. Que se Portugal não se comporta, que se Portugal não sabe guardar segredo de justiça, que se Portugal aqueloutro, mau, então não estamos à altura de Angola para entabular negociações. Depois de um jorrar ininterrupto gargalhalóide-bandeiras-despregadas, devemos sensatamente atentar na racionalidade angolana - e sabemos da tradição filosófica desta grande nação africana. Nós, ou seja, Portugal não está, reparem, à altura daquelas bestas nefandas daqueles governantes energúmenos, que assaltam o seu próprio povo, que sempre o fizeram, que provavelmente sempre o farão, para além da anormalidade partilhável com qualquer governo do mundo, mas com requintes de desigualdade, malvadez e sem vergonha imbatíveis. Caríssimos, claro que não estamos à mesma altura. Angola simplesmente está num nível subtérreo, tipo centro da terra estão a ver, e isso explica as relações internacionais problemáticas que mantém com qualquer alminha.
 
Assim, parem é de explorar o vosso povo e ganhem vergonha nas fuças, que a gente por cá deseja muita saudinha (ao vosso povo em cuidados, obviamente, não ao bando de larápios que o esmaga). Infelizmente, falta ainda liberdade, coragem e sobretudo instrução para que fermente uma primavera africana a sério. E aí, aí meu povo, será a glória.
 
País irmão? Angola? Por favor, não me façam rir. Nunca o consideraria. Irmandade pressupõe um mínimo de respeito, humor, boa vontade, honestidade, partilha, empatia. Guardem a muamba pá, e passeiem muito nessa Baía tristonha que nunca mais arranjam!*
 
 
 
* Claro que este post não se destina aos bons Angolanos/nados nesse país. E não, não estou a machetear!

Duas notorras, sendo esta a prima

Sem palavras para explicar o esmagamento anímico (e financeiro) que estas últimas medidas do desgoverno pretendem impor.
 
Roubar para a estrada seria pelo menos passível de perseguição policial, podia ser que alguém os apanhasse.
 
Quando é que FAZEMOS alguma coisa decente, minha nobre gente?

domingo, 13 de outubro de 2013

Latinidade, vulgaridades e delícias





 
 






Vistas variadas, escultura insuflável de Marc Quinn que todos os dias se monta e desmonta na ilha de S. Giorgio, declaração de civilidade que fica lindamente em qualquer solo do mundo, Lido, pizza vegan, Bienal 2013 mood


Cá por mim deleitosos leitores, confirmo: centro/sul da Europa: sim! Mas compara-se lá a beleza de Veneza, uma, ou mil mãos plenas de leques-cenários, tortuosos mistérios, delicadas pregas de água a bailar nas vistas e nas lentes dos transeuntes com o aborrecimento clean das cidades do Norte europeu?! Jamais!
 
Claro que a barulheira, a chinfrineira, etc., também não se comparam ao silêncio calmante lá de cima. Não diria que Veneza, onde já tive o prazer de estar várias vezes ao longo da vida (mas apenas no Verão), fosse a cidade em que mais desejaria viver - toda a gente sabe que essa poderia ser o Rio, se o Rio não estivesse como está...ainda. Até diria que provavelmente me veria a viver no Lido, com várias incursões na alma da Serenissima.
 
Mas os seus corredores de sonho, as surpresas em cada canto, rua, canal, curva, cor, capitel, coluna, frontão, janelas, janelões, janelinhas, varandas, registos, oh....As gôndolas, sempre damas finas de rendas e veludos, até o comum vaporetto é romântico! O vapor, os vapores de Veneza, a sua respiração vagarosa, a lentidão fílmica dos seus tempos.
 
O Grand Canal, o azul da Lagoa, a dispersão amorosa das suas ilhotas preciosas, e depois num outro lado, um diferente perfil, e a agitação extravagante do mar de Lido, um Adriático arrepiado e com um pôr-do-sol belíssimo.
 
De um jatinho à noite, vi uma pequena exposição da Bienal, alusiva a exposições passadas, e pela primeira vez lá m sentei no Florian a descontrair de uma série de reuniões daquelas em plena Piazza di S. Marco.
 
Assim, e apesar de ser ótimo conhecer locais diferentes, para passar uns dias deem-me o pleno, a abundância, o deslumbramento do melhor da estética europeia!


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O seu...

Veneza

... a seu dono.

Tudo isto para dizer que vou laborar até Veneza, uma das minhas duas ou três ou quatro cidades preferidas.

A presto!

sábado, 5 de outubro de 2013

Momento fashion da melhor qualidade

 
Saka - NAE - No Animal Expoitation. Fashion with compassion
 
 
Na semana vegetariana a decorrer de 1 a 7 de Outubro, a fabulosa NAE está a fazer promoções mais do que vistosas (20% de desconto!), e continua a apresentar uma linha absolutamente sedutora de calçado, com algumas novidades exultantes.
 
Como exemplo, estas retumbantes Saka. Cá virão ter aos pés amantíssimos de Zim nos próximos dias...
 
Boa semana vegetariana!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Animal

- Por favor não nos façam mal! Não são lindos os meus filhos?
 
 
Hoje é o dia mundial do animal. Não humano. Tão senciente quanto o homem, e a mulher: dores, prazeres com a mesma natureza; medos, alegrias com a mesma feição. Ansiedade, conforto, afeto, birra, malandragem.
 
Sabemos muito bem que sorriem, e não apenas cães e gatos, mas os outros têm menos motivos para sorrir.
 
Os animais não são coisas. Os animais não são comida, empacotada, embalada, dentro de panelas e pratos. Os animais têm os seus próprios sentimentos, a sua própria beleza.
 
Os animais querem o que nós queremos: ser felizes e livres.
 
Não lhes infligir sofrimento não é uma grande coisa: é o mínimo que a decência impõe.
 
Por favor, sofistiquemos o que temos de melhor, os nossos corações, os nossos sentimentos.
 
Parem de comer animais. Stop canibalismo. Pssst, leitor: considere a mudança.
 
Por favor.

domingo, 29 de setembro de 2013

Zim ataca a urna

Tambo vai a votos
 
Ora bem, e neste dia cinzento, um pedacinho opressivo e chuvoso, lá fui eu da parte da tarde exercer o meu direito, e vou de por as cruzetas nos sítios para as autárquicas.
 
Ainda estava na pequena fila e o meu olhar picuinho-satírico lá embateu numa parte da secretária que sustentava as urnas da minha mesa. Pois num bocado de ferro, à frente de um nome de uma pessoa, ali estava ostensiva, ofensiva, ferozmente: "SLB". Hum. Hum, hum, hum. Quando chegou a minha vez lá lancei, galhofeira: "Bem tenho de dizer que não há aqui a necessária neutralidade nesta mesa de votos. Pois há aqui um SLB na mesa". Sorrisos, risadinhas, e em segundos toda a mesa de votos (toda), brincava com os clubes. Eu e a senhora que me dava os boletins chegámos à conclusão que tínhamos as cores trocadas, já que ela é do Benfica e estava de azul e eu do PORTO e tinha uma écharpe laranja e vermelha (linda minha querida amiga L.), e outro simpático senhor confessava que também ele estava todo trocado, já que a sua cor (e apontou), era a do chapéu de chuva de uma senhora que por ali estava (vermelho), sendo os outros dois elementos do Sporting. Chegámos alegremente à conclusão que havia ali a devida representatividade.
 
Nisto, com um ar ordeiro e freirático, vem uma senhora que tinha acabado de escolher as suas cruzetas, e comenta que não é nada hábito estar-se a comentar os partidos de cada um na mesa de votos, e de que cor as pessoas são. Logo ali esclarecemos que, minha senhora, estamos a falar de clubes, eu assumi mea culpa mea culpa, recebendo um olhar sereno-reprovador-condenatório da daminha, mas de facto a observação era totalmente clubística.
 
Depois despedi-me dos senhores da mesa, pedindo desculpa pela minha brincadeira, e eles que nada disso, que também temos de levar isto um  pouco a brincar. E não é? Desejei-lhes bom trabalho e lá fui eu, deixando um dos senhores simpáticos a explicar à senhora de azul a reprovação da outra senhora. (Passei pela FNAC e, graças à festa do cinema, andam por lá umas promoções bem jeitosas. Tive de trazer o Gatsby, porque sou uma fã adolescente do Di Caprio, sempre um estouro.)
 
Agora a sério: serviço feito. PAN para Câmara de Lisboa e Assembleia Municipal e, para a Freguesia, CDU (não havia candidatura PAN para a minha, e não pensem que vou alimentar o status quo do disparate e dos interesses escusos).
 
Vamos lá ver os resultados, as suas leituras, e as suas consequências (que temo sejam insuficientes para esta gente do governo se tocar e ir de varapau para outro lado). Mas todos os passos são importantes.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Uma palavrinha antes do dia da reflexão nacional começar

Antes da Nação meditabundar o sábado inteiro, cá este blog não vai deixar perder-se a oportunidade de acicatar os seus leitores fartos da bandidagem, incompetência, inclemência e servilismo estéril. No Domingo, considerem a possibilidade de não votar nos mesmos, nesses mesmos responsáveis pelo poço escuro em que estamos. Nem PSD/PP, nem PS camarada. Há alternativas, há gente boa com programas bons. O que é que temos a perder?
 
Voto Paulo Borges para Lisboa. Ajudem o PAN a conseguir resultados merecedores do empenho e da qualidade deste jovem partido.
 
Votem em consciência, ética, e vontade de mudança. Mudança.
 
Disse
 
mudança.
 
Não disse mais do mesmo ou parecido.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Da primeira vez, este poema

António Ramos Rosa


 
Nascimento Último


Como se não tivesse substância e de membros apagados

Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra

E germinar no sono, germinar na árvore

Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva densa

Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada

No encontro e no abandono, na última nudez,

Respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva

Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível

E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila

E o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços

Entre rumores e rios a morte perder-se-ia

88 anos não é idade para partir

António Ramos Rosa
 
António Ramos Rosa faleceu hoje, e agora que o soube fiquei triste. Recordo exatamente o momento, a altura do dia, o sítio do Planeta (Salvador da Bahia), em que comecei a amar os seus poemas, que se juntavam a uma bela coleção de fotografia. Há 11 anos.
 
Mais um monumento, (e que, quão grande!), que se integra nas nossas memórias, vivências, património, agora puramente imaterial.
 
Salve poeta.

domingo, 22 de setembro de 2013

Sejas bem-vindo, Outono

The Sea from the Heights of Dieppe - Eugène Delacroix

Atenção que este post foi devidamente agendado para as 21:44 hora exata a que, segundo a minha fonte informativa, tem lugar o Outono neste 2013.
 
A glória dourada do Outono é indiscutível, o seu frescor revigorante necessário, a sua beleza elegante de meia-estação, com a suavidade desse estado de graça, evidente. Deste modo, assim como sucedeu no ano passado, vai daqui um grande saravá para o Outono, que venha em bem e por bem. Isto, claro, porque somos do sul da Europa, o que faz com que possamos receber esta estação com a sua doce promessa de amenidade, e não como uma hecatombe de friagem, chuva de pedra incessante, neve, gelo, derrocada, horror e drama.
 
Outro fator tão instigante nesta altura do ano é a oportunidade de deixarmos amadurecer as ideias e planos, as decisões e vontades, as pistas do sonho e a viragem que cultivámos durante os momentos de vagar do Verão. É certo que estou com tanto trabalho até ao fim do ano (e, bem, depois disso...), que não tenho tido a energia suficiente para me concentrar nos meus 7 polos de interesse (disso havemos de falar num qualquer outro dia), mas... Mas a verdade é que é uma altura do ano, especialmente quando se for pronunciando a sua progressão, que incentiva a fruição e produção cultural, a leitura, o pensamento, abre-se uma agradabilíssima sala para o recolhimento. Mas refiro-me ao recolhimento criativo, em que as boas coisas e os intentos positivos fluem, e não ao fechamento depressivo. Como acaba de dizer na TV o Professor Marcelo, "a vida é muito curta". E se é!
 
Resumindo e não baralhando, votos de um felicíssimo, exuberante, glamouroso, surpreendente e fecundo Outono a toda a minha fremente plêiade de leitores.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Do instinto

 
Women in the street -Kirchner
 
O instinto é uma preciosidade que, como todas as coisas que o são, carece de um tratamento cuidadoso. É preciso dar-lhe rédea solta, não o assoberbar com trabalhos, fazê-lo acreditar que não estamos de olho nele. Todavia, há que o ouvir, escutar mesmo, com a atenção com que o ouvido escuta no copo colado à parede. Mesmo que pareça não o ouvirmos, o instinto é tão poderoso, tão acutilante e, diria, tão inteligente, que marca a sua impressão irrefreavelmente.
 
O instinto avisa, o instinto ilumina, o instinto impele, o instinto refreia, o instinto evita e pode salvar.
 
Eu gosto do meu instinto, e cada vez me fio mais no dito.
 
E tenho dito.

Europa do Norte, nós somos mais bolos

Pois, mais uma viagem laborar à bela da Bruxélia. Que até é uma cidadezinha que tem a sua certa e determinada simpatia. Mas, percebem... não passa disso! Antuérpia também pareceu, exceto uma ou outra praça realmente bonita, um pãozinho sem sal.
 
Depois, claro, este tempo que por lá se abate, mesmo que seja no fim do verão, também não ajuda: tudo visto com cinza, ou através de pinguinhos (mais raros, tenho de ser justa), de chuva, ou então vem de lá aquela aragenzinha agreste a despropósito.
 
Enfim.. o que interessa é que o trabalho correu bem, e que trocar experiências com colegas nossos de vários pontos do mundo é sempre muito interessante e especial.
 
Back to Lisbon... Quando ouvi anunciar os 26º do fim de tarde lisboeta, ainda no avião, fiquei absolutamente confortada e refleti que a minha rabugice com o calor também se devia à minha ignorância do desvario europeu nortenho. Apre!

Ocorre-me mais do que desejaria o célebre: "Pobrezinhos mas com sol..."

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Gato, bombeiros e um bairro a assistir

Tenho andado em tantas múltiplas atarefações - e, ok, amiúde preguiça -, que procrastinei indevidamente o relato de um episódio real, passado no meu bairro umas semanas antes das férias.
 
Vinha eu a chegar do trabalho quando, já próxima da minha rua, avisto um senhor de cabelo para o compridote, tipo Beatles, em estranha posição. Pensei de imediato que aquela pose daria uma fotografia tremenda, já que de onde estava o via de cócoras, mas com o corpo cortado, se é que me entendem. Avanço e, quando chego junto do vizinho, paro para perceber.
 
- Pssssiu, comidinha da boa, anda cá - chamava o senhor.
 
Lá inquiri do que se tratava, tipo alcoviteira-desocupada-auxiliadora-melga. Sucedera que o seu gato, apanhando a janela do rés-do-chão aberta, voara para a rua, postara-se debaixo de um carro ali estacionado, e nem à lei da bala aceitava tornar a casa. Nem paté, nem psssiu psssiu, nem as eventuais saudades a tomar posse daquele corpinho teimoso, rien. Sugeri que pusesse o caixote do lixo junto à janela, para facilitar a subida do diabinho, mas qual o quê. Nem caixote, nem "comidinha da boa", nada. Entretanto, o senhor já estendido no chão, quase com a cabeça debaixo do carro, e o estuporzinho imperial.
 
Deu-me pena, o senhor preocupava-se pois em breve a sua companheira chegaria e saberia que o mimoso gatinho se tinha auto-expatriado para a rua. Logo entendi por que razão o vizinho não o arrastou por uma pata: a bicha era de rancores, fazia faaas e fuuus zangados, e disse-se que arranhava. Pessoalmente não sou a maior fã de gatos do mundo, e tenho horror às suas potenciais arranhadelas e aos seus bufares sinistros. Mas o certo é que estava desolada por não poder ajudar. Disse ao vizinho que ia ligar ao gatil municipal, para nos ajudarem.
 
Fui para casa procurar o número, nada. Tive de telefonar à PSP do bairro que, sempre querida, me facultou o número desejado. O gatil que não tirava gatos debaixo de carros, apenas os recolhia a pedido...Excerto da conversa.
 
Gatil - Pois é que nós isso não fazemos...
 
TZ - Pois mas coitadinho já viu, saiu pela janela e os donos estão desesperados a querer que volte para casa, e está a fazer-se noite.
 
Gatil - Se ele estivesse no telhado, por exemplo, recomendava que chamasse os bombeiros, mas eles assim não vão.
 
TZ - Pois, mas vai dar no mesmo, não é? No telhado ou na rua, ele vai ficar sozinho à noite...
 
Liguei para os bombeiros. Fiz o choradinho do gatinho coitadinho perdidinho na ruazinha na quase noitinha. Eles foram mesmo muito compreensivos e gentis, e disseram que viriam. Agradeço muito e volto para a rua da cena gatídea.
 
Entretanto, já havia umas três pessoas na rua, a acompanhar o desdobramento físico-persuasor do vizinho para tirar o gato debaixo do carro. Chamados, vassoura, comida, paté, promessas, nada. Esperámos ainda um bocado, o suficiente para a rua e as janelas circundantes se irem enchendo de gente. Entretanto, os vizinhos em causa tinha a casa para arrendar, e de vez em quando eramos interrompidos por potenciais interessados. Um must see.
 
De repente vimos uma pequena carrinha de bombeiros ao fundo da rua, que virou noutra direção, o que nos deixou preocupados. Liguei para os bombeiros. "Por favor avise os senhores que é na rua X, está bem, é que eles foram para outro lado". Que sim senhor. Lá chegaram junto a nós dois bombeiros simpáticos e com muito boa vontade, e que devem ter achado que seria piece of cake arrancar o demoniozinho do seu reduto inexpugnável. Ah, ah, era o eras.
 
Bufante, lutador, teimoso que nem mil mulas velhas, o facto é que o bom do gato nos mantinha a todos em sentido, e cá por mim só esperava não acabar desfigurada por me meter em aventura alheia. Mas como alheia? Vizinho e seu gato em perigo, o problema é de todos. E como! Bem, os bombeiros concluíram que o bicho era danado, voltaram à carrinha e quando vejo enfiavam luvas grossas até aos cotovelos, e capacetes. Em todo o derredor, entretanto, o bairro vibrava com aquele aparato ,com as janelas de vários prédios cheias de gente a observar o cenário. Já deviam ser umas 7 ou 8 pessoas, eu incluída, atrás do mavioso miauzinho, que só abria a boca para escarrar ameaças. De um lado, uma vassoura acicatava o bichano para um lado, do outro, o bombeiro tentava, muito a medo (e justificadamente), atraí-lo. Concluiu-se que o caso era sério, os bombeiros voltaram à carrinha e trouxeram uma grande rede. O método, entre o estudado e o repentista, consistia em afugentar o gato de um lado para o outro, a ver se saía debaixo do carro sendo, num ápice, artisticamente tolhido pela dita rede. Num repente já estou eu a segurar na rede de um lado, e o bombeiro no outro. Mas qual gato! A mangar escandalosamente de nós todos, ainda nos fez andar de carro em carro, e finalmente do outro lado da rua, já que se fartou da brincadeira e fugiu.
 
Teorias sensatas, preocupadas e exaustas desenhavam-se no ar da noite que entretanto se consumara: que o melhor era manter a luz do andar ligada e sairmos dali para não o stressarmos mais; que ele quando se visse sozinho teria uma epifania e veria que o seu lugar era em casa, etc.. Não sei quantas horas passei nisto. Só sei que entretanto, com várias pessoas envolvidas, horas transcorridas, o insucesso dominante e o meu próprio cansaço, me despedi, desejando boa sorte. Antes de chegar a casa ainda um cãozinho mínimo se vira para mim a ladrar, ao que eu digo ao dono "Ai, por favor, hoje não, olhe que estou à horas atrás de um gato", e logo ali se delineia mais uma conversa, alargada depois a uma outra vizinha (e eu não conhecia ninguém e esta é uma das maravilhas do meu bairro), sobre a rocambolesca aventura.
 
Espreitei pela janela bastante tempo depois, e a carrinha dos bombeiros ainda lá estava à esquina. Incansáveis, sensíveis, e ali a colaborar para ajudar um gatinho teimoso a voltar para os seus donos. Espero que tenha tudo acabado em bem. Se voltar a ver o vizinho, pergunto e conto.

13


Bom fim-de-semana ... é quase 14!


Sexta-feira 13. Uma pessoa não nada supersticiosa, que não é. Facto é que estava já mas fraldas no meu amado bairro quando dou de caras com um gato preto, com aquele andar deslizante e desconfiado dos gatos, rentinho à beira do passeio. Parecia ter um arzinho tão amedrontado, como se adivinhasse que, neste dia, há gente que é bem capaz de lançar mão de um pandemónio de feitiçaria para o não ver, nem aos seus outros primos black.

Por mim olhei-o carinhosamente.

Ainda bem que não sou supersticiosa.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Maravilhas da leitura

Das novas leituras, falta O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge


Já antes de ir de férias tinha partilhado com os meus algodónicos, raros e benquistos leitores que o velho hábito de leitura me reabitava novamente. Aqui e aqui têm um exemplo das minhas fruições dessa altura.
 
Em época de féria campestre sempre foi habitual ler muito, e nestas quase três semanas tenho o prazer de anunciar que li o belíssimo número de sete livros. 7. Este numero disse-me um bocado nestas férias, e espero que continue a dizer... completude, perfeição. 37 anos. 7 livros. 7 frases. 7 polos. Hum, a seu tempo, a seu tempo. Hoje é para os livros.
 
Ei-los aí, na foto acima. O monumento A Descoberta do Mundo - Crónicas, de Clarice Lispector, não integra os 7, porquanto ainda o não terminei, se bem que tenha chegado às mais de 300 páginas ainda em férias. Para além dos livros que podem ver na fotografia, reli A Ilustre Casa de Ramires, do enorme Eça, e o livro com duas histórias Poirot Desvenda o Passado/ O Mistério das Cartas Anónimas, da gigante Agatha Christie.
 
O preferido? A Ilustra Casa de Ramires. Soberbo, refinado, rico, o encanto habitual queirosiano, a expandir-se a cada releitura. Uma excelente surpresa foi Elizabeth Gilbert com o seu Comer, Orar, Amar; não vi o filme, pelo livro posso falar e está notável e tão bem escrito! A minha primeira experiência com Lídia Jorge foi não menos que impressiva e muito boa: O Dia dos Prodígios, o seu primeiro romance com trinta e poucos anos. Grande! Claro que achei 1984 de Orwell um torvelinho genial do equívoco em flagrante, mas dentro do estilo mantenho-me fiel a Huxley (que gostou muito de 1984) e ao seu Admirável Mundo Novo. Relembrar o charme de Agatha Christie, a época glamourosa das suas histórias e a sua mente cheia de inventiva foi um intenso prazer. E quanto à dupla Kerouac/Burroughs E os Hipopótamos Cozeram nos seus Tanques ? São muito bons, sempre a atmosfera livre, rebelde, frágil, ingénua, companheira, rocambolesca e que se cola às nossas memórias com extrema eficiência. Eles bem sabiam o que narravam. E para finalizar, uma mimosura, a singela coletânea de poemas populares de Carolina S. Neves, Pedaços do Coração. Foi publicada pela Câmara Municipal de Pedrógão Grande (saravá, querida Pedrógão), e canta uma vida plena, de uma mulher dedicada à sua família, amigos, terra e talento poético. Os Troviscais, sua terra natal e onde sempre viveu, são descritos com amor, e o apelo da natureza atravessa todos os textos.
 
E assim foi. Um brinde aos livros, e aos que nos desenham estas viagens aventureiras via palavras, para nossa demanda e deleite.

sábado, 7 de setembro de 2013

Na barrinha um genovês

Mas não Marco Polo. Outro viajante via palavras. Parole, pétalas também, para vós. Eugenio Montale.

Chãos

Amada
 
Caetano canta Tom e Vinícius - Eu sei que vou te amar
 
 
Nunca é demais dizer-vos o quanto eu amo o campo. A natureza ali, aberta e verde, imensa para nós, a sós connosco sempre que quisermos porque, bem veem, espaço é coisa que não falta. E no amplo espaço é sabido que se dilata o tempo e a existência distende-se, inchada de conforto e de harmonia.
 
Muitos, muitos passeios, extensas horas a divagar, devagar, de um lado para o outro, entre caminhitos e estradas, com horizonte rasgado ou totalmente coberta de folhas, ramos, troncos e sombra. Inefável, portanto, e esta sensação não a trocava por nenhuma, é-me fundamental e ajuda-me cada vez mais a perceber que gostava de passar a maior parte da minha vida em contacto íntimo com a natureza. A urbana, a humana, pode sempre ter-se, e em alegre transumância.
 
Mudar de vida. Quero muito!
 
Eu sei que vou mudar, a cada volta minha, eu sei que vou mudar... E cada acácia esplenderá, e a luz e os sons, alastrarão imensos, a dizer: eu sei que vou mudar. (Adaptação cómico-dramática de Eu sei que vou te amar.)
 
Ah, o Brasil continua a sambar, a latir, a acordar na minha cabeça. Repercebi com grande emoção que dois dos maiores lugares do mundo para mim são a terra do meu Pai e o Rio de Janeiro. Esteticamente, ontologicamente, existencialmente, em vigor, em beleza, em arreigada necessidade e, claro, em êxtase.
 
Beijo os seus chãos.

Calma, fechem os pacotes de lenços de papel

A Diva voltou!
 
Na verdade já voltei de férias há um pedacinho, mas depois foi o regresso, logo a seguir um saltinho laboral à nórdica Helsínquia, hélas... Uma pessoa fica um pouco tocada com a jeta lega, com a cabra-cega, com o diacho a sete, e quando dá por ela... quase um mês sem dizer alegoria vai. Mil perdões, resiliente leitorado.
 
Mas a loja não fechou. Não, a loja não fechou, e espero que possa sempre abrir-se mais.
 
Já vi que por aqui, para além de novo chumbo do TC (yes!), e de afinal ser possível quinhentas mil candidaturas para câmaras diferentes (mas, atenção, pelos mesmos autarcas...cof...), pouco mudou. Nada mudou, vero? Nem a infâmia dos incêndios, ainda por cima com tantas perdas de vida associadas. O meu sentido saravá aos bombeiros que continuam a lutar, mas lembrem-se que nada vale cada vida.
 
Valha-nos celebrar a grande, magnífica e translumbrante novela da Globo que foi Avenida Brasil. Urso de Berlim para Adriana Esteves, já!
 
Hum... Vou pondo a escrita em dia. Estamos aí.
 
Beijos e abraços tamborínicos.

sábado, 10 de agosto de 2013

Parabéns mim, Diva Tamborim


As pouquíssimas vezes que uma pessoa agenda posts motivam sempre uma grande excitação, acho isto o máximo.
 
Apre que o tempo avoa, diacho! Ainda há um ano andava à procura de uns balõezinhos simpáticos para ilustrar os 36, e eis senão quando...pumba! 37 nas ventanas que é para não andares distraída, pariga. Salve Zim, salve Jorge Amado, que também faria anos neste dia! Tem ao menos a virtude de ter um 7 no meio, número de que gosto assaz.
 
Tendo 30 sido a idade que mais gostei de fazer, não sei se algum dia acharei tanta graça a outra. Talvez...40? (Hum, não me parece.) Bem, o que é que posso desejar senão o melhor?
 
É isso.
 
O melhor que seja, que venha, e que o sejamos.
 
Brinde a todos!

Tambo Marple, a Vetusta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Paulo Borges, Lisboa, o Mundo

Prof. Paulo Borges
 
Paulo Borges, líder do PAN, presidente da União Budista Portuguesa, filósofo e professor de Filosofia com ampla obra publicada, divulgador-mor de Agostinho da Silva, entre muitos outros bons afazeres, é candidato à Câmara Municipal de Lisboa.
 
Tem o meu apoio, e o meu voto. Pessoas de bem, guiadas por valores éticos e de compaixão, de vontade de reconstruir efetivamente mudando, e não mimando uma ordem caótica e vergonhosa de desmandos, são precisas. Essenciais como a água.
 
Às vezes fico apreensiva por vê-lo nas lides políticas. Mas percebo totalmente por que razão optou por uma aventura distinta das que já trilhava. Ou não tão distinta assim, já que o que pretende é apenas (e oh, enorme apenas!), praticar estruturadamente, e para o bem de todos, aquilo em que mais profundamente acredita. Luxo só.
 
Boa sorte Professor.

A menos de 24...

 
Robert Reid - Fleur de Lis
 
... horas, não tabefes, imaginoso leitorado!
 
Muito próxima de abraçar aquela ideia, aquela velha e sempre renovada noção de ter tempo, tempo, tempo... para fazermos o que queremos e só.
 
No meu caso, vai saber-me a seitan! Depois de uns últimos tempos tenebrosos, ando a reconquistar a minha natural audácia e noutro dia, ao caminhar para o trabalho de manhã, só pensava em quanto é importante termos a consciência de sermos livres. Sê-lo é, desde logo, assumir a consciência, dentre tremores e tremuras, receios e agruras, de que podemos e devemos autodeterminar-nos. Em liberdade, o que para mim significa fidelidade ao nosso fundamento. Se tudo for pelo cano, se a vida entortar, se sombra de euros não virmos um dia? Teremos de nos levantar. E relevantar, e relevantar e revolutear todas as vezes para não só nos sabermos, mas sermos, um complexo dinâmico de inesperada deflagração de vida e de resposta. Mas já me deixei levar pelo ribeirinho fácil da minha vervalhada... (Ah, e a Sara Carbonero não está cada vez mais bonita??) Bom, dizia que me saberá a seitan. E bem literalmente porque, aliás, já o comprei. Entre outras belíssimas provisões para quase vinte dias de campo, campo, puro campo e mais campo. Passear pelos bosques, andar de carro com os meus amados dentre as serras, fazer piqueniques na floresta, ler embrenhada no verde, ler na rede, ler nas folhas-sublimes-mãos das acácias... Regar flores, regar feijões (espero que os haja na horta), regar-me também. Fotografar a respiração da terra, competir em atenção com a aranha, vagabundear somente. Cozinhar com calma e improviso, surpreender com novos pratos, almoçar na varanda com um cenário de desenho animado... casinhas dentre pomares, casinhas dentre arvoredos, casinhas sobre colinas e debaixo de uma tela azul de céu. E aspirar a noite, e respirar as estrelas, deixar que invadam tudo, o quarto, a casa, as paredes, ver as casas como estrelas ao som dos grilos e do silêncio perfumado das rosas entreabertas e das borboletas poetas.
 
Nem quero pensar no momento de regressar de lá. Porque, mesmo com três viagens laborais para três destinos instigantes (especialmente um deles, vá, porque amo Veneza) logo a seguir, tudo isso me parece francamente pouco comparado com a grandeza daquele campo, o meu campo, aquilo que penso quando penso em campo. Por isso, serão dias a tecer e a fruir mui longamente, esperando que me facultem luzes, que me enviem sinais, que me ajudem a prosseguir o melhor possível enquanto ser livre, esteta, doido e ético. Que é o que sou, e o que quero ser.
 
Vou redigindo tamborinices, quando me aprouver, no descompromisso de sempre da Alegoria.
 
Entretanto, milhões de votos de maravilhosas férias para os meus queridos leitores, de todos os cantos da ecúmena (e sei lá se não de Marte, Júpiter, Plutão)!

domingo, 4 de agosto de 2013

O portento da Pornopopeia

Pornopopeia, Reinaldo Moraes
Ed. Quetzal
Reinaldo Moraes

Cerca de quinhentas e oitenta páginas na conturbada mas e por isso irresistível companhia de Zeca, um "cineasta/roteirista/chave-de-cadeia" que nos leva de uma bafienta S. Paulo à aparente pacatez do litoral em busca de salvação para os imbróglios em série de que é refém, de formas mais ou menos abstrusas e improváveis. Ou não muito prováveis. Ou até um pouco prováveis, mas mesmo assim de espantar um e de o por realmente a mexer para o mais longe possível. O pior é a fuga de si mesmo e do que, nas palavras do autor, se traz "na jaula do peito".
 
Não se engane o leitor na sua casta entrada em tal opípara pornocomédia: seguir-se-á um festival totalmente doido de humor, inteligência, ironia desconcertante e suspense. A minha irmã já me tinha dito que chorara a rir, eu ri muito, alto e silenciosamente, e sorri abundantemente. O registo é inesquecível, sôfrego e totalmente conquistador. Na pureza, leitor, dê várias chances.
 
Folgo em saber que há tantas formas de escrever. A qualidade ao comando da diversidade é tudo o que é preciso e Pornopopeia, mesmo com todo o muito peso do prefixo, tem-na para dar e vender. Curiosa para ler mais deste boníssimo malandro literário, o paulistano Reinaldo Moraes.

E como é bom voltar a ler!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Fim de papo

Como sói dizer-se no mano Brasil favelê, "Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando...", mas não, estou a escrever este post. Já que é este o meu fado, que seja.
Hoje, deixei de gostar de uma pessoa. Ontem gostava muito dessa pessoa, a quem não considerava uma amiga de A grandão, mas uma amiga querida, uma pessoa cordial, e a quem desejava o melhor. Na verdade, ainda desejo tudo de bom. O melhor, já não sei. Saúde, paz, justiça, segurança, isso sem dúvida.
Mas dizia que hoje deixei de gostar de uma pessoa, de quem ontem gostava muito, a quem já abracei comovidamente, com quem julgava ser possível existir um afeto saudável, e um respeito genuíno. Hoje não me é possível. Não sinto respeito, não sinto admiração, sinto pena. Não posso dizer que detesto, que passei do gostar muito ao ódio. Nem pensar. Apenas, deixei de gostar. É mais uma tristeza, mais uma marca que levo na estrada da vida, da qual nunca me poderei esquecer, mas que sem dúvida acomodarei. A pessoa habitua-se a viver com as consequências dos cortes que estabelece em função da cisão, do apartamento, do desprezo. Quando se sabe o que se deve saber.
Eu posso perdoar discussões acesas, ofensas inofensivas sob nervos, birras, amuos e bate pés, quem o não faz? Posso perdoar visões parcelares, tentações de quem procura anular-nos o seu pedaço, mas enfim, a pessoa até tem boas qualidades, vamos ultrapassar. Posso tentar recortar o que não me agrada e focar-me naquilo que sei, ou que acredito, ser bom. O que eu não perdoo, e muito menos sem perdão me pedirem, é o espírito da queixinha, da sonsice, da pseudo-honestidade do tipo "Vou queimar-te injustamente, sem necessidade nenhuma e acima de tudo sem contar a versão completa de uma história porque sou muito honesta." Isso não posso perdoar, isso tem de fazer-me reduzir, nos inclementes olhos do meu sentido de justiça, na imensa capacidade do meu afeto, a importância dessa pessoa a níveis mínimos. Fica esventrada a pequenez, a falta de coragem para expor erros graves, e a covardia de pisar em quem está mais baixo. Fica patente a extraordinária pobreza, e a triste confirmação de que este tipo de pessoa se está nas tintas para isso. Que acha ter agido bem, que a consciência não lhe apita nada. Porque, eventualmente, terá muito pouco dentro de si que não uma politiquice correta suja, pequena, perniciosamente infértil.
Porque a sua lealdade é pó, e isso diz-me muito, ou tudo, dos seus valores.
 E isso, caros leitores, é-me inultrapassável.

domingo, 28 de julho de 2013

Segunda Nota - Lavoura Arcaica


Lavoura Arcaica
 
 
Tinha aqui por casa este filme há alguns anos. Pensava, aliás, ser uma série. Um filme longo, de quase três horas, inspirado no romance homónimo de Raduan Nassar. A realização, nada abaixo do sublime, a cargo de Luiz Fernando Carvalho.
 
O filho pródigo, aqui de epilepsia e inquietação, afasta-se da fazenda onde mora a sua família. Quando o seu irmão vai buscá-lo, comovidamente, ao quarto da pensão onde se refugia com a doença e a solidão, somos guiados através das lembranças do fugitivo, entramos nos recantos familiares mais recônditos, na intimidade da luz, na fixidez dos valores, na pureza dos cenários e na aflição da sua rota consigo mesmo.
 
Um filme de 2001, com uma riqueza textual ilimitada, e representações soberbas. Selton Mello, um dos meus atores preferidos, mais uma vez arrebatador.
 
Precioso.

Primeira Nota - Nada a Dizer

Nada a Dizer - Elvira Vigna
Ed. Quetzal

Elvira Vigna
 
Ah, mas várias coisas a dizer sobre este livro impressivo de Elvira Vigna, uma bela carioca que nos seduz progressivamente ao longo da teia finamente, quase exasperantemente urdida pela narradora desta história.
 
Foi um daquelas encontros felizes em plena FNAC. Estava a comprar livros para oferecer, e eis que bato com as retinas na capa, no título, e na nota "A melhor escritora brasileira viva". Eh lá, pensei. E trouxe o livro. Não me prendeu logo mas, como li ontem já nem sei de que autoria, amores que crescem lentamente contam com a proteção astral. Mais ou menos assim. A narração é eminentemente psicológica, e desenrola-se durante quase um ano. Mas é um quase ano em que sentimos com uma inquietante exatidão a tensão atmosférica da vida de um casal de meia idade, permeada pelos efeitos arrasadores da traição: para o que trai, para o que é traído. No meio de tudo isso, a indagação pessoalíssima de quem conta a história sobre a sua própria desesperança controlada, o percurso pelo mundo, e o apelo mais fundo do que, afinal, deseja. Uma escrita interessantíssima, demorada a um tempo, e acutilantemente objetiva, por outro lado.
 
Registo uma vez mais o penoso, danoso, e acho que inconcebível atraso com que se publicam em Portugal as produções literárias do Brasil. Neste caso, pelo menos, uns dois anos depois. Estamos no séc. XXI, camaradas!

sábado, 20 de julho de 2013

De ouro ou, pelo menos, de oxigénio


Paul Delvaux - The Village of the Mermaids (1942)

Às vezes sucedem situações graves, e refiro-me às de grau de gravidade mediano e elevado, nada a ver com vida ou morte ou ofensa fatídica. Mas coisas pesadas, graves, com consequências tristes, insensatas, de corte entre pessoas que um dia se quiseram muito bem, com genuína preocupação e alegria. E isso, claro, é grave.
 
Nessas ocorrências, e cada vez mais, acho que o tempo tem uma importante palavra, ou talvez um grande discurso, a dizer. Mas o tempo precisa, em tais circunstâncias, de acalmia. De pensos rápidos, de alguma coisa para estancar desconfortos e dores, e de silêncio. De muito silêncio, quase um reverente silêncio para com o que se passou, e para uma preparação talvez lenta, talvez longa, de um caminho melhor. Apaziguar é extremamente necessário, urgente para prevenir males ainda maiores.
 
Esta linda tela de Paul Delvaux, falecido há 19 anos, lembrou-me essa preciosidade que é o silêncio. O respeito do e pelo silêncio é algo que deveríamos interiorizar seriamente, porque é bem provável que uma melhor prática de vida possa despontar daí, um dia, recobrado o ânimo, reposta a energia e a vontade.
 
Brinde ao silêncio, leitor.

domingo, 14 de julho de 2013

Uma coisa muito má

A estupidez protagonizada pela SIC e pelas cabecinhas de azeitona congregadas nessa idiotice do Olé. STOP tourada, STOP alusão à tourada, STOP exploração animal.
 
"Criativos", por favor trabalhem. Diz que épocas de crise são fabulosas para inovar. Façam, pensem, vão mais além. Ou então não façam mesmo nada. Meditem, aspirem a um reconfortante vazio até que se encham novamente de neurónios. Não molestem.
 
Apre!

Uma coisa boa

Art Malik, Susan Wooldridge e Tom Piggot-Smith são, respetivamente,
Harri Kumar, Daphne Manners e Ronald Merrick

Charles Dance é Guy Perron
 
Terminei de ver a grande série A Joia da Coroa. Como muitos leitores diletos da minha geração ou anterior, claro que me lembrava dos tempos em que passava na televisão, mas já muito pouco. Há anos atrás comecei a ver e interrompi, até que agora... devorei. Com muito interesse, verdadeiro deleite pela qualidade da realização, das representações preciosas, da fotografia, e embalada por autênticas saudades da Índia que vi, bem como pelas saudades da tanta Índia que desconheço.
 
Um histórico da televisão. E, se falarmos de exemplos de cavalheirismo, masculinidade, de sedução da humanidade, que o esplêndido ator Charles Dance, o Sargento Guy Perron, fique como referência a lembrar. Soberbo.
 
Como me acontecera em relação a outros filmes e séries, ver produções antigas e depois pesquisar os autor na net deixa-nos totalmente derretidos pelo poder do tempo. Mas da maneira como alguns progridem e envelhecem, asseguro que há esperança. Já disse algures que tendo a ser estupidamente otimista.

Bem-vinda meia estação!

Inspirar a fresca

Estou a amar esta humidade, a fresca e o arzinho salvífico depois de dias e dias de terror tórrido.

A amar!

domingo, 7 de julho de 2013

O mar

Mar
(Foto de Zim)

O mar é a grande imensidão da delícia gelada, tépida, o verdadeiro espumante do melhor tempo de lazer. O mar estia a nuvem, amadurece o azul, ou será o contrário? O mar nada nas retinas dos seus fãs e reina, pulsante, no coração da natura.
 
Amo o mar, este fim-de-semana foi a minha estreia balnear, e não sei há quantos anos não estava tanto tempo dentro dele.
 
Salve, salve.
 
Gostaria de escrever mais coisas mas o coração está demasiado ocupado a fazer-me sobreviver a esta canícula inclemente, pelo que não quero sobrecarrega-lo.
 
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O tórrido Verão da Tugolândia

Agarrem-me que eu fico! Não saio nem morto! Não fechamos portas. Não abrimos portas. 40º. Só sabemos que nada sabemos. Agarrem-me que eu vou. Vem a Maria. Vai o Álvaro. Incógnita, enigma, conturbação, loucura. 38º. 50º. 60º.

E a pergunta fica, singela, doce, quase inaudível: quando é que esta gente cai de uma vez por todas?